Chutando a Lata

Um blog para mudar a mentalidade Casa Grande e Senzala.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dica do Selva Brasilis: "O PT já nasceu corrompido"

Em entrevista concedida ao Jornal de Brasília, Olavo de Carvalho comenta a derrocada intelectual e moral do Brasil nas últimas décadas, resgata fatos da história recente do país, e destaca aspectos do modus operandi do PT: Eles também apelam à violência. Veja as mortes dos prefeitos de Santo André e de Campinas.

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O PT durante anos brandiu a causa da ética. Ao chegar ao poder foi desgastado pelo escândalo do mensalão. O DEM passou a levantar a mesma bandeira, mas foi tragado com o caso de Brasília. A defesa da ética tem alguma maldição?

Em primeiro lugar, o prestígio do PT cresceu pelo discurso de combate à corrupção, mas a máquina de corrupção do partido já estava sendo montada enquanto isso acontecia. Tanto que foi organizado um serviço de inteligência privado do PT, que ficou conhecido como PTPol. A coisa foi denunciada pelo governador Esperidião Amin (Santa Catarina), mas nada se investigou depois. Em 1993, quando houve aquela famosa CPI da Corrupção, a máquina já estava montada, já fazia três anos que o PT fundara o Foro de São Paulo, associando-se a organizações de traficantes e seqüestradores como as Farc (Força Armadas Revolucionárias da Colômbia) e o Mir chileno ao mesmo tempo em que, em público, pregava a moral e os bons costumes. Todo aquele combate aparentemente moralista era para encobrir o esquema. O PT foi o partido que mais enganou a população, pois ele já nasceu corrompido. Em segundo lugar, a decadência moral dos partidos acompanha a decadência geral do Brasil, que se aprofundou muito nos últimos 20 anos.

Para o senhor a desmoralização partidária é então resultado de um processo mais amplo?

A decadência não se dá apenas no aspecto moral, ela aconteceu intelectualmente. Nossos estudantes invariavelmente tiram os últimos lugares nos testes internacionais, abaixo de gente que vem de países muito mais pobres. Note que a produção de trabalhos científicos no Brasil aumentou bastante nos últimos anos. Mas as citações de pesquisas internacionalmente diminuíram muito, mostrando que a produção nacional tem cada vez menos valor para o progresso da ciência no mundo. A produção de trabalhos científicos tornou-se mera empulhação quantitativa para facilitar a caça às verbas. Compare o Brasil dos anos 50 a 70 com o atual. Tínhamos então uma infinidade de escritores e pensadores de nível mundial. Hoje, "intelectual" é o Jô Soares, é o Luís Fernando Veríssimo, é o Emir Sader. É comparar Atenas com a Baixada Fluminense. No campo moral, até se você usar como referência líderes de esquerda do passado como Carlos Marighella e Luiz Carlos Prestes, não há qualquer menção de que eles tivessem se envolvido com negociatas, com corrupção. Tanto que recentemente houve o episódio de a filha do Prestes negar-se a receber qualquer indenização do Estado, porque para ela isso mancharia a imagem do pai. Até os esquerdistas eram mais decentes naquele tempo. Agora, esse pessoal que está aí, descaradamente, assalta os cofres do Estado. Eles também apelam à violência. Veja as mortes dos prefeitos de Santo André e de Campinas.

Há luz no fim do túnel em outras legendas partidárias?

Os outros partidos são cúmplices. Hoje não se pode falar de esquerda e de direita, o que se tem é um sistema único. Destruíram o quadro partidário do Brasil.

O senhor defende que a polarização entre direita e esquerda ficou no passado?

O Brasil não tem uma direita há muito tempo. Nas últimas eleições presidenciais, os discursos de todos os candidatos eram semelhantes. O Partido Democratas foi inspirado na esquerda americana. Portanto, não pode ser considerado exemplo de partido conservador.

Como o senhor classifica o eleitor brasileiro? Desinformado e provinciano ou consciente, engajado, universalista?

O povo brasileiro é profundamente conservador. Sobretudo no aspecto social. É maciçamente contra o aborto, o feminismo radical, as quotas raciais, o gayzismo organizado. No entanto, não há político que fale em nome do povo: estão todos comprometidos com os lobbies bilionários que protegem esses movimentos.

Então a seu ver, falta hoje no quadro partidário quem traduza ou represente politicamente o pensamento da sociedade?

Não há candidato que defenda os valores em que o povo acredita. Aí fica esse vácuo. E a nossa suposta direita está mais interessada em comer dinheiro do governo. Se só há candidatos de esquerda, então o eleitor vai votar em quem? Durante as eleições, os candidatos camuflam o seu radicalismo, mas depois de eleitos, quando se sentem firmes no poder, tiram a máscara. Na eleição seguinte, o contingente de eleitores novos não sabe o que se passou e confia de novo em candidatos que já enganaram a geração anterior.

Por que os brasileiros votam em pessoas, em lugar de partidos?

O discurso dos partidos não é nítido. Numa eleição na Inglaterra, por exemplo, você tem uma direita e uma esquerda bem definidas. Você sabe quem é quem. Aqui nos Estados Unidos ninguém ignora que a Hillary Clinton é de esquerda, que o Glenn Beck é de direita, tal como todo mundo sabia que Ronald Reagan era de direita e Jimmy Carter era de esquerda. Apesar disso, nas últimas eleições, os americanos parecem que copiaram o Brasil: a postura dos democratas e dos republicanos foi igual, os candidatos ficaram jogando confete um no outro.

Há algum otimismo de sua parte quanto ao futuro do quadro político brasileiro, o senhor acredita em melhoras?

Poder melhorar sempre pode. Mas depende da ação humana. O nível de coragem política diminuiu assustadoramente no Brasil. As novas gerações são muito covardes. Se o Brasil ficar assim mais cinco anos, ele não se levantará mais. Veja o caso do filme que foi lançado sobre a biografia do Lula. Se aqui o governo financiasse um filme sobre a vida do Obama, isso daria em impeachment. No Brasil, a realização do filme do Lula não gerou nenhum protesto organizado. A reação está vindo do povo, que não vai ver o filme no cinema.

No seu modo de ver, como se dará à disputa entre a ministra Dilma Rousseff (PT) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), nessas eleições presidenciais?

