Post Inaugural - O modelo Brasileiro de subdesenvolvimento

Para que você saiba de antemão a que o Blog Chutando a lata se propõe, faço a seguir um resumo de abertura, retratando o modelo de subdesenvolvimento brasileiro denominado Casa Grande e Senzala – em homenagem justa e merecida ao sociólogo pernambucano Gilberto Freire, apesar da força da elite paulistana em desmerecê-lo - que servirá de anteparo intelectual às minhas incursões blogueiras. Meu alvo predileto serão os articulistas que procuram defender os interesses da Casa Grande, respeitando mais aqueles que o fazem por lobismo descarado e bem remunerado do que aqueles que rezam pelo óraculo pseudo qualquer coisa. Vejamos, então, o meu ponto de vista.


"... há no Brasil uma aliança muito próxima entre interesses políticos e econômicos. Um grupo de privilegiados alimenta o outro, e vice-versa. O resultado é uma barreira para a competição e para mudanças institucionais inovadoras e criativas.... é isso que impede o Brasil de se tornar um país de alta renda. Trata-se de uma questão de teoria política, não econômica. Sempre que um determinado grupo controla o sistema político, ele o usa para seu próprio benefício, em detrimento dos interesses da população como um todo. O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência.” 

Douglass North disse isso em entrevista à revista Veja, em 16 de agosto de 2006 (seção de economia: Por que o Brasil não cresce como a China e a Índia?).

Se você conseguir compreender todo o desdobramento dessa análise simples e direta de Douglass North, ficará fácil entender por que o mensalão existiu e agora se travestiu em outras formas mais descaradas, com chance de prescreverem, por ofício público, todos os crimes mensaleiros. Ficará fácil entender por que os recursos públicos são dirigidos em quase sua totalidade a banqueiros, a industriais paulistas e a empreiteiros inventados por JK, restando nihil para a saúde, educação, obras e aposentados. Ficará fácil entender que não existe diferença entre lulla, collor, fhc e qualquer um dos políticos que estão por aí. Ficará fácil entender que a esquerda brasileira sempre foi a verdadeira direitona e a chamada direitona sempre foi uma grande porcaria mesmo. Ficará fácil entender que o MST – movimento dos sem terra - é apenas um braço desse esquemão de e da esquerda. O PSTU é o Psol de amanhã. O Psol é o PT de ontem que, hoje, como vemos,  já deu "certo". Ficará fácil entender que todos esses partidos e entidades estão sempre a serviço da FIESP e que não existe partido que funcione democraticamente, exceto o PT – lá só tem profissional sindicalista e sindicalista profissional e todos esses cretinos sonham em ser o lulla de amanhã. Ficará fácil entender por que os que se dizem esquerdas são "gente boa" e estão sempre na companhia dos grandes empresários. São, além disso, simpáticos. Porém, são fundamentalmente canalhas. Ficará fácil entender por que pessoas que procuram ganhar um troquinho fazendo arbitragens naturais são taxadas de contrabandistas e com isso ficamos comprando por preços absurdos porcarias produzidas por industriais paulistas, enquanto o mundo desenvolvido usufrui de coisas boas e baratas; fruto de sua produtividade verdadeira em harmonia comercial. Ficará fácil entender por que não pode dar certo nenhuma medida governamental, como a do programa do álcool e do biodiesel, que deixa fora do mercado produtor milhares de pequenos agricultores e força o povo brasileiro a pagar caro por combustível e energia. Ficará fácil entender que o povo brasileiro nunca ganhou nada com a Petrobrás. Pelo contrário, só perde. Ficará fácil entender que história como o pré-sal ser a porta para o futuro não passa de lorota, para mascarar o que acontecerá: desvios de recursos alimentando a burra dos mesmos de ontem, de hoje e talvez de sempre. Ficará fácil entender que a desordem fiscal e tributária tem razão de ser: acomodar os usurpadores dos recursos públicos que retiram grana fácil em nome de projetos e políticas destrambelhadas, como a praticada pelo Banco Central que fixa juros, indexando-se esse juros à dívida pública , quando não ao câmbio. Se um desses esquemas de indexação falhar ou gerar perdas, mesmo que relativas, inventarão swaps  governamentais para eliminar de vez qualquer risco. Resultado: o pagamento dos juros é sempre explosivo e o saque no orçamento é a regra orquestrada pelos empreiteiros, filhos de Juscelino, revitalizados pela ditadura militar, que comandam a partilha dos recursos públicos. Ficará fácil entender que a saída é política e que precisamos de um líder político, mas inventado fora dos atuais partidos políticos. 

Tá difícil achar um líder político, ou uma saída no fim do túnel da pobreza. Os que dão pinta logo entregam o jogo. Veja o caso do Gabeira. Chutou o Severino e colocou lá o comunista que aprovou tudo que o Lulla quis, e abortou a revolta do baixo clero (você sabe o que significa baixo clero? Bando de canalhas. Mas é um bando que procura sua parte ínfima nesse butim público, porém deixa a nu o sistema podre e as amantes reles). Lamentável a caminhada dele, gabeira, naquela ocasião, de braços dados com os aleluias da vida. Este é o grande problema do Brasil: não há opção política. Aqui, até comunista gosta de vida fácil e estão sempre falando em política industrial, de mãos dadas com empreiteiros oportunistas. O problema do Brasil é político e não de teoria econômica.

Douglass North, em introspecção científica de grande valor, definiu as condições para sairmos dessa situação precária, em que poderosos dominam a política, e , assim, a economia, retratada pela sexagésima quarta trilionésima questão: como passarmos do estado natural (exatamente esse em que nos encontramos) para uma sociedade aberta e, por isso, desenvolvida? North estabeleceu três condições:

— 1) elites deveriam aceitar tratar cada um dos indivíduos impessoalmente;

— 2) regra de leis entre a elite e para a população;

— 3) elite, como um grupo, deve controlar o grupo militar.


Portanto, a transição não se fará sem a participação dos nossos algozes presentes. A forma para lá se chegar fica em aberto, já sabendo, antecipadamente, que pancadaria é certa para todos os lados. A intensidade, o grau e a direção dependerão de nós. Se depender de mim, vou me empenhar para que tudo se dê no campo da política. Desde já estimulo todo e qualquer tipo de rebeldia. Só a censurarei quando seus efeitos se mostrarem danosos para o que me empenho: a liberdade em sua plenitude e vida digna aos mais humildes e desamparados pela sorte.

Para os tantãs que não sabem adequar o significado de liberdade em sua plenitude a nenhum contexto social e político, vou resumir aqui e alhures e sempre que achar necessário: trata-se de uma economia de mercado, em que a competição é a regra. Nessa economia, a competição exige que prevaleça muitos compradores e muitos vendedores para cada tipo de mercado. Além do mais, o poder econômico tem que ser combatido – ele é um mal por si só. As boas instituições devem florescer para gerar incentivos e punições aos cidadãos, firmando-se direitos e condutas adequados. Todavia, tal prática não exclui o governo de várias atividades, como saúde, educação, transporte e energia.

Quanto às políticas macroeconômicas, deve-se admitir que preços flutuam e sua determinação é sempre impossível e arbitrária. Assim, juros, câmbios e preços em geral devem ser livres. A política fiscal e planejamento estão restritos ao orçamento público. O melhor orçamento é o equilibrado e dívida pública tem que ser zero ou ínfima, para fechar o orçamento, devendo, necessariamente, ser monetizada em cada final de exercício fiscal. Os investimentos públicos deverão ser amplamente discutidos e não poderão ocorrer em tempo recorde; a demora para se decidir é boa regra. A política monetária deve ter como fim único a preocupação com a inflação e liquidez, atuando sob regras e jamais discricionariamente. Que se diga de passagem: neste modelo de gestão macroeconômica, ela, a política monetária, quase não é "necessária"; talvez, para se evitar a deflação, se é que isso também é "necessário". Não havendo essas condições macroeconômicas, não existe economia de mercado. Para complementar o modelo, assumo verdadeiramente o modelo federativo, onde a União não se  impõe soberana aos Estados e Municípios. O papel da União deve ater-se aos programas sociais, à justiça, à segurança do país, à harmonização das atividades comuns aos estados federados e, por fim, à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico. Talvez, com a bagunça institucional e depredação de nossos recursos naturais, um órgão federal para tratar de danos ambientais seja importante. As políticas protecionistas de qualquer natureza devem ser simplesmente ignoradas.

Isso não significa também que o governo não pode ter atuação positiva na economia, mas restringir-se-ia aos bens de natureza pública. Os preços regulados pelas agências controladoras de serviços de natureza pública deverão seguir a regra de preço=custo marginal e jamais garantir qualquer parâmetro de rentabilidade. Se a rentabilidade não for satisfatória pela aplicação da regra de preço=custo marginal, aquelas atividades seriam estritamente públicas. Se o custo marginal for ínfimo, o bem terá que ser público, como é o caso presente da telefonia e da internet. Se o investimento inicial de uma atividade for muito elevado, a participação estatal só seria permissível com a formação de uma entidade pública com ações no mercado. Empresas públicas que não têm o lucro como objetivo devem ater-se à sua missão, observando estritamente o equilíbrio orçamentário. Modernamente muitos, e eu, naturalmente, acatamos a previdência social, os gastos com saúde, educação e transporte urbano e até interurbano como bens públicos da maior relevância. Os gastos em infraestrutura devem ser conduzidos pelos Estados, e não pela União, que deve se restringir à regulação, à justiça, à segurança, à elaboração das leis e às atividades de previdência social. Evidentemente, se o Estado for pobre e não dispuser de recursos para construir e manter a infraestrutura desejavel, a União poderia assumir o ônus do respectivo investimento. Para deixar os liberais convencionais de cabelo em pé, reafirmo: não vejo a impossibilidade do Estado ter empresas. Só não pode ter o privilégio do monopólio. Caso as tenha, a regra seria sempre: preços baixos e eficiência operacional, com salários de mercado - não de marajás como acontece aqui e está se espalhando mundo afora - e liberdade para entrada de competitores potenciais a pôr rumo à eficiência econômica. E importante destacar: todo o lucro dessas empresas deverão ser repassados ao Tesouro, caso contrario os mesmos serão pilhados  por grupos de interesse, incluindo-se aí os próprios funcionários dessas empresas.

A ladainha de que se deve fazer em cinco anos o que se faz em cinqüenta não encontra respaldo na teoria econômica e política. Trata-se de um engodo ideológico que só trouxe bagunça jurídica, orçamentária e política, com endividamento público exagerado e esfacelamento do sistema previdenciário. A regra para o setor público é investir devagarzinho. As mudanças políticas fundamentais, não: têm que ser rápidas e definitivas.

A abertura comercial é fundamental e urgente. O modelo de substituição de importação é outro engodo, engendrado intelectualmente pela Maria da Conceição Tavares e Celso Furtado. Sua implementação estrondosa se deu com JK, que garantiu pactos entre as multinacionais e a burguesia paulista, mantendo, pela reserva de mercado amparada pelas políticas industriais e comerciais, feudos estanques que tiram o dinamismo da economia. Os milicos, em especial  Geisel, com Simonsen e Veloso, levaram esse modelo à exaustão.  De fato, o  modelo de substituição de importações não necessita de pesquisa e invenção, porque o lucro fácil do cartório empresarial dispensa sacrifícios. Não existe, portanto, demanda por inovações. A teia produtiva é estanque e alienada das necessidades locais. A nossa rede produtiva é de baixa complexidade. A complexidade existe apenas nas multinacionais que trazem seus pacotes exatamente dos países onde a rede produtiva não está sujeita às restrições comerciais ou outras como as que aqui no Brasil existem. O resultado é a segmentação industrial, dispensando-se a inovação e o capital humano autóctone. 

O endividamento público completa o quadro caótico de nossa economia subdesenvolvida. Juros altos e problemas com o endividamento externo só aceleram a degradação industrial. O efeito das políticas de endividamento são simples de se notar: rebaixamento da trajetória de crescimento, encurtamento do processo produtivo - refletindo-se em produtos baratos e de baixa qualidade -,  concentração de renda e estagnação da produtividade. Enfim, temos uma economia sem dinamismo. O que salva a lavoura é a possibilidade de se aumentar o deflorestamento, as nossas reservas minerais e o agronegócio de sempre. Em tudo somos primários, principalmente em termos de conhecimento. Só adiamos a desgraça anunciada. Que se dane as gerações futuras; é isso que se depreende desse quadro econômico e político. Somos pilhadores em essência. Tudo pela grana fácil. O trabalho duro e a competição não constam de nosso vocabulário diário.

O modelo pilhador se estendeu tambem ao campo. Como podemos verificar pelo Google Maps, o interior do Brasil esta completamente às escuras. Existe produção, mas não existe gente , que foi expelida para as cidades. Agora, falar sobre cidades é juntar dois grupos pilhadores: os pobres e os ricos. Vale ressaltar que as cidades devem, sobretudo, ser agradáveis para se viver. Hoje, com o empobrecimento generalizado e, principalmente, o político, a especulação imobiliária e a invasao descarada por pobres e ricos de espacos publicos tornaram-se regras, dando sinal evidente de que a elite da Casa Grande é muito mais bosta do que o povo da Senzala. Para comparação pura e simples, tomemos as cidades européias como exemplo didático. Além disso, existem políticas públicas seculares que apenas contribuem para aumentar o problema na área rural: a política de preço mínimo inventada em 1906 com o acordo de Taubaté.

Em resumo, existem forças pilhadoras que ultrapassam a mentalidade tupiniquim cotidiana que aplaude e ajuda a promover um tipo de escravidão disfarçada em que o emprego doméstico se revela como o mais crítico. A política salarial que estabelece o salário mínimo retrata o esforço e a restrição para jogar os cidadãos brasileiros na verdadeira cidadania. Os ataques às previdências sociais também é outro reflexo de que o povo é um elemento incomodo ao modelo.


Os problemas cruciais do Brasil, sob o contexto da submissão do poder político às elites, são:

1) Propriedade do subsolo, rios e recursos natruais nas mãos de poucos (é balela que esses recursos são da União);

2) Cartelização do sistema de energia e restrição à produção de biodiesel e álcool (centralização dos programas);

3) Indexação, principalmente da dívida pública e do financiamento habitacional;

4) entidades públicas que alimentam empresários ineficientes : BNDES, Banco do Brasil, CEF e outras;

5) Política industrial que garante reserva de mercado e tarifas subsidiadas para os grupos dominantes - as chamadas elites;

6) Sistema político sem representatividade popular a serviço da Casa Grande que nos coloca (povo, povinho e povão) na Senzala;

7) Sistema jurídico caótico;

8) Degradação ambiental sistemática;

9) Ausência de política pública de urbanização que estanque a degradação urbana;

10) Falta de tratamento isonômico aos cidadãos brasileiros. De fato, existem diversos tipos de cidadãos fazendo o modelo de Casa Grande e Senzala funcionar a todo vapor com passageiros de todos os níveis: os de primeira, segunda, terceira, quarta classe e os de quinta categoria;

11) Centralização dos recursos públicos nas mãos da União e orçamento público caótico;

12) Banco Central, Agências Reguladoras e Instiuições Financeiras Públicas capturadas pelo poder econômico - FIESP - FEBRABAN -  RURALISTAS e EMPREITEIROS -  com cumplicidade escancarada dos funcionários públicos em sua grande maioria;

13) Serviço Público subserviente ao Poder Econômico, com escolas da maçonária e dos sindicatos a criarem os burocratas gestores do modelo da Casa Grande e Senzala. Não é o povo que não presta. É a classe média, principalmente a oriunda do serviço público federal;

14) Ausência total, por ser desnecessária no contexto do modelo da Casa Grande & Senzala, de política pública de valorização do capital humano e do conhecimento; somos ignorantes e continuaremos assim enquanto perdurar tal modelo;

15) A lista poderá ser acrescida com detalhes secundários.

A consequência desse modelo? Concentracão de renda, classe média com salário de pobreza, produtos de qualidade barata e preço caro, processos produtivos simples, corrupção como regra de sobrevivência, violência crescente e degradação das cidades, do meio ambiente e do patrimônio público. O crescimento sempre se dará numa trajetória que embutirá a pobreza como elemento central. O teste do modelo é simples: fotografias de nossa gente, de nossas cidades, de nossos rios, de nossas florestas. Basta comparar o presente com o passado; este será melhor que o presente. Na estatística dos economistas, basta ver a convergência para o clube dos países pobres.

A solução tem que se dar por parte: Primeira, a política ,  dependente dos arranjos da elite brasileira, nos termos definidos acima, conforme Douglas North, tem que ser desarticulada plenamente, com a exclusão de todos os políticos profissionais que se consagraram neste modelo corrupto. A segunda é desarmar o caldeirão da desordem jurídica, patrocinada pela ditadura militar e consagrada pelos políticos de hoje e talvez de sempre. Não precisamos de nova constituinte. Basta resgatar em essência a constituição de 1946 que conseguia manter o poder econômico a certa distância do poder político. Feito isso, adote-se a efetiva federalização com o papel da União restrito ao que é convencional (segurança e justiça) acrescido das funções de caráter social, como política de desemprego, previdenciária e de coordenação política dos entes federados para as atividades comuns a todos os estados. Para dar um fim ao salário miserável, uma politica de salário mínimo acoplada a uma politica de renda garantido um mínimo que garanta almoço e jantar para todos. A política de salário mínimo tem um limite: a mesma relação entre  o salário mínimo e a renda per capita que se observa para os países desenvolvidos - algo em torno de 55 a 60%. De preferência que se adote tal regra de imediato e de uma única vez.

Se nada for feito no equacionamento do modelo Casa Grande e Senzala, as mazelas abaixo, além do que já me referi, em recorrência infinda, serão as seguintes:

a) Concentração da produção industrial e de serviços nos Estados do sudeste do país, notadamente São Paulo, que absorvem as benesses da União. Tal