quarta-feira, 29 de julho de 2020

Bolsonaro, o petista que Lulla procurava.

Não há sombra de duvidas de que, neste paisinho de juizinhos e fulaninhos de todos os tipos, fazem daqui e da gente puro rebanho sem rumo. Tal como na pandemia é necessário o rebanho para estancar a contaminação  da praga; na política , o rebanho serve para perpetuar a desgraça. E estamos nos, militantes voluntários ou involuntários, amarrados uns aos outros em disparada de boiada. Estou na categoria dos involuntários. Procuro ficar a frente dos fatos que já foram urdidos pelas caladas e certamente se estabelecerão cristalinamente. Mas a esfinge se traveste de todos os tipos e aí somos devorados. O enigma, vamos decifrar. Espero a tempo, porque o monstro se revelou. 

Fiquei me perguntando por que o Moro foi encurralado pelo Bolsonaro ? Nada fez sentido na argumentação do Presidente. Querer colocar um chefete na PF ? Não desvendar o enigma da facada? Poderíamos elencar outras tantas colocações, porém, creio, desnecessárias. O impasse levou Moro a se demitir. E o sopro da discórdia foi lançado. O Moro é um traidor. O Moro não é leal e tantos outros argumentos estapafúrdios vieram à tona. O sinal foi dado. A figura central da Lava-Jato está nu. Sem proteção legal. É um reles cidadão. Agora, falta avançar sobre os personagens coadjuvantes: os procuradores do Paraná. Quem o faz ? O chefão da Procuradoria, escolhido a dedo. O pacto ? O Cargo de Ministro Supremo que supostamente oferecido a outro, agora, supostamente, oferecido ao chefão. O objetivo? Minar a Lava-jato e abrir espaço para a salvação da pátria dos bandidos. No campo político, o pacto com o centrão está a todo vapor. Veremos o teste final com a derrubada do projeto para a prisão em segunda instancia. Não passará. Perderemos e estarão lá na encolha, talvez, os apoiadores do Presidente.

A direita, infelizmente, na política nunca teve um representante legítimo. A figura do Lacerda se traveste agora em farda; não azul como era a preferência. Mas de um verde desbotado, sem retórica. De tudo estulto, tal qual os bandidos da falange. 

A militância oficial na direita tem um chefe: Olavo de Carvalho. Ele prega que é necessário combater a esquerda com as mesmas armas que a esquerda usa. E que a militância é coisa de louco ou fanático e o intelectual, como ele se arvora, teria outro papel nesse embate político em que as vísceras de uns revelam o troféu de outros. Mas o que Olavo de Carvalho prega, com essa tese, é uma luta fora do campo democrático. Ele se considera da direita. Mas aqui, nesse paisinho pequeno em grandeza,  a história não é essa. O que se tem é um projeto de direita secular. O projeto é o mesmo. O poder para atender interesse que estão aos poucos se desnudando. A esfinge já mostra a cara.  Só não sei se ele, o mentor da direita, Olavo de Carvalho, conseguiu desvendar o enigma. Ou será ele mesmo outro enigma?  

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Fake Democracy - Régis Machado

Por: Regis Machado*
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“Se controlo o meio, verdade é o que digo, e mentiroso todo aquele que discordar”
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“Democracia”, junção das palavras demos (povo) e kratos (poder) para significar “governo do povo”, é um regime político que surgiu na Grécia, no século V a.C., e alargou a participação decisória para além da minoria (aristokratia) que, até então, costumava governar. Essa cidadania democrática, de início, era restrita a uma elite (homens, filhos de pai e mãe atenienses, livres e maiores de 21 anos), mas, pouco a pouco, expandiu-se para, nas democracias modernas, após diversos movimentos pelo sufrágio universal, passar a incluir todos os cidadãos adultos.
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Segundo Robert Alan Dahl, cientista político que teorizou sobre um sistema democrático perfeito, por ele denominado “poliarquia”, diversas são as condições necessárias para que os processos de escolha representem ao máximo a vontade das pessoas, entre elas, inexoravelmente, a liberdade de expressão e a garantia de acesso a fontes alternativas de informação. Sem esses pilares, não há democracia possível.
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Com o advento da Internet e o avanço das redes sociais, a hegemonia da mídia tradicional se viu seriamente ameaçada. Na última eleição presidencial, por exemplo, sagrou-se eleito candidato praticamente sem tempo de TV (dos 12 minutos do horário eleitoral, a coligação do PSDB tinha 5 minutos e meio, a do PT quase 2 minutos e meio e Bolsonaro meros 8 segundos) e com quase nenhum recurso. Sua campanha, que custou pequena fração daquela despendida pelo adversário do segundo turno [1], foi capitaneada pelas carinhosamente denominadas “tias do zap”, senhoras (e senhores) de meia idade que usam, diariamente, conhecido aplicativo de troca de mensagens.
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Mas a reação veio a galope. Tramita na Câmara dos Deputados o PL 2.630/2020 (“Lei das Fake News”), de autoria de senador de um dos partidos da fracassada coligação do PSDB e aprovado a toque de caixa no Senado Federal [2]. Entre as medidas, exigiam-se números de documento e de celular para cadastro em redes sociais e aplicativos de mensageria, além de se impor limitações à quantidade de usuários em grupos e severas restrições ao encaminhamento de mensagens, especialmente “em período de propaganda eleitoral”. Verdadeira mordaça na “tia do zap”.
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Adicionalmente, o PL 2.630/2020 define “desinformação” como sendo o conteúdo assim declarado pelos “verificadores de fatos independentes”, empresas que passarão, então, a ditar o que é verdade e o que é fake (e, portanto, passível de criminalização e de censura). Agora, imagina quem está por trás de algumas das principais agências de verificação de fatos (fact-checking) do Brasil? Os veículos da mídia tradicional, claro! Apenas a título de exemplo, citam-se as agências “Fato ou fake” (do grupo Globo) e “UOL Confere” (do Universo Online). Bingo!
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Além da questão acerca da isenção das entidades verificadoras, na qual, conforme apontado, somente alguém muito inocente acreditaria, ainda permanecem diversos problemas. Por exemplo, como selecionar o que será checado, uma vez que, por óbvio, não é possível checar 100% do conteúdo circulante? Como essa classificação vai impactar na redução do alcance das postagens ou nos resultados das buscas? Por fim, mas não menos importante: mesmo a checagem mais bem intencionada e bem feita não é infalível e, como toda atividade humana, está sujeita a erros. Ou seja, fora o nítido risco de viés, a própria atividade de checagem pode gerar desinformação.
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Enfim, as pessoas precisam acordar, o quanto antes, para os verdadeiros interesses por trás do PL 2.630/2020. Pois, no fundo, no fundo, não se trata de combater “fake news”, mas, sim, de amordaçar as “tias do zap”, de modo que as eleições não saiam, nunca mais, do script historicamente ditado pela mídia tradicional. Como bem ensinou o finado Robert Dahl, democracia sem voz não é democracia. É fake democracy.
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*Auditor do Tribunal de Contas da União (as opiniões do autor não constituem posicionamento institucional do TCU)
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[1] https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-10/campanha-de-haddad-gasta-20-vezes-mais-do-que-de-bolsonaro
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[2] https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/141944




segunda-feira, 18 de maio de 2020

Resumo da Pandemia brasileira

Resumindo a forma  como vejo a pandemia covid-19 no Brasil. Existem, segundo entendo, dois vetores para analisá-la: o matemático e o clínico. O primeiro que trata dos modelos de pandemia indicaria que tipo de isolamento teríamos e o segundo que tipo de remédio e protocolo clínico seria útil. Evidentemente uma estratégia está conectada a outra. A posição do Bolsonaro seria pelo modelo sueco: isolamento vertical e remédio na linha do Dr. Zelenko dos EUA (não sei bem o protocolo clínico da Suécia). Como era de se esperar, o Bolsonaro foi bombardeado e não teve a meu ver competência política para se impor politicamente no comando das ações públicas e se afundou agora com o pacto político com o centrão e a saída do Moro (meus limites para apoiá-lo).  Sabe-se bem  que a execução dessa estratégia mesmo com o apoio da população esbarraria em problemas óbvios. Do ponto de vista clínico, o mais óbvio é que a doença apresenta três estágios e em cada estágio há um protocolo específico. O primeiro estágio é o da infecção e o emprego de antivirais se impõe, junto com outros remédios,  e daí o protocolo que chamo Dr. Zelenko  que funciona segundo estudo clínico do Dr. Zelenko nesse primeiro estágio. Há grande sucesso no combate a doença se o tratamento for feito logo no estágio inicial da doença, nos dois primeiros dias em que aparecerem o sintoma e jamais esperar aparecer o sintoma de falta de ar. Num segundo estágio, se o primeiro não tiver sido suficiente, é o inflamatório e remédios na linha de corticoides é o que prescrevem. Por fim, se esse segundo estágio não for contido, vai-se para o terceiro e final: o do coagulação que pode gerar problemas pulmonares e remédios anticoagulantes se aplicam. Se for pro tubo, 50 % de chance de sobreviver com sequelas gravíssimas. É isso que diz o Dr. Honório Menezes da Maçonaria do Rio Grande do Sul em vídeo que circula livremente (por enquanto) na rede social. Ele ainda ressalta que usar a hidroxicloroquina na 3 fase não tem sentido; forma fácil, então, de se identificar a bagunça clínica. Isso é ciência.  Existe tratamento. Mas nem isso ficou claro ainda por aqui, embora para o primeiro estágio, o que o Dr. Zelenko trata (Prevent e outros médicos e instituições defendem),  já esteja incorporado completamente. 

Nesse episódio da cloroquina, o que pude perceber foi que psicopatas abundam no comando de laboratórios e pesquisas, isso sem falar nos doutores tantãs. No Brasil morrem por ano cerca de 15 mil pessoas por erro médico. Foi  fácil detectar loucos nessa pandemia; o que mais vi foi gente “intelectualizada” se opondo à cloroquina e não apresentando opção. Que morram os pobres!  Tem muita gente berrando para que os hospitais públicos apresentem os protocolos clínicos para os casos fatais. Ninguém tem notícia.  Mas se você entrar nos sites de saúde da Itália e outros países estará lá toda orientação clínica. No Brasil, a orientação clínica só ocorre nos moldes civilizados em hospitais privados e São Paulo é a referência óbvia. Se eu estivesse no governo minha recomendação seria simples: observe o que os hospitais privados de referência estão fazendo e se possível se junte a eles. A Prevent (plano médico para a classe media não muito alta) tem uma estratégia clínica de sucesso (em que pese problemas no inicio da pandemia), inclusive no tocante a estrutura física (conseguem montar UTIs por 1/3 do que faz o governador de São Paulo). 

Quanto ao aspecto matemático da pandemia, tá difícil firmar uma visão. A mais simplória e de funcionamento óbvio é o isolamento. O problema está no custo e determinar quem pode ficar em casa. A torcida (todas com camisas cientificas) fica dividida: isolamento vertical versus horizontal. Creio que, se os protocolos clínicos forem desvendados, saberemos logo se os protocolos propostos e usados pelo setor hospitalar privado funcionam. Creio que sim e aí seria fácil a implantação do isolamento vertical. 

Do lado politico, registro que pessoas com competência na burocracia estatal abundam; mas os entraves a essa turma para que exerçam suas tarefas com isenção técnica sempre foram prevalecentes. Os que estão na equipe do Guedes para mim estão deixando a desejar. No plano econômico/político a estratégia de governabilidade sempre foi óbvia e ao alcance de qualquer político : pacto com os governadores. Como se sabe, a divida dos estados e municípios foram assumidas pelo governo federal e portanto já estão incorporadas à divida mobiliária federal. Portanto, equacionada a divida publica federal, automaticamente se equacionaria a divida dos estados e municípios. Seriam mais de 300 bilhões de juros a serem economizados pelo governo federal  em uma estratégia fiscal/monetária simples que certamente seria o suficiente para atender estados e municípios. Mesmo com a redução espetacular dos juros pelo Banco Central nada foi sinalizado pela equipe econômica nessa direção; sinal que são os mesmos de sempre. A turma do Guedes achou que daria governabilidade com privatização e reforma da previdência. Acabou com o centrão. O que se repete em continuidade esperada é o comportamento previsível de quem luta para chegar lá no topo da burocracia. A turma gosta mesmo é do poder. O problema é que  estão navegando em canoa furada.


terça-feira, 5 de maio de 2020

A saída do Moro: prenúncio de um novo Mensalão.

Vou expor meu descontentamento com Bolsonaro. A análise da saída do Moro é simplesmente patética por parte de muitos, porque a ideologia ou o apego aos mitos servem como algemas. O Moro claramente percebeu a estratégia de Bolsonaro em fritá-lo. Qual a razão ? O acordo com o centrão. Inimaginável Moro cumprimentar Roberto Jeferson ou Valdemar da Costa Neto ou Paulinho da Força. Bolsonaro tentou a estratégia reles de fritar político como se Moro fosse um desses reles político. Deve ter pensado que Moro aceitou o cargo de Ministro de olho no Supremo. Errou. O motivo era mais simples: o desejo de resgatar uma vida tranquila, perdida com a Lava-jato. O Supremo, no retrovisor. Se há outro motivo, que descubram. Bolsonaro, sujeito sem escrúpulos, o avaliou pelo seu metro. Lascou-se. Se Bolsonaro fosse sério teria feito o óbvio: cobrar de Moro uma saída para a governabilidade nunca alcançada. A saída de Bolsonaro foi o centrão. Moro certamente recusaria e se demitiria naturalmente. Mas Bolsonaro ensaiava seu ardil e o levou ao extremo. Moro é juiz e daqueles que orgulha o povo brasileiro. Fez o que todo Juiz de bem faria: indicou suas razões para sua demissão. Se não tivesse feito o que fez, claramente seria acusado por prevaricação; coisa que o Mourão parece não saber, por baixo valor ético como tem os homens que se apegam ao poder. Lamento, porque irei apoiá-lo como o novo Presidente. E se for o mesmo do mesmo que saia também, mesmo com o risco de piorar o cenário político. Tenho que manter minha coerência. Votei em Bolsonaro para acabar com o toma lá da cá. Eles ganharam mais uma partida. A luta continua. #Fora Bolsonaro e que venha Mourão. Esse é o meu hasthag.

Essa é a minha análise que parte de alguns princípios. O mais importante é que cada um tem sua história e sua reputação. Moro a de Juiz. Bolsonaro a de Mito. Não sei se isso me garante alguma isenção, porque tem os meus interesses misturados com meus princípios. Sei que são a eles que nos valemos para justificar nossas atitudes. Como são variados, se prestam a diversos fins. Tento criar meus próprios controles em exercício de um check-balance de autodefesa. Sinceramente não foi o que vi em vários analistas que gosto e respeito e que estão do lado da direita (sem delongas sobre os limites que esse clichê tem). Cito Guilherme Fiuza, Caio Coppola, Alexandre Garcia. Reparei  também o mesmo desvio em juristas famosos como o Gandra. Todos confessam, de forma sub-reptícia talvez,  sua admiração pelo Mito. Pelo menos de forma implícita não tenho dúvidas. De novo, posso eu estar preso demais aos meus estratagemas de autodefesa a vagabundos.  

Outro ponto que merece um pouco mais de aprofundamento é a tal da governabilidade não alcançada pelo governo Bolsonaro. Não é culpa dele. É do Guedes e sua turma. A governabilidade de valor no Brasil só se pode alcançar com a comunhão de governadores. Como poucos sabem, governadores, num pacto federativo moderno, tem pouca ou quase nenhuma serventia. A Inglaterra é o exemplo. No Brasil, além de contaminar o orçamento, principalmente pela milícia oficial, também conseguem colocar em corner os prefeitos. Não foi por outra razão que Getúlio se valeu de figuras patéticas para o governo de São Paulo e outros estados, no período ditatorial. A diferença é que o orçamento não era uma armadilha como agora se apresenta. Era função do Guedes resolver esse problema. Mas cadê a competência ? O paladino do liberalismo tosco trouxe em seu exército de branca leone a privatização e a reforma da previdência. Ao invés de unir, rachou. Mas qual seria a fórmula? Já tinha expresso alhures e não irei detalhar aqui. Apenas a resumirei. A monetização da dívida pública mobiliária que já incorpora a dívida dos estados e municípios. Seria a custo zero, mas com o efeito colateral da armadilha da liquidez. É um assunto técnico que vou pular. Agora , tal possibilidade parece estar comprometida. Mas o caminho sempre será esse. Jamais com os mensaleiros. 

Por fim, falo da personalidade do Bolsonaro. É simplesmente açodado e não confia nem na própria sombra. Com isso, consegue amedrontar os fracos. Não sei em que isso pode ser bom. Aparenta não conversar com ninguém sobre suas decisões que se mostram claramente intempestivas. A consequência desse comportamento pueril é que sua estultice se revela cristalinamente e propicia de bandeja prova de seus malfeitos. Quer ser um Trump tupiniquim. Mas distante em tudo. Trump é um projeto próprio que veio de sua vontade, construída com muito dinheiro (o dele) e esforço pessoal. Já Bolsonaro, viu , como poucos, o cavalo encilhado. Montou em cima. Vai cair. 

Há alguma semelhança com o governo democrático de Getúlio. A imprudência de confiar sua segurança a um capataz de sua criação custou-lhe a vida. A diferença é que não tínhamos instituições públicas em intensidade a por limites ao arbítrio. Embora hoje não tenhamos um politico da verve de Lacerda, mas  do seu mau-caratismo, sim, a diferença vai parando por aqui. Estão presentes nesse imbróglio do mal Roberto Jefferson e Zé Dirceu (este escondido). Hoje temos uma democracia promissora. Uma das miragens é o retorno de um quarto poder. O moderador que veio com o Ministério Público. Será ele que conduzirá o réu ao sepulcro.

Faça a coisa certa, sempre. É o slogan de Sérgio Moro que assumo integralmente!


domingo, 26 de abril de 2020

Mourão Presidente Já!

Ouvi a tese de Roberto Jeferson do golpe e depois seu comentário sobre a saída de Moro, confirmando o que imaginava.  A história pode ser  bem cabeluda e com certeza coloco Roberto Jefferson no centro dessa história. Minha história. O Bolsonaro está sob ataque. Só que Jefferson arquitetou uma saída e foi o protagonista. Têm que incluir o centrão e nesse centrão vem corrupto de tudo quanto é esfera, inclusive o Valdemar da Costa que de algum tempo já deve fazer parte da mesma Entourage ( talvez nunca tenham se desligado ) em que Roberto Jefferson comanda ou é um dos líderes, junto com o seu partido e os mesmos de sempre. Estão todos os canalhas contumazes envolvidos nessa tramoia até os dentes. Como o Moro poderia sequer cumprimentar corruptos que ele prendeu ou que estão na lista de réus da lava-jato? Inimaginável. Teriam que demitir o Moro ou fazê-lo sair por conta própria. O caminho mais fácil seria demiti-lo. Mas aí qual seria o motivo? Teriam que criar uma situação constrangedora e assim viabilizar a outra possibilidade. Bolaram a intervenção na policia federal que já servia de pretexto há tempo para um possível conflito com o Moro. Encurralaram o Moro e ele deu o troco. Só que na dimensão de um Juiz que sabe lidar com bandidos. Não iria o Moro ficar sem uma resposta e um caminho. Criou ele a condição para o impedimento do Bolsonaro. Esta posta. Irão ainda tentar demitir o Guedes para colocar em marcha um projeto estatizante ou algo do gênero, mas ao sabor da milicada. Agora o momento não é adequado, porque têm que resolver em primeiro a fritura do Bolsonaro. Perderão. Novamente, Roberto Jefferson irá fazer o mesmo papel que fez no episódio Collor - será um dos cinco solitários a acompanhar o presidente em sua agonia final. Mourão será catapultado à Presidência  e ressuscitará Moro e Guedes, se for o caso. Todavia manterão a pleno vapor o novo modelo de gestão pública da milicada. Moro seria essencial para dar a paisagem correta. Guedes, não. Essa é a minha versão. Certamente existirão outras. 

Não apoio mais integralmente o Bolsonaro, porque irá fazer exatamente o toma lá da cá. Mas não deixarei de apoiá-lo quando de fato estiver se empenhando pelo povo brasileiro como está nessa epidemia. 




sábado, 2 de novembro de 2019

A inversão de valores e da lógica: Mais uma vez Bolsonaro no front


  • Fico perplexo com a analise equivocada que vejo gravar a rodo a mídia sobre a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro em relação às medidas necessárias para combater a esquerda radical e flageladora de nossos direitos essenciais. Independentemente do ponto de vista do deputado, ele tem imunidade parlamentar. Mesmo que não tivesse o foro privilegiado, tem a minha, a sua e a nossa liberdade de expressão em jogo. O que vi claramente é algo como litigância de má-fé por parte da esquerda, principalmente pela figura do deputado Molon. Não é só isso. Tenta o deputado de esquerda, em prática chinfrim da esquerda de perseguir a direita a qualquer custo, inventar conceitos que no final das contas poderão descambar em supressão da nossa liberdade de expressão, com o intuito único de tentar aniquilar o deputado Filho do Bolsonaro. Se não, pela intimidação que brotará no inconsciente coletivo, sufocando a rebeldia que anda a míngua por aqui. A declaração do Ministro do Supremo é lastimável, porque ele tem que se ater a Constituição e defender o deputado pelo seu direito pleno de liberdade de expressão. Triste é ver a mídia fazendo política e não jornalismo. Na verdade, tudo por aqui se inverte; o que reflete o nosso caráter democrático precário ou quem sabe até mesmo inexistente. No final das contas, se essa prática de perseguição a quem tenta discutir saídas políticas ao mal maior que é a predominância de ideologias repugnantes, mesmo que com ideias toscas, ficaremos, sim , reféns dos verdadeiros supressores de nossas liberdades. Vejo exemplos incontáveis que a esquerda dá de pregação da violência sem jamais merecer  reprimenda do Molon e sua turma. Agora assenta fileira em discurso de cassação do Deputado Eduardo Bolsonaro o PDT. Só que eles não contavam com a reação do Deputado Bolsonaro: está usando a mesma tática e pedindo cassações idênticas aos que já praticaram excessos verbais. Se eles se matarem politicamente certamente ganharemos!


quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Sem colarinho, por favor - Régis Machado


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Por: Regis Machado*
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De acordo com a polícia federal americana (Federal Bureau of Investigation– FBI), crime corporativo refere-se ao crime não-violento, com motivação financeira, cometido por empresários e funcionários do governo, geralmente engravatados (daí seu nome popular: “crime do colarinho branco”) [1]. Essa expressão (“white collar crime”) foi cunhada em 1940 por um renomado sociólogo estadunidense, Edwin Sutherland, em discurso na American Sociological Association.
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Entre os crimes do colarinho branco, está a corrupção, mal que aflige historicamente o povo brasileiro e que, somente no Brasil, segundo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), é responsável pelo desvio de cerca de R$ 200 bilhões (com “b” mesmo!) por ano, uma dinheirama que faz imensa falta na saúde, na educação, na segurança e em todas as políticas públicas, enquanto enche os bolsos de políticos, de servidores públicos e de empresários corruptos [2].
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Aliás, foi exatamente por essa razão que, na ação do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisou se condenados por corrupção poderiam ser beneficiados pelo indulto de Natal assinado pelo ex-presidente Michel Temer (ADI 5874), o relator, Ministro Luís Roberto Barroso, criticou duramente a medida e, contrariando a definição comum, defendeu que a “corrupção mata” e que se trata, portanto, de “crime violento, praticado por gente perigosa” [3].
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Na contramão daquele voto magistral do Ministro Barroso, a Segunda Turma do STF, na última terça-feira (27), acatando argumento da defesa sem previsão no Código de Processo Penal ou em qualquer outra lei, incluindo a que regulamentou o instituto da delação premiada, decidiu anular a sentença do ex-juiz Sergio Moro que, no âmbito da Operação Lava Jato, em 2018, condenou Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, a 11 anos de prisão pelos crimes de corrupção e de lavagem de dinheiro [4].
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Apesar da pouca repercussão na mídia, o precedente é gravíssimo, visto que, conforme já alertaram os Procuradores da força-tarefa da Lava Jato, poderá levar à anulação de dezenas de outras sentenças, relativas a 143 réus já condenados, inclusive o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso em Curitiba desde abril de 2018 [5].
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Por essas e outras, crescem os movimentos e manifestações exigindo o impeachmentde ministros do STF, como se viu no último domingo (25) [6]. Pelo visto, algumas excelências estão abrindo mão dos vinhos premiados e uísques 18 anos recém adquiridos na polêmica e milionária licitação da Corte e preferindo acompanhar suas lagostas, moquecas e carrés de cordeiro com o bom e velho chopinho gelado: “Sem colarinho, por favor”.
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*Auditor do Tribunal de Contas da União (TCU)
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[1] https://www.fbi.gov/investigate/white-collar-crime
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[2] https://espaco-vital.jusbrasil.com.br/noticias/215851559/onu-diz-que-r-200-bilhoes-sao-desviados-por-ano-no-brasil
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[3] https://veja.abril.com.br/politica/corrupcao-e-crime-violento-praticado-por-gente-perigosa-diz-barroso, https://youtu.be/X7HU7AWH59E
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[4] https://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2019/08/27/segunda-turma-do-stf-anula-sentenca-de-moro-que-condenou-bendine-na-lava-jato.ghtml
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[5] https://noticias.r7.com/brasil/decisao-do-stf-sobre-bendine-pode-anular-32-sentencas-de-143-reus-28082019, https://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2019/08/28/apos-stf-derrubar-condenacao-de-bendine-defesa-de-lula-pede-liberdade-e-anulacao-de-sentencas.ghtml
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[6] https://www.gazetadopovo.com.br/republica/mais-de-80-cidades-tem-manifestacoes-contra-lei-de-abuso-de-autoridade-e-a-favor


domingo, 26 de maio de 2019

POR QUE SOU CONTRA A PRIVATIZACAO BRASILEIRA ?

No Brasil,  a construção da privatização não começou no governo Collor. Veio lá da ditadura militar quando o desmonte do setor público começou a ser patrocinado pelo próprio governo em nome de ajustes orquestrados pelo FMI. A lógica do FMI era tão banal quanto verdadeira por definição. Embora as escolhas das alternativas não fossem. Em contabilidade chinfrim, mas essencial sabemos que , a partir das contas nacionais, temos as seguintes identidades contábeis: 

Y=C+I+G+Xnf-Mnf– Rlee  e  Y = C+S+T.

Uma é a restrição macroeconomia que amarra a renda nacional aos gastos internos e externos (consumo, investimento, gastos do governo e saldo em transações correntes). A outra identidade mostra como a renda pode ser gasta ou não gasta: em consumo, em poupança ou em impostos. Fazendo um algebrismo ginasiano, chegamos a seguinte identidade: 

I+G+Xnf -Mnf-Rlee= S+T.  

Caminhando com esse algebrismo primário, podemos expressar a seguinte realidade restritiva: 

 Xnf - Mn f - Rlee= (S-I)+(T-G). 

Poderíamos também expressar a seguinte restrição: 

Y = AD+ Xnf-Mnf-Rlee , 
com AD= C+I+G ou Y-AD=Xnf-Mnf-Rlee. 

Agora, podemos partir para as interpretações contábeis usuais. 

Partindo  da expressão: Y-AD=Xnf – Mnf-Rlee , temos que se Y > AD, geramos necessariamente um saldo em transações correntes. E se Y<AD (estamos gastando mais do que temos como renda), incorremos em déficits em transações correntes. Num regime de cambio fixo, o limite para os déficits em transações correntes é o esgotamento das reservas. (Num regime de cambio flutuante, o limite está nas mãos da taxa de cambio decidida pelo mercado; se o Bacen se mete nisso, só temos indefinições). 

O período pós-Geisel nos colocou numa trajetória de endividamento externo explosivo, as reservas não eram suficientes para cobrir as obrigações financeiras – pagamentos de juros (que afeta o saldo de transações correntes) e amortizações (que correm pela conta de capital do Balanço de pagamentos , mas que consomem reservas tal qual os juros). Então, os déficits em transações correntes não poderiam continuar em marcha batida (pela falta de recursos externos, tendo em visa a recusa de quem nos financiava. A dívida externa era o entrave para novos financiamentos). O que diz essa restrição: teríamos que gerar divisas e isso só seria possível pela reversão do déficit em transações correntes para superávits. Em outras palavras, a absorção interna (C+I+G) não poderia mais ser superior a renda nacional (Y). Então um desses três itens ou todos teriam que fazer o ajuste para que recursos fossem dirigidos aos setores exportadores geradores de saldos positivos em transações correntes (a outra opção seria o crescimento da renda – algo improvável de ocorrer por exigir mudanças radicais e de efeito no médio e longo prazo). Os instrumentos (todos recessivos) seriam juros altos para conter C e I e cortes nos gastos do governo , G. Os efeitos deletérios dessa estratégia pouco preocuparam os analistas do FMI e menos ainda os oficiais daqui. No tocante ao corte em G, os absurdos foram de todo os tipos. Vou ficar apenas nos chamados cortes lineares impostos pela burocracia oficial (notadamente a do IPEA de plantão nos ministérios da Fazenda e do Planejamento), deixando a deriva várias estatais eficientes e geradoras de lucros que não tinham nada que ver com as demais estatais deficitárias.

Claro, essa política de arrocho linear encima das estatais não foi estupidez. Foi uma política deliberada, preparando o cenário para os governos seguintes meterem o pé no acelerador da privatização. Foi-se já no governo FHC o primeiro diamante estatal: a vale. Em marcha foram as do setor elétrico. 

Essas empresas são as referencias dinâmicas para minha crítica a privatização. Como é óbvio, as empresas privatizadas irão colocar em seu visor estratégico as politicas de redução de custo e vão empregar desde o ajuste na mão de obra até o ajuste no estoque de capital. Pela mão de obra, uma perda esperada: redução da massa salarial nessas empresas. Pelo lado do capital, o uso intensivo dessas plantas para a recuperação do capital investido. Trataram tais empresas como um mero investimento financeiro. No caso da vale, menos preocupante em termos de falta de investimento e majoração de preços. Isso sem falar em outros problemas que tratarei adiante. Mas no caso das empresas do setor elétrico, o problema estaria na dimensão de novos investimentos que não viriam e não virão por parte dessas empresas.

A turma do setor elétrico tratou, da mesma forma que no caso da Vale, de encarar o negócio como um empréstimo e fazer os mesmos ajustes com o intuito correto de reduzir os custos. Entretanto, colocaram um ingrediente a mais: garantiram na lei o retorno garantido que teve e tem reflexos nos nosso índices de preços e por tabela na inflação e nas politicas de correção de rumo da inflação. Evidentemente, pelo efeito deletério de privatização sem rumo, não há razão para que tais empresas se comprometam com mais investimentos. Querem avançar sobre a última joia do setor e aplicarão a mesma tungada já experimentada e testada e legalizada. 

Em resumo, temos cinco efeitos danosos da privatização: a redução da massa salarial; o estancamento dos investimentos no setor (menos adequado para o caso da Vale), a garantia de uma taxa de retorno, aumento do poder de mercado da empresa privatizada e  incentivos à captura do setor de regulação (adequado a todos os segmentos privatizados ou terceirizados). Claro, se privatizada, tem que ser por um preço justo. 

Para que qualquer governo mostre compromisso pra valer com a privatização teria um pequeno roteiro a seguir: desmontar a regulamentação capturada (testável facilmente com a correção das tarifas e esquemas públicos que geram cartéis como ANP e outros), governança já para empresas estatais, enquadrar o BNDES ao esquema privado, exigindo que todo e qualquer empréstimo seja concedido apenas às Sociedades Anônimas , ou seja, que tenham ações no mercado. Por fim, comprovar que as empresas privatizadas de fato aumentaram seus investimentos privados e contribuíram para a complexidade industrial de alguma forma.

Não deixa de ser grave a captura dos agentes reguladores. Vão permitir a manutenção de contratos esdrúxulos , com clausulas de lucro garantido, bem como manter punições que geram incentivos para aceitação de determinados riscos que de outra forma legal não seriam tolerados. Veja o exemplo da Vale com as tragédias anunciadas de Mariana e Brumadinho. Qualquer analista de projeto sabe que se deve considerar os riscos nos projetos. Com certeza, os acionistas dirigentes da empresa tinham em suas mãos as informações que poderiam ser expressas assim: construir uma barragem com risco de ruir, tem uma contrapartida de indenização de , por exemplo, 20 bilhões e geração de lucros no período de 70 bilhões. Construção de barragem com mínimo de risco de ruir e com indenização idêntica de 20 bilhões , mas geração de lucros de 30 bilhões. A decisão obvia não precisa nem sequer ser ressaltada. 

Deixei de lado as considerações sobre valores de vendas. Mas esse conjunto, resumido como privataria, é altamente perverso ao país. A conta é simples de fazer e elencar as medidas saneadoras. Pelo lado das contas, contabilizar o quanto se perdeu em investimento e quanto teve que se investir para recuperar os prejuízos ambientais e quanto se perdeu em massa salarial.  Na contabilidade da massa salarial dever-se-ia dividi-la em duas partes: a dos funcionários das estatais e da população em geral que tiveram redução real de renda pelo aumento abusivo das tarifas. 

Pelo lado dos ajustes a serem feitos nas empresas estatais, basta definir um plano de governança das empresas estatais e impor um limite de transferência de lucros automático para a União. Claro, nesse plano de governança há de se definir uma estratégia de investimento que deverá ser coberto por empréstimos tomados no setor privado. 


domingo, 7 de abril de 2019

Previdência: O modelo tem que ser simples!

A transparência é o item mais importante na reforma da previdência. De fato, temos observado que há poucas informações do governo. E o pior. Uma catilinária do desastre que em geral só serve para esconder a verdadeira intenção. Isso em parte se deve à dificuldade de se enquadrar o assunto num modelo simples. Eu fiz o meu exercício. Em primeiro lugar, os princípios. O primeiro deles seria o tratamento isonômico. Previdência única. O cacete que milico é diferente de qualquer trabalhador. Toda profissão tem seu risco e a lei já determina ou determinaria, em função desse risco, se você deveria se aposentar com determinada idade ou ser realocado para outras atividades. Outros princípios certamente seriam necessários, como o de reajuste similar para os que estão trabalhando e os que estão aposentados. Agora passemos as contas.

Na contabilidade propriamente dita, tem que se partir do regime previdenciário que se pretende adotar. Temos o de capitalização e o de repartição. Em respeito aos princípios legais e constitucionais, todos deveriam estar numa única previdência. E se assim fosse, a escolha do regime seria  algo secundário, já que provavelmente os ajustes que estimo sejam necessários valeriam para os dois tipos de regime. Se não for possível colocar todos num pacote previdenciário único, então teríamos que separar os grupos: o do setor privado e do setor publico. 

O do INSS , setor privado, os trabalhadores deveriam ser separados em urbano e rural. A principio não haveria nenhuma razão para separá-los (a razão seria apenas o de transparência). O que importa é a sua contribuição previdenciária efetiva (os detalhes de risco profissionais diversos, seriam tratados por leis especificas). O tipo de regime para essa turma advogo que seja o de repartição. Aqui a contabilidade simples seria: quantos na ativa sustentam um aposentado. Claro, estou falando de um aposentado típico. Devemos buscar o número. Creio eu que hoje estaria em torno de 3 a 4. O que teríamos que saber é em que patamar estaria esse número daqui a dez anos, por exemplo. Mas nem isso é necessário. Voltando ao nosso número hipotético de 4 para 1, isso significa que a contribuição de cada um na ativa (trabalhador) seria de 1/4 da sua renda - 25 % de contribuição para sustentar um aposentado. O problema é que esse número poderia cair (subir seria uma benção). Suponhamos que caia para 2 trabalhadores para carregar um aposentado 1. Logo a contribuição seria 1/2 da renda do trabalhador. Evidentemente, um absurdo em termos de exigência contributiva. Isso indica que o regime tem limites e tentar resolvê-los com artifícios não ajuda; só retarda o ajuste definitivo se não acontecer o pior. Então, a solução seria admitir um limite e o que estivesse acima desse limite fosse assumido vir dos impostos. Como o número pode mudar, o ideal seria estabelecer hoje e agora qual o limite e já impô-lo. 

Poderiam argumentar que o individuo não estaria pagando por sua contribuição. Isso, em termos econômicos , não é verdade. Como dizia meu saudoso amigo Marco Antônio Campos Martins:  “ os nossos impostos se incorporam em pontes, avenidas , em investimentos educacionais, etc. Esses gastos representam ativos que duram por séculos. Assim, quando um individuo nasce , não paga nada pelo  patrimônio que encontrou a sua disposição. E quando morremos, deixamos todo esse patrimônio para os que estão e irão chegar ao mundo.”

Nessa contabilidade previdenciária já estaria incluso todos os problemas residuais que o sistema incorpora, como acidentes, invalidez permanente, etc. Então, a discussão para a turma do INSS seria apenas encontrar esse número limite.

Voltamo-nos para a turma do setor publico. A questão pode ser endereçada de forma similar. Contudo, o regime teria que ser na lógica de capitalização, porque não há sentido em amarrar o número de aposentados do setor publico ao numero de funcionários na “ativa”. Essa afirmação se prende ao principio básico de que o governo deve prover serviços e bens públicos. E o próprio governo deve ser eficiente no uso dos recursos. Logo se depreende que entendo como maluquice a afirmação de que o governo tem obrigação de arrumar trabalho para a população. Isso é tarefa do setor privado e em seus termos. O governo deve intervir por decisão politica quando for necessário. Isso é outro assunto e vamos deixar para outra ocasião. 

Voltando a questão previdenciária em regime de capitalização para os servidores públicos, de fato, eles  conseguem manter o seu fluxo de contribuição de forma regular, diferentemente da turma do setor privado. No Brasil, a piscina do desemprego é enorme e quando o cidadão ali cai demora um bom tempo para sair e quando sai geralmente vai para um emprego de pior remuneração do que a obtida no emprego anterior. Mas de novo encontramos um limite para a exigência contributiva. Para se evitar todas as discussões infindáveis, já cobraríamos o limite hoje de todos os servidores públicos. Acredito que algo na casa dos 20% seria o limite que ajudaria inclusive na transição. Então, a nomenclatura de capitalização seria de pouca valia . 

O que de fato o que se quer saber é o quanto estamos subsidiando o servidor publico ou o trabalhador urbano estaria subsidiando o rural. O último problema, seria o limite aos impostos para essa finalidade. Claro, dada a dinâmica do sistema, as variáveis de fechamento parametrizadas seriam: tempo de contribuição, idade mínima para se aposentar e tempo médio de usufruto do benefício. Que venham os números de forma clara e transparente.



domingo, 6 de janeiro de 2019

Vamos mudar o jogo federativo!

Gosto de me apegar aos clássicos sobre questões básicas, mas nesse debate sobre federação fico um pouco perdido e assim vou me prender ao meu empirismo de última instância. Começo por uma passagem histórica rápida, adentro no período getulista e passo pelo período militar. Daí em diante, as coisas vão seguindo a mesma toada colonial. Na verdade, acho que nunca saímos dessa toada!

Não tenho dúvida de que o dever de casa passado ao Pedro I foi o de espantar a cavalaria portuguesa que poderia retornar com força colonial já não desejável. A herança de D. João VI foi valiosa: criou as condições básicas para o surgimento de uma nação. D. Pedro I foi a transição (1822-1831). Sua importância estratégica foi o de assegurar aos brasileiros o quinhão português e se possível até estendê-lo. Mas o Imperador queria mais. Os donos do poder só não contaram com sua astúcia imperial que engendrou uma sucessão a funcionar por quase 60 anos (1831-1889). Do ponto de vista da dinâmica federativa, tinha na época de D.Pedro I o Conselho de Estado que tinha por função ajudar o Imperador no exercício do Poder Moderador e do Poder Executivo. Mas muito pouco contribuiu  para a dinâmica federativa ( na verdade atrapalhou). Houvera também o Conselho de Procuradores Gerais das Províncias do Brasil, assinado por José Bonifácio e rubricado pelo Príncipe Regente, pelo decreto de 16 de fevereiro de 1822 e expressa na Constituição: Política do Império do Brasil de 25 de março de 1824 em seu capítulo 5. Prevaleceu a força centralizadora. Todo tipo de desfuncionalidade de gestão municipal e estadual prevaleceu: dos incentivos reversos à riqueza  ao empreendedorismo, da manutenção do espírito cativo da ignorância ao  analfabetismo, da precariedade nos investimentos municipais à depreciação dos bens públicos, etc. Tudo isso refletido na receita exígua dos estados e municípios, em comparação com as receitas federais. 

Ao longo da historia administrativa do Brasil, se tomarmos em conta apenas a divisão do butim tributário, a estrutura imperial vigorou praticamente até a década de 1930. Todavia já no início da República por força federativa foi necessário dotar os estados e municípios de receitas próprias a lhes     garantirem autonomia financeira. Mas nada que mudasse a força arrecadatória do país. Só a partir de 1934  é que foram promovidas alterações tributarias importantes, predominando impostos internos sobre produtos, com os municípios podendo ter competência privativa para decretar alguns tributos. Em 1946 o padrão tributário já tinha mudado radicalmente em comparação aos tempos imperiais e inicio da República: imposto de consumo e de renda já eram significativos para a União. O Brasil ingressava na fase em que a tributação se apoia largamente em bases domésticas. 

Contudo, as intenções constitucionais de 1946 de reforçar as finanças municipais não lograram êxito. Basicamente a razão foi a negativa dos estados em fazer seu dever de casa na partilha tributaria. A partir da década de 1950 o esforço arrecadador privilegiou muito mais a União, tendo em vista os grandiosos projetos desenvolvimentistas (fortemente protecionistas) e a construção de Brasília.A situação financeira dos estados e municípios tenderiam a piorar, como de fato aconteceu. 

A década de 1960 foi caracterizada pela volta de um centralismo tributário a dar conta do programa de desenvolvimento entabulado por JK e mantido e ampliado pelo regime militar. O fracasso do projeto político e econômico desse regime resultou em uma batida em retirada com o apoio da classe política mais retrógrada que tinha se enfileirado na abertura política nas hostes tidas como de vanguarda. A consequência política foi que a dinâmica tributaria centralizada não mudou muito. Pior, permitiu que  uma bagunça tributária e financeira se estabelecesse. O resultado foi um panorama de endividamento estadual e municipal com implicações políticas nocivas à democracia.

Apoderou-se do sistema politico grupos de interesse que ditaram a dinâmica orçamentaria em todos os níveis federativos. O fato é que o jogo politico é entabulado entre o governo federal e estadual com ponte erguida pelos governadores. É a partir desse bispo, os governadores, que peões e torres (prefeitos e deputados estaduais e vereadores e Senadores) são controlados. No campo federal, os Senadores do Norte e Nordeste mantem a dinâmica do poder centralizador. A peça de negociação é a divida dessas entidades a garantir governabilidade de ambos os lados, estadual e federal. Essa é a essência da politica do toma lá, dá cá.

Agora, o modelo foi rompido. Os Estados estão falidos como sempre estiveram. Não resta dúvida que com o perfil de políticos que assumiram estados importantes como o do Rio de Janeiro, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul, a reforma política torna-se viável e até mesmo necessária para que se mantenha o sonho do fim do toma lá, dá cá. A moeda de negociação sem sombra de duvida seria o alongamento (ou o perdão completo da divida, se o governo federal puder adequar a divida mobiliaria) das dívidas estaduais e municipais. Como se sabe, grande parte dessa dívida dos estados e municípios já estão incorporadas na dívida mobiliária. A negociação das reformas pretendidas pelo governo federal a contar com o apoio dos governadores certamente terá que contar com a renegociação dessa dívidas estaduais e municipais.

Mas em tudo terá que ser diferente das renegociações anteriores que objetivavam manter o toma lá, dá cá e a dinâmica rentista da dívida mobiliaria. Evidentemente, nesse novo contexto há de se impor uma disciplina para estados e municípios. As reformas estaduais e municipais deveriam ser a nova frente de debate e interesses nacionais. O governo federal tem as condições de ditar os rumos desse debate. As condições políticas e financeiras permitem e autorizam esse comportamento político. Vamos lá !


sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Minha Visão de Santiago – Chile – e arredores.

Agora que fui ao Chile fiquei impressionado com a força da politica do salário mínimo que lá é de cerca de R$ 1.600,00 -  reais.  Entretanto, achei a economia chilena muito engraçada. A sensação que tive é que eles , os chilenos, sonham com a volta do Alllende (trabalhar no capitalismo é duro mesmo. Não é coisa para mariquitas). Quando você lida diretamente com as pessoas sobre algum serviço especifico, percebe-se claramente algum ranço de ineficiência ou má-vontade. Vou lhe dar um exemplo: a recepcionista no saguão do Hotel me comunicou em tom de reclamação que o telefone que havia chamado indicava que o hospede procurado não estaria no quarto e que por isso o som do telefone teria retornado ao seu telefone em sua bancada. Acontece que foram apenas três toques. Imaginei que meu filho poderia estar no banheiro. O que ela deveria ter me informado é que eu deveria desligar e ligar novamente, porque o sistema estava preparado apenas para três toques. Evidentemente que fiz a minha parte: levantei os ombros e disse: e daí? Exemplos similares pude catalogar em outras ocasiões. Isso me revelou ineficiência ou falta de tesão pelo trabalho. À merda de qualquer forma. A cidade de Santiago revela o mínimo de planejamento aceitável. Os edifícios guardam distancia entre si, embora seu gabarito me pareça um pouco exagerado. As ruas são largas, existem árvores em dimensão satisfatória a  dar boa sombra,  deixando claro que  pilhagem urbana não se aceita. Os ônibus públicos (transporte público, não sei se são geridos pela iniciativa privada - o que entendo lamentável se for o caso.) são velhos a demonstrar que não há desperdício. Da saúde pública não pude dar conta. Escutei reclamação sobre os remédios - nao tem política como a do remédio grátis do Brasil. As favelas inexistem. Mas isso não quer dizer que não existam moradias humildes. De cima de um dos montes e dentro daquela gaiola esquisita que nos leva ao topo da montanha deu para ver que há em Santiago  uma separação nítida da pobreza. Mas até a pobreza tem organização e nada me fez lembrar a bagunça de nossas favelas cariocas ou paulistas. Fábricas não consegui ver nenhuma. Não existe montadora e pelo preço dos automóveis tenho certo que jamais deveriam trazer uma para lá - xô Mercosul. Um carro tipo civic que por aqui bate na casa dos 100 mil reais, lá fica por cerca de 45 mil reais. A minha contabilidade para verificar se eles ou nós estamos na merda é simples. Pego o preço local e divido pelo salário mínimo local e faço a mesma coisa com o produto nacional. Fiz as contas para a gasolina e a turma chilena tem quase o dobro de gasolina (algo como isso; não me lembro mais com certeza) E assim fiz para os demais produtos. Eles estão bem melhores do que nós. Por fim, percebi que o salário mínimo tem um papel importante na economia chilena. Ele impede a exploração torpe e as atividades tem que se balizar por tal salário mínimo.  Claro, os empresários que pagam tal salário não gostam. Pude observar que até as propinas (gorjetas) os empresários de serviços de alimentação querem confiscar. Como a economia é de baixa produtividade (não tem fábricas e nem serviços sofisticados) esse limite do mínimo deve desempenhar um papel importante. Todavia, não pude avaliar o impacto da informalidade local, embora não tenha percebido um exagero da informalidade como acontece no Brasil ( que tem informalidade  e salário mínimo indecentes). Quanto às Universidades, não pude visita-las. Estavam fechadas. O que notei é que vi poucas livrarias com bons livros. Na área de economia, eles adoram a literatura de esquerda. Fiquei com a impressão de que os chilenos não gostam muito de estudar. Até suas bibliotecas tem um horário burocrático para funcionamento.

Por fim, falo das cidades balneárias. Fui a duas. Valparaiso e Vina del Mar. Em Valparaiso a turma queria ver a casa de Neruda. Achei a casa interessante. O problema é que não vi ninguém recitando suas poesias e os da minha turma ninguém lembrava sequer de uma. A lojinha com os livros de Neruda, um pouco vazia. Quanto à cidade, decepcionou-me bastante. Muito pobre, lembrando em menor grau a ocupação dos morros cariocas. O que teve de positivo é que me fez repensar uma nova solução para as nossas favelas. Poderiam ficar como estão, mas a custa da derrubada de pelo menos um terço. Não é a minha solução favorita. Eu optaria por , em primeiro lugar, a doação definitiva para os atuais ocupantes do direito de propriedade. Depois disso, imporia um plano urbanístico que deveria ser aderido de forma voluntaria. Tal plano englobaria uma certa mudança no gabarito – até no máximo três ou quatro andares. Incluiria ruas, mercados, ambulatórios e escolas, no mínimo. Certamente, teria que incluir um plano de saneamento básico. 

Já Vina del Mar me pareceu mais atraente e com um certo grau de civilização no tocante a sua urbanização. Prédios altos convivem com certa harmonia entre si. Não há um paredão como no Guarujá ou Copacabana.  Mas as praias uma certa decepção. Frias e um tanto perigosas. Entre Santiago e as praias há uma quantidade razoável de vinícolas. Vale a pena visita-las.

No mais, quero dar um carimbo muito positivo para o Chile. Me serve como um bom exemplo para a América Latina. 


Bolsonaro, o petista que Lulla procurava.

Não há sombra de duvidas de que, neste paisinho de juizinhos e fulaninhos de todos os tipos, fazem daqui e da gente puro rebanho sem rumo. ...