Os dois candidatos vão promover um campeonato de esquerdismo. Como o Serra tem alguns aliados conservadores, talvez ele venha com um discurso mais moderado, e sua eleição dê uma folga para que a direita possa se reconstruir, se ainda houver nela alguém interessado mais nisso do que em bajular a esquerda e participar do banquete de verbas públicas.

Para o senhor a ausência de discursos e de programas de direita empobrece a política brasileira?

O que o Brasil tem é um unipartidarismo disfarçado. Fui contra a exclusão da esquerda, durante o regime militar, como hoje sou contra a exclusão da direita. A normalidade do sistema deve estar acima das preferências partidárias, mas a esquerda se colocou acima do sistema, engoliu o Estado e o transformou em instrumento do partido. Note que nem mesmo os militares fizeram isso: no Parlamento, na mídia e nas cátedras universitárias havia mais esquerdistas naquele tempo do que direitistas hoje. Os milicos foram autoritários, mas não totalitários. Hoje estamos caminhando para o totalitarismo perfeito e indolor.

Publicado no Jornal do Brasília, no dia 31 de janeiro de 2010.



sábado, 23 de janeiro de 2010

Fichas sujas - Vamos sujar as fichas desses canalhas

http://caranovanocongresso.blogspot.com/2010/01/lista-de-politicos-com-ficha-suja.html

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Por que as cidades estão se deteriorando (todas)?

Essa é uma pergunta que a grande maioria dos brasileiros sabe responder. É a desordem legal que permite invasores de terra de todos os naipes dominarem o cenário urbano, degradando-o. Mas não se pense que os invasores são apenas os maltrapilhos humanos, deserdados em tudo. Eles têm parte da responsabilidade. Entretanto, a desordem que provocam é, até certo ponto, reversível. A que definitivamente desmancha o ambiente – e efetivamente me preocupa – tem outros agentes. São os empreiteiros, personagens importantes do modelo Casa Grande & Senzala, assentados estrategicamente na Casa Grande, que, elegendo os políticos de suas quitandas, conseguem alterar, na mão grande, o padrão urbano, mesmo que seja à custa da degradação da cidade. Esses políticos que irão dirigir o modelo Casa Grande & Senzala em sua dimensão regional se encarregam dos mensalões, comprando políticos de todas as legendas, alterando as leis a torto e a direito de forma a atender o apetite rentista ilimitado dessa corja poderosa da Casa Grande.


Portanto, é a invasão legal que irá, rompendo o padrão urbano elementar e básico, trazer a degradação do meio ambiente e transformará as cidades em pocilgas horripilantes, sujeitas às inundações e acho até que aos tremores tectônicos. Nada disso se vê em países desenvolvidos, onde a política cumpre razoavelmente bem o seu desideratum nobre e abrangente de atender o povo.

Não se pode negar que a força do modelo Casa Grande & Senzala, que concentra sua produção no sudeste do país, tenha sua cota de responsabilidade pela degradação urbana. Mas ela em sim mesma não é determinante desse infortúnio. Tome o contra-exemplo argentino que como sabemos tem o seu modelo Casa Grande parecido com o nosso, mas com pouca ou nenhuma senzala. A razão para que a senzala não prolifere destruindo as cidades é clara: o sistema político argentino não apodreceu a ponto de só terem políticos corruptos que se vendam a qualquer empreiteiro. O mesmo vale para o Uruguai. Nestes lugares próximos do Brasil, o povo não é bosta e nem se faz de.

Mas, no Brasil, o modelo Casa Grande & Senzala, como bem batizaram os federais (polícia), abriu a caixa de Pandora e todos os males se espalharam por todos os rincões do país. A política presente não serve para nada de útil para o povo e, tirando-se a tortura, pouco temos de diferente entre o modelo militar de 1964 e o presente modelo. Melhor dizendo, seria aquele até melhor, porque sempre andando para trás estaríamos melhor.

O grave nesse modelo é que os oportunistas aparecem em todos os cantos para dar um sopro de vida ao que agoniza mortalmente. Inventam políticas paliativas – estas, como o bolsa-família, eu defendo, porque assim a população mais carente pode retirar algo de útil para ela e não avança diretamente sobre mim – e outras requentadas na busca de um equilíbrio maléfico à população em geral. Falo de políticas como a presente política habitacional que, mesmo amarrando milhares de mutuários a correção monetária que funciona tal qual uma bomba relógio, consegue atrair mutuários e empreiteiros num projeto maroto. Poucos sabem, mas para viabilizar, fora dos requisitos de uma economia de mercado, novas áreas para acomodar essa massa populacional que se desloca como rato atrás de comida de cobaia, a degradação urbana tem que proliferar e para isso só com o apoio da prefeitura, vale dizer, da corja de políticos que irá alterar o padrão urbano secular e estável, propiciando-nos a degradação do meio ambiente e de nossa paisagem urbana acolhedora. A recompensa para o crime e bandidagem geral compensa e muito, fragilizando nossos valores sólidos no exercício de nossa cidadania que só não desmorona de vez pela falta de imunidade que só os políticos canalhas e os poderosos podem desfrutar. Se conforto posso trazer em minha análise, diria que o que restou ao abrirem a caixa de pandora foi esperança.

Identificado o mal, a resposta é simples. Primeiro, identificar, dadas as mudanças legais descabidas praticadas a torto e a direito, qual plano diretor é, de fato, o adequado para cada cidade. Conhecido os pontos críticos, atuar diretamente sobre ele. Como sempre, poderemos enfrentar problemas sociais graves, porque talvez a remoção seja a única solução. Se for, tem que remover a população com indenização justa: outro local de moradia e equacionamento do custo de transporte incorrido pela mudança de local ou até mesmo uma realocação regional. No caso rural a questão é mais complexa, pois envolve questões ambientais antigas e estratégia de governo que resulta em monoculturas para grande faixa de área não urbana. De qualquer sorte, a nível local há de se identificar cada um dos problemas específicos, transferindo para o proprietário rural parte da solução em seus próprios termos. Resumindo. Antes de tudo, precisamos estabelecer um diálogo com a natureza, identificando nossas mazelas e as fraquezas naturais que, nós, cidadãos, em ação depredatória, engendramos. Devemos conhecer, mesmo que de imediato nada possamos fazer, o problema que cada um de nós está enfrentando, tendo consciência de nosso espaço, em verdadeira aula de geografia cívica. A ignorância generalizada também contribui para a ação deletéria dessa gestão política, tolerando ações descabidas mais do que o normal ,nessa democracia requentada em panela velha, fazendo com que o avanço da depredação em nossos espaços não possa ser contabilizada de forma simples.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Por que o setor produtivo brasileiro é de baixo teor tecnológico, ou seja, as patentes e invenções efetivamente interessantes são poucas e restritas ao Agronegócio (Empraba), ao extrativismo mineral e ao petróleo?


Para responder essa questão, temos que considerar em primeiro lugar a premissa fundamental do modelo casa grande e senzala que é a seguinte: a elite brasileira domina a política e daí todo o setor público e a riqueza natural do país, utilizando esse poder para manter privilégios e reserva de mercado, gerando concentração de renda e pobreza.

As características importantes são:

a) O modelo é modernizante: usa-se o esquema cambial, creditício e tributário para subsidiar a compra de máquinas e equipamentos que em grande parte não são produzidos no país; a maioria dos pacotes tecnológicos, portanto, não são gerados no país. São importados. Além disso, como temos o esvaziamento tecnológico, as boas cabeças poderão estar se evadindo, ou para o setor público ou para o exterior. Como não há uma base empresarial inteligente, a sinergia é baixíssima e por isso a “informação” não flui.

b) O modelo universitário presente gera engenheiros, físicos, químicos, biólogos em pouquíssima quantidade, relativamente aos países desenvolvidos. Para piorar, os engenheiros estão indo para o setor publico – os melhores. Os físicos e químicos estão simplesmente sumindo. Em resumo, não existe massa crítica o suficiente para fazer circular inovações e novas tecnologias.

c) O modelo casa grande e senzala indica que as multinacionais brasileiras se caracterizam por um acordo com a elite. Esta lhes garante a reserva de mercado sempre que for possível copiar a tecnologia, produzindo-se no Brasil os produtos correspondentes a essa tecnologia “barata”. Os que demandam investimentos em capital humano e estão sujeitos à inovação não poderiam ser enquadrados pela elite brasileira (leia-se FIESP e tome os exemplos de tecnologia barata os seguintes: os produtos conhecidos como linha branca, o setor automobilistico e os produzidos na zona franca de Manaus ).

d) As patentes geradas no país não promovem diretamente o progresso tecnológico, dado o seu caráter evasivo, atendendo estratégias de grandes corporações que não são transparentes e não conseguem ter um efeito de amplificar e difundir novas tecnologias; são eventuais e fora de uma corrente dinâmica. Muitos dos processos patenteados estão relacionados às multinacionais, cuja estratégia está fora de alcance. As exceções são a pesquisa agropecuária que contribuiu efetivamente para o aumento da produtividade no campo e as pesquisas relacionadas ao extrativismo mineral e ao petróelo. De fato, o número de patentes depositados pela Petrobrás e pela Embrapa devem ser exceções à regra, gerando efeito positivo e de amplo alcance. Além disso, outras pesquisas e patentes relevantes estão relacionadas ao agronegócio. Aqui mais do que a quantidade, a qualidade e o efeito econômico nos respectivos setores é que dão sustentação à afirmação acima.

e) O ambiente pouco competitivo não gera o incentivo à inovação, tendo as agências reguladoras um papel de pouca importância para a inovação e à melhoria tecnológica, uma vez que a sua atuação é condicionada aos interesses das empresas concessionárias, garantindo-lhe rentabilidade certa sob quaisquer cenários.

Depoimentos de especialistas:

1) Presidente do Conselho Regional de Engenharia do Estado do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro.

"Patentes genuinamente brasileiras só existem onde a tecnologia brasileira tomou conta, como no caso da Petrobras. Guerreiro destaca que o baixo número de patentes registradas pelo País está ligado à influência negativa das multinacionais. O Brasil tem avançado na produção científica. Por que os registros de patentes não acompanham esse ritmo?

“ O problema das patentes é antigo. Os segmentos que produzem mais patentes são controlados por grandes multinacionais. Há caso em que a descoberta é feita no Brasil e a patente é registrada no exterior. No ramo de lâminas de barbear, por exemplo, várias fases do processo evolutivo foram descobertas no Brasil, mas foram patenteadas lá fora e os fabricantes daqui pagam royalties para vender produtos descobertos em suas próprias instalações. Patente tem muito a ver com o poder político e econômico. O próprio controle do sistema é interligado mundialmente. Patentes genuinamente brasileiras só existem onde a tecnologia brasileira tomou conta, como na Petrobras”


2) ALBUQUERQUE, E. (2003). Patentes e atividades inovativas: uma avaliação preliminar do caso brasileiro. In. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. VIOTTI, E. B. e MACEDO, M. M. (Orgs). Campinas, São Paulo. Editora da UNICAMP.

A relevância de se estudar a atividade de patenteamento das universidades brasileiras está ligada ao fato de que na lista dos 20 maiores depositários de patentes no Brasil entre 1990 e 2000, aparecem três universidades (UNICAMP, USP e UFMG) e duas instituições de pesquisas (EMBRAPA e Fiocruz), enquanto dados para os EUA apontam apenas uma universidade (Universidade da Califórnia, em 19º lugar). Para Albuquerque, se por um lado pode-se observar o vigor das universidades e instituições de pesquisas brasileiras na produção de conhecimentos patenteáveis, por outro “a boa posição das instituições brasileiras pode estar expressando menos uma virtude das universidades e mais uma debilidade geral do sistema produtivo”.

3) Matheus Rodrigues

Matheus Rodrigues é a segunda pessoa física que mais deposita patentes no Brasil. Entre 1999 e 2003, Rodrigues fez 44 depósitos de patentes. Matheus Rodrigues trabalhou até os 17 anos na lavoura e também foi soldador, ferreiro, torneiro, frezador, ferramenteiro e projetista de dispositivos de linha de montagem na General Motors e na Volkswagen. Rodrigues estudou até o nível técnico e completou o curso de Desenhista Mecânico e Projetista de Máquinas. Aos 34 anos, fundou a metalúrgica Máquinas Man, em Marília (SP), onde fabrica aproximadamente 70 modelos de máquinas diferentes para olarias, cerâmicas e saboarias. A empresa possui 110 funcionários. Atualmente com 65 anos, Rodrigues conta que possui 60 patentes em andamento no INPI, todas relacionadas às máquinas que são fabricadas por sua empresa. “Optei pelas patentes como pessoa física, porque minha firma é individual, respondo por ela”, explica. O empresário acredita que, no Brasil, são depositadas poucas patentes, pois inventar é algo que significa muito trabalho, paciência, concentração, sacrifício e despesas. “Na maioria das vezes, em troca de nada e de muita frustração, porque 95% dos inventos resultam em nenhum lucro”, diz. Na opinião dele, a importância de se depositar uma patente está na possibilidade de impedir que pessoas copiem sua invenção. O pesquisador considera que no Brasil é muito difícil de se defender quando há uma cópia do produto patenteado. “Só podemos dar entrada nesse processo quando se tem a carta de patente e a carta eu só recebi depois de seis anos de espera”. Além disso, Rodrigues conta que um processo jurídico dessa natureza pode demorar de cinco a dez anos para ser julgado. Mesmo assim, o empresário acredita que a patente pode representar benefícios parciais. “É melhor ter os benefícios parciais do que não ter nenhum”, diz. O inventor considera que a patente mais interessante que ele obteve foi a de um modelo de utilidade de uma tijoleira. Rodrigues conta que fez o depósito há 28 anos, depois de 4 anos de muito trabalho. O resultado foi uma máquina de grande perfeição, que custa 50% menos do que as dos concorrentes e produz tijolos de alta qualidade. “O sucesso foi tão grande que hoje em todo o Brasil e na América Latina 98% das olarias utilizam essa tijoleira.


1) Dados importantes:

a) Em 2008, Brasil respondia por somente 0,06% das patentes registradas nos Estados Unidos, contra 0,79% da Coréia do Sul, 1,31% da Itália, 2,96% da França e 22,67% do Japão;

b) O retrato da National Science Indicators (NSI), uma das maiores bases de dados científicos do mundo, mostra que o Brasil contribuiu com 2,12% de todos os artigos científicos produzidos por 183 países, 2,9 vezes abaixo da Alemanha (terceira colocada no ranking), 2,6 da Inglaterra (quinta colocada) e 2,1 da França (sexta);

c) Segundo dados do escritório norte-americano United States Patent and Trademark Office (USPTO), o País efetuou apenas 101 registros em 2008, ficando atrás da China, com 1.536, e da Índia, com 636. A Malásia, por exemplo, ultrapassou a colocação brasileira pelo segundo ano consecutivo;

d) A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é a líder do ranking das universidades e instituições públicas de pesquisa, com 191 depósitos nesse período. A segunda colocada é a Petrobras, com 177. Algumas instituições associadas à ABIPTI aparecem na lista. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aparece em 24º lugar, com 29 pedidos. Em 35º lugar, está o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (Lactec) com 22 pedidos, seguido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) que está em 36º lugar, com 21 pedidos. Em 40º lugar, está a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com 19 pedidos.

e) Mesmo com um baixíssimo percentual de depósitos de patentes, entre 1998 e 2001, as universidades brasileiras foram responsáveis por 34% dos depósitos na área de biotecnologia e 28,6% na de química orgânica (setores baseados na ciência)

f) A atuação das universidades brasileiras é relativamente diversificada, pois foram registrados depósitos em todos os trinta subdomínios tecnológicos listados pelo OST – Observatoire dês Sciences e des Techiniques. O subdomínio com maior número de registros é o de análise-mensuração-controle (14,2% do total), seguido pelos de química orgânica (9,3%), biotecnologia (7,5%), farmacêutico-cosméticos (7,4%), engenharia médica (6,8%) e materiais-metalurgia (6,2%).

g) Comparando os dados de patentes de universidades como os de residentes no Brasil, verifica-se que o ranking de subdomínios tecnológicos é bastante distinto. Os quatro subdomínios tecnológicos líderes no Brasil, consumo das famílias (21%), manutenção gráfica (10,2%), construção civil (10%) e transportes (8,1%) são áreas de pouca expressão no ranking de subdomínios tecnológicos das universidades. Os principais subdomínios tecnológicos em que universidades atuam estão entre os de menor destaque no Brasil, excetuando-se análise-mensuração-controle.

h) o número de engenheiros formados no Brasil em 2008, em todas as especialidades, é de 30 mil, quase 50% dos quais formados em instituições de ensino superior (IES) públicas -em outras áreas, dois terços se formam em particulares (muito embora em 2006 tivéssemos 20 mil ). Os demais países do Bric formam muito mais engenheiros do que nós: a Rússia forma 120 mil, a Índia, 200 mil, e a China, 300 mil. Do curso de doutoramento saem 10 mil doutores, mas apenas 13% estão relacionados à engenharia e computação. No Japão, 19% dos formados estão nas áreas de engenharia; na Coréia, 25%; na Rússia, 18%; no Brasil, só 5% (dados de 2007 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -OCDE). A média da OCDE é de 14%, e dela não constam os números da China. Enquanto o Brasil publicou menos de 2.000 trabalhos, a Índia produziu 4.000, a Rússia, cerca de 3.500, a Coréia, 6.500, e a China, 50 mil trabalhos. A disparidade é ainda mais gritante se observarmos que o Brasil está entre os países mais produtivos em trabalhos científicos na área de medicina. Os principais centros internacionais apontam os registros de patentes brasileiras em patamares muito inferiores aos dos demais Brics.

2) Fatos importantes:

a) As restrições às importações inibem a transferência de conhecimento tecnológico. Sem conhecermos os produtos, não podemos saber com mais precisão o que se passa no mundo tecnológico e por isso não podemos participar efetivamente das mudanças potenciais dinâmicas. Quando comparamos os produtos brasileiros com os estrangeiros, a diferença qualitativa é óbvia. Tome como exemplo um simples fogão e compare um brasileiro com um italiano. No mercado de conhecimento tecnológico, que se desenvolve no mundo inteiro, a principal moeda de troca é o próprio conhecimento, o que aumenta a importância da propriedade intelectual. Mas sem comércio livre de restrições e tarifas proibitivas, essa troca não flui.

b) O setor público está bancando, via BNDES, banco do Brasil, CEF e outras entidades, os empresários, matando o trabalho árduo e inventivo que não pode estar vinculado a esquemas pouco meritório para o empreendedorismo legítimo, gerando-se distorções geográficas e ineficiência em todos os setores e lugares. Esses empresários assentam seus negócios em estratégias de rápido retorno e pouco envolvimento com melhorias e eficiências nos seus processos, uma vez que contam com as benesses públicas.

c) Os cursos técnicos simplesmente sumiram. Não vemos hoje nem sequer cursos de montar rádios e TVs, porque a tecnologia é mais sofisticada e o ensino básico, que se evaporou, não acompanhou essa mudança.

d) A regulação dos serviços de natureza pública contribui para manter elevada rentabilidade às concessionárias, com pouco incentivo à inovação e a pesquisa local.


3) Um estudo sobre tecnologia e seus efeitos econômicos deveria responder as seguintes questões:

a) Qual o custo beneficio entre pesquisa e o resultado da pesquisa – patentes criadas ou depósitos de patentes e as correspondentes melhorias nos produtos, serviços e processos produtivos ? Hoje sabemos que as Universidades brasileiras têm uma participação importante no volume de depósitos de patentes. De fato, na lista dos 20 maiores depositários de patentes no Brasil entre 1990 e 2000, aparecem três universidades (UNICAMP, USP e UFMG) e duas instituições de pesquisas (EMBRAPA e Fiocruz), enquanto dados para os EUA apontam apenas uma universidade (Universidade da Califórnia, em 19º lugar) (ALBUQUERQUE, 2003). Esta desconexão entre pesquisa, inovação e setor privado deve ser uma característica do modelo Casa Grande & Senzala.

b) O volume de patentes para cada classe tecnológica indica alguma proximidade em quantidade e qualidade com os correspondentes dos países desenvolvidos? Essa é a única forma de sabermos se estamos atrás e como evoluímos para alcançar os países desenvolvidos, ou se estamos mergulhados num processo de modernização amparado em tecnologias estrangeiras sucateadas.

c) Quais pesquisas e patentes geradas no país refletem mudanças tecnológicas consideradas dinâmicas ou importantes nos países desenvolvidos? Isso também indicaria se estamos acompanhando o progresso tecnológico mundial.

d) O volume de depósito de patentes está coerente com a matriz produtiva do país, tomando como base as mesmas correlações internacionais? Se não for o caso, o processo de modernização poderia estar consolidado, ou seja, importamos tecnologia em dimensão exagerada, podendo refletir a degradação do capital humano brasileiro.

e) Quais pesquisas e patentes refletem apenas inovações localizadas e de pouca aplicabilidade? Muitas pesquisas e patentes poderiam apenas refletir inovações em processos produtivos específicos e que teriam poucos efeitos sobre os demais setores da economia.

f) O volume de depósito de patentes está coerente com o volume de pesquisa nas Universidades brasileiras, segundo um padrão internacional aceitável? Se a resposta for negativa, isto poderia ser um indicativo de baixa qualidade das nossas pesquisas ou a má gestão das universidades poderia ser outra resposta para tal questão.

g) Qual a implicação das pesquisas implementadas e correspondentes patentes no processo de crescimento brasileiro gerados pelas multinacionais? Muito se fala na influência maléfica das multinacionais no processo de criação de patentes, pela migração de pesquisas para a matriz que se localizaria em outro pais e com o correspondente pagamento de royalties por inovações que são nossas. Porém, se os custos disso forem negligentes para o Brasil, esta questão não é fundamental. Entretanto, dentre as multinacionais, temos a PETROBRAS como empresa importante no processo de geração de patentes (cerca de 1000 depósitos de patentes). Porém, se os contratos e participação acionária estrangeira na Petrobrás forem relevantes, uma fuga de patentes poderia ser crítica, pois o alto investimento feito pela Petrobrás poderia estar sendo absorvido por empresas estranhas ao Brasil. Num outro extremo, temos a situação esquisita da EMBRAER que absorve o capital humano de um dos maiores centros de pesquisa na área de ciências exatas e não tem o domínio de todo o processo produtivo das aeronaves sofisticadas.

h) Qual a relação entre os produtos que os brasileiros efetivamente consomem e os produtos similares estrangeiros? Se os nossos produtos comparativamente aos seus similares estrangeiros forem de qualidade diferente, haveria um indicativo de problemas na geração de tecnologia e provavelmente na qualidade das patentes ou um problema de incentivos viesados. De fato, o modelo casa grande e senzala sugere que as multinacionais brasileiras se caracterizam por um acordo com a elite. Esta lhes garante a reserva de mercado sempre que for possível copiar a tecnologia, produzindo-se no Brasil os produtos correspondentes a essa tecnologia barata. Os que demandam investimentos em capital humano e estão sujeitos à inovação freqüente não poderiam ser enquadrados pela elite brasileira (leia-se FIESP).

Conclusão

Embora tenhamos uma infra-estrutura científica e tecnológica que poderia contribuir significativamente para o progresso tecnológico, a força do modelo Casa Grande & Senzala é forte o suficiente para inibir inovações significativas que aumentem a qualidade e produtividade em todos os setores ou regiões da nossa economia. As que ocorrem localizam-se em setores tradicionais como a Agricultura, a de recursos minerais e na área do petróleo. Além disso, há fundamentalmente a baixa participação privada no processo de inovação, diferentemente dos países desenvolvidos. No tocante às multinacionais e às grandes empresas brasileiras, os exemplos emblemáticos são a Petrobrás e a EMBRAER que não consegue desvendar a caixa preta da aviação, restrita às multinacionais estrangeiras. Em relação as grandes empresas estrangeiras a redução nos depósitos de patentes no Brasil sugere alguma estratégia própria que é reforçada pelo modelo Casa Grande & Senzala.

Embora os dados e informações de que disponho não sejam o suficiente o bastante para uma avaliação mais consistente sobre o progresso tecnológico, o modelo Casa Grande & Senzala me leva apontar que os problemas críticos, na área do progresso tecnológico, estão localizados nas políticas comercial e industrial, caracterizadas por proteção tarifária, subsídios e privilégios de todas as ordens, bem como na gestão das Universidades públicas que estão sendo comprimidas pelo próprio modelo Casa Grande & Senzala. Some-se a isso o ambiente pouco competitivo engendrado pelo modelo Casa Grande & Senzala, o progresso tecnológico seria um sonho ainda a ser desenhado.

Para finalizar, dou falta de artigos que privilegiem os aspectos qualitativos per se; tarefa que só pode ser executada pelos especialistas em cada domínio tecnológico. Dessa forma, inclino-me a acatar como mais interessante as pesquisas que levem em consideração a avaliação particular dos cientistas, que atuam em cada domínio ou subdomínio tecnológico, sobre o estado das artes em que está cada um desses segmentos.



Bibliografia consultada:

ALBUQUERQUE, E. (2003). Patentes e atividades inovativas: uma avaliação preliminar do caso brasileiro. In. Indicadores de ciência, tecnologia e inovação no Brasil. VIOTTI, E. B. e MACEDO, M. M. (Orgs). Campinas, São Paulo. Editora da UNICAMP.

CARLOS AMÉRICO PACHECO – Unicamp – Políticas Institucionalies em matéria de propriedad intelectual y transferência de tecnologia e experiências prácticas sobre mecanismos institucionales de vinculacion Universidade-Empresa – Reunion Regional OMPI – CEPAL

LUCIANO MARTINS COSTA POVOA –Depósitos de Patentes de Universidades Brasileiras – 1979 – 2004 –CEDEPLAR/UFMG

INFORMATIVO TIB da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica




domingo, 27 de dezembro de 2009

Por que a renda dos servidores públicos da União, Estado e Município é maior do que a do setor produtivo?

A resposta a essa pergunta é pela sua aceitação. Para mim sua afirmação é provocativa e pretendo funcione como um mantra denunciativo do sujeito responsável pelas ações concretas contra o povo brasileiro. De fato, o modelo Casa Grande & Senzala tem como seu gestor exatamente os servidores públicos em geral. Estão localizados em todas as três esferas do poder: executivo, legislativo e judiciário. Esses gestores cumprem determinações e missões, estabelecidas pelos donos do poder que, em linhas gerais, podem ser classificados assim: ruralistas, banqueiros da Febraban, industriais da Fiesp e empreiteiros, rotulados, para referência futura, simplesmente como a elite brasileira.  Claro, para executar "brilhante"tarefa, o preço é alto.

A forma de ataque desses grupos se dá pela dominação do poder político, para que exerçam dentro da legalidade o poder econômico sem incômodos legais. Para isso foi preciso uma ditadura militar, enterrando o resto da revolução de 1930 que ainda suspirava pela Constituição de 1946. A revolução de 1930 pretendeu dar fim ao domínio da elite do café com leite e trouxe as reformas políticas necessárias para colocar o povo no contexto da política. A resistência paulista foi violenta e traduziu-se em tentativa frustrada de um golpe já em 1932. Foram vencidos, mas não inibidos para iniciar o desmonte da era Vargas. O golpe fatal veio em 1954, com o suicídio de Getúlio. JK abriu espaço para a podridão política se encastelar no legislativo, jogando no lixo o orçamento simplificado criado pela era Vargas que era conduzido com profissionalismo pelos servidores do DASP. A ditadura militar de 1964 foi o desfecho final, trazendo de volta a turma do café com leite que aos poucos conseguiram reverter a maioria das conquistas sociais acumuladas desde a década de 1930. A reversão foi rápida. Em 1970, reverteu-se completamente a trajetória de crescimento de forma definitiva, com a estagnação e pobreza dando a tônica do novo modelo, engendrado pelos tantãs de todos os naipes com o rótulo de liberais para esconder o que efetivamente eram: intervencionistas ao extremo, gerindo o mercado com a bússola da elite.

Esta ditadura militar de 1964 foi uma ditadura política e econômica que precisava usar da força para desmanchar a Constituição de 1946 e implantar políticas de proteção a esses grupos econômicos. Foi uma nova ditadura, completamente diferente da ditadura do estado novo que era essencialmente política e combatia, sobretudo, os comunistas e a elite do café com leite. Quando o desmanche da ditadura de 1964 se concretizou, o mesmo grupo de poderosos de sempre, a misturada requentada do café com leite, concebeu a democracia que temos hoje, mantendo todos os tipos de distorções criadas pela ditadura militar. Dentre essas distorções desequilibradoras, temos a de domínio do subsolo e rios por esses grupos excludentes que garantem para si a riqueza mineral e, para um grupo mais amplo de ruralistas, o domínio de uma política de coitadinhos, mesmo a custa da degradação ambiental e do emprego de milhares de brasileiros que são forçados a migrar para as grandes cidades. Temos as distorções do comércio internacional que isola os brasileiros dos produtos de boa qualidade e impõem políticas fiscais e monetárias casuísticas, com o fim único de se proteger indústrias criadas pelo artificialismo cambial, crédito barato e abundante e esquemas tributários fincado no subsidionismo, usando como mantra político a rejeição ao ALCA e o confinamento ao Mercosul – acordo entre as elites da linha branca brasileira e argentina. Temos as distorções da matriz energética que mantém até hoje a indústria retrógrada da petroquímica e outras tantas pelo subsidio do gás, energia elétrica que, de quebra, ainda mantém um bom pedaço da turma ruralista na aba dos preços controlados. Temos a distorção da privatização fajuta que mantém intactos privilégios para poucos e tarifas absurdas. Para completar o cenário caótico, temos as distorções dos orçamentos públicos, em todas as três esferas da federação, privilegiando ações privadas que aceleram o spillover e destroem os projetos públicos, notadamente o de educação, saúde e transporte. O desperdício e a corrupção são os vetores desses orçamentos públicos. Essas são as verdadeiras fontes de ineficiência que acabam por concentrar a maioria das atividades econômicas no sudeste do país, acarretando o brutal spillover que atrai o povão de todos os recantos do país que só conseguem sobreviver forçando a degradação urbana e ainda gera o espraiamento da monocultura.

Para manter essa desordem microeconômica com implicações macro, há de se contar com a burocracia oficial em todas as esferas, bem como se ter um ordenamento jurídico caótico que mantenha as distorções funcionando na magnitude e direção correta do modelo da Casa Grande & Senzala. O desiderato de tudo isso é o inchaço das cidades, a redução do salário médio do setor privado, o desmonte orçamentário público, a degradação urbana e rural e o aumento da violência.

A degeneração do serviço público é uma generalização que não pretendo ataque todos os servidores públicos indistintamente, mas apenas aqueles que, burlando deliberadamente sua consciência, tomam atitudes profissionais descasadas de qualquer código de ética ou religião. Falo daqueles servidores que, para manter seus privilégios, invocam quaisquer medidas e principalmente aquelas que empobrecem o povo brasileiro, arrancando uma fatia importante do PIB para a classe unida dos servidores públicos, em troca do serviço prestado à elite brasileira. Para os que exercem sua atividade, nos limites do seu quadrado, sob a fleuma característica das mentes brilhantes quando desalojadas de seu habitat natural, contam com a minha admiração, pois a saída é política. Como muitos imaginam e intuem, para piorar nosso dilema, é esta porta a mais difícil de transpor, em virtude das ações sindicalistas segregativas das piranhas, jacarés e toda a horda de facínoras que deveriam ser retratados na coluna policial ou nos postes das ruas brasileiras com o rótulo de procura-se.




quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Perguntas que os economistas desenvolvimentistas deveriam responder:

Elenco um rol de perguntas que poderão levá-lo ao modelo casa grande & senzala. Muitas afirmações foram feitas apenas usando minha intuição e poderão ser reformuladas. Se você as reformular usando seu achometro, não me informe. Se você as reformular com base nos dados que não consegui acessar ou dispor, seja bem vindo. Se nenhuma dessas perguntas faz sentido pra você, vá plantar coquinho na Bahia ou em qualquer outro lugar – investimento mais rentável no Brasil, se tiver que colocar apenas sua grana.

1) Por que a renda dos servidores públicos da União, Estado e Município é maior do que a do setor produtivo?

2) Por que o setor produtivo brasileiro é de baixo teor tecnológico, ou seja, as patentes e invenções efetivamente interessantes são poucas e restritas ao Agronegócio (Empraba), ao extrativismo mineral e ao Petróleo?

3) Por que as cidades estão se deteriorando (todas)?

4) Por que mais e mais cidades pequenas estão alagando na época das chuvas?

5) Por que a desertificação no Brasil aumentou?

6) Por que apenas cinco cidades são responsáveis por 1/4 do PIB?

7) Por que apenas 5% das cidades produzem ¾ do PIB?

8) Por que Brasília tem o terceiro maior PIB municipal?

9) Por que o PIB concentra-se no Sul e Sudeste?

10) Por que o campo está esvaziando, com a imigração para as cidades só evoluindo?

11) Por que a industrialização brasileira é feita apenas com pacote tecnológico estrangeiro?

12) Por que os poderes (Executivo, legislativo e Judiciário) não são independentes?

13) Por que as estatísticas da violência só aumentam?

14) Por que a taxa de crescimento da população carcerária brasileira é de 10% ao ano?

15) Por que os juros no Brasil são elevados e mantidos nesses patamares por mais de 15 anos quando a inflação nesse mesmo período estava caindo?

16) Por que o orçamento dos estados, municípios e federal são confusos e sempre corrigidos por leis de responsabilidade fiscal que só mantém o status quo da dívida pública e persegue aposentados?

17) Por que os gastos públicos são de qualidade baixíssima, se os funcionários públicos são os que têm maiores salários?

18) Por que os tributos sobem e os gastos com bem-estar social não absorvem esses tributos?

19) Por que a bagunça tributária no Brasil é espetacular?

20) Por que a corrupção só aumenta?

21) Por que a União, Estados e Municípios, em todas as esferas de poder, inventam previdências para seus funcionários que preservam salários elevados nas suas aposentadorias, enquanto a previdência do povo é limitada e punitiva?

22) Por que a monocultura avança no Sudeste e Sul do País, além de avançar nas demais regiões?

23) Por que a regulação no Brasil só acarretou aumentos espetaculares nas tarifas dos serviços regulamentados?

24) Por que a matriz energética é cartelizada?

25) Por que os programas do álcool, biodiesel e outros são centralizados pela ANP?

26) Por que a derrubada de matas e florestas aumentam ano a ano?

27) Por que na política só entra vagabundo e sindicalista?

28) Por que a ausência de um poder moderador significou mais corrupção?

29) Por que o povo brasileiro, nas grandes capitais, não sai às ruas para protestar contra a corrupção e descaso geral em que a sociedade brasileira se encontra?

30) Por que o povo, classe média e muitos outros não conseguem importar produtos bons e baratos?

31) Por que o banco central mantém reservas em volume significativo quando o regime é de câmbio flutuante?

32) Por que o BNDES sempre tira recursos do Tesouro para emprestar para empresários?

33) Por que o Banco do Brasil e CEF fazem empréstimos a empresários a juros camaradas e cobram do povão juros estratosféricos?

34) Por que só os mesmos empresários de sempre contam com programas de incentivo ao investimento?

35) Por que a indústria automobilística que não é brasileira recebe ajuda caridosa do Governo brasileiro?

36) Por que Bancos Federais só aumentam seu patrimônio e capital?

37) Por que servidores do Banco do Brasil que assinam compra de bancos privados em percentual de otário a preço astronômico são depois da mutreta promovidos?

38) Por que os salários nos setores serviços e indústria estão convergindo para cerca de R$ 1.200?

39) Por que os engenheiros só conseguem, no setor privado, um salário médio de R$ 3.000?

40) Por que a população carcerária brasileira se amontoa nas prisões brasileiras, tal qual ratos?

41) Por que rico e político corrupto não vão para cadeia?

42) Por que rico e político mesmo com sentenças transitadas e julgadas não pagam o que devem e nunca vão para a cadeia?

43) Por que ações julgadas pelo Supremo, sem direito a recurso, não são cumpridas?

44) Por que as ações em primeira instância não valem nada?

45) Por que o Supremo é o antro dos adevogados (só tem ministro sem experiência de juiz)?

46) Por que a informalidade só aumenta?

47) Por que os pobres preferem ficar no sinal, desistindo do emprego formal?

48) Por que a estrutura orçamentária brasileira sempre avança no sistema previdenciário e preserva o pagamento estratosférico dos juros da dívida pública?

49) Por que o governo federal está usando o seu aparato tributário para combater a inflação?

50) Por que querem alguns articulistas aumentar a poupança, quando ela é uma decisão privada?

51) Por que os artigos em economia no Brasil não servem para nada? Se você souber de algum que ajudou a resolver um problema efetivo como os elencados aqui, não deixe de me informar.

52) Por que a história brasileira não é contada com mais apoio aos dados, às informações verdadeiras e com boas técnicas cientificas?

53) Por que os livros de Celso Furtado, Caio Prado, Darcy Ribeiro, Maria da Conceição Tavares, Mario Henrique Simonsen, Roberto Campos e Fernando Henrique Cardoso ainda não foram para o lixo?

54) Por que os torturadores da ditadura militar não foram identificados e condenados?

55) Por que os partidos políticos não discutem as questões acima?

56) Por que ex-terroristas voltaram para a política como vitoriosos, se queriam implantar a ditadura do socialismo soviético?

57) Por que a produtividade do trabalhador brasileiro é baixa?

58) Por que os paulistas e comunistas odeiam Getúlio Vargas?

59) Por que a classe média de hoje não reclama contra a corrupção, como fazia antes da ditadura militar, mesmo tendo que pagar pela educação e saúde de seus filhos?

60) Por que alguns economistas defendem mudanças ad hoc no câmbio, quando ele é flutuante?

61) Por que o Banco Central faz swaps cambiais que só dão prejuízos ao Tesouro?

62) Por que a indexação da dívida pública e do sistema financeiro não foi extinta após o plano Real?

63) Por que Ruralistas pregam o desmatamento quando isso diminui o preço de suas terras?

64) Por que a Fiesp não aprova a redução do imposto de importação?

65) Por que  politica industrial no Brasil sempre enriquece poucos e empobrece os Estados e municípios que alojam essa política, com a degradação urbana?

66) Por que os partidos de esquerda e até o MST sempre estão contra medidas que liberem o mercado da força do Estado?

67) Por que os partidos de esquerda e até o MST são contra o ALCA?

68) Por que os brasileiros apoiam o Mercosul, quando só importamos produtos linha branca da argentina e os argentinos os carros produzidos no Brasil?

69) Por que a classe média não gosta de políticas que aumentem o salário mínimo ou que dê aos mais humildes o mesmo tratamento legal que possui?

70) Por que retiraram da Constituição Federal a pena de morte a políticos corruptos e irrecuperáveis?


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Precatórios – a corrupção óbvia do modelo casa grande e senzala

A Ordem dos Advogados (OAB) parece, em justa lembrança a um passado combativo, estar liderando mudanças importantes, como se pode inferir de suas atitudes políticas recentes. Uma foi em relação ao Governador Arruda que, fotografado e gravado, tungando o povo, teve seu pedido de impedimento formalizado. Outra foi em relação ao Legislativo, legislando o calote e a mutreta ao aprovarem, Câmara e Senado, mudança constitucional que, por alterar novamente a forma de pagamento dos precatórios (dívidas financeiras do poder público com cidadãos já transitadas e julgadas), teve uma ação judicial impetrada no Supremo para a devida reparação. Essa malfadada emenda constitucional estipulou limites orçamentários para estados e municípios pagarem seus débitos, definiu prioridades para o seu pagamento e deixou em aberto o prazo de liquidação efetiva da dívida já julgada e transitada.

Para piorar a desordem jurídica, vem o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, rábula do acaso, pregar, antes do julgamento do mérito da questão, justiça tresloucada, fora da mais elementar lógica jurídica. Argumenta, em apoio à medida do legislativo, não ser possível exigir dos Estados e Municípios o pagamento dessas dívidas, pois, se exigido, as unidades federadas e municípios não suportariam. Essa pregação fora de qualquer eixo moral equivale a uma decisão favorável a quem não cumpre suas obrigações. É como se a Lei tivesse que acautelar-se das conseqüências do seu cumprimento. É como não se colocasse na cadeia o bandido por falta de prisões. É como se deixasse ir embora o ladrão com o fruto do furto, quando pego com a mão na botija, pela desculpa da fome. Enfim, jurista inventado pela burocracia sindicalista, quer evitar o “mal” da conseqüência da punição, pelo caminho da destruição dos princípios jurídicos, temendo as conseqüências das decisões legais como se o desastre fosse o seu resultado e não o saneamento definitivo das quimeras do nosso cotidiano.

Perguntariam os indivíduos pragmáticos desprovidos de senso de justiça: qual a saída? Resposta óbvia, simplesmente o cumprimento da medida. Conseqüência óbvia da medida: falência das entidades. Como sabemos, no Brasil, desde a ditadura militar, os estados e municípios têm dono – os corruptos e seus corruptores. Apenas mudariam de dono: o povo caloteado e surrupiado a torto e a direito resgataria seu patrimônio. Os novos donos dariam a solução para o pagamento destes precatórios, com possibilidades intermediárias reparadoras, como por exemplo, perda de autonomia dessas unidades federadas e municípios ou outras decididas em acordos legítimos.

Qual a conseqüência do calote? Em primeiríssimo lugar, o exemplo didático, fazendo prevalecer a regra de ouro do bandido chinfrim: meu pirão primeiro. O estado pode extorquir e cobrar tributos e, se pego em trapalhada jurídica, não há o que reparar. Em outras palavras, o estado terá o poder discricionário de pagar a quem bem entender e quando entender. A conseqüência desse ato é que os títulos que dão sustentação ao crédito do povão serão negociados a preço reles – sem jamais chegar a zero. Quem os compraria? As empresas e empresários com pendências fiscais ou que participem de licitação pública para aquisição de direitos, usando estes créditos precatórios pelo valor de face. Não posso negar, é uma saída para o populacho. Porém, retrata o funcionamento do modelo casa grande e senzala em sua sangria descarada do povo. Obviamente, um modelo com essa configuração não pode dar sustentação a crescimento econômico algum. Para piorar, ainda estamos vendo malucos gritarem que o povo não poupa. Naturalmente, considero poupança legitima essa tungada que permitirá aos donos do poder comprar a preço de banana os recursos reais da economia, geridos por essa cangalha encastelada em todos os poderes.

Para concluir, falo do óbvio: o nosso ordenamento jurídico é reflexo do modelo político-econômico vigente e não tenho a menor dúvida de que os valores desses precatórios devem refletir também a desordem legal, em correções mais tresloucadas do que os seus próprios juízes. Para completar o quadro da desordem, essa alteração constiucional não irá evitar novos calotes do Estado. Pelo contrário. Nesse caminhar de pendências e soluções, em arremedo de uma democracia inexistente, creio que possamos levar a vida nesse vai-e-vem, com os mais fortes e mais espertos fazendo valer para todos os efeitos legais suas qualidades naturais ou inventadas. Só não sei mais como falar para os meus filhos o que é certo ou que é errado. O Brasil em que nasci não existe mais. Isso aqui é outro Brasil. Só me decepciono, em tristeza delirante, quando vejo gente em minha idade pregar essa “nova moralidade” como sendo o caminho a seguir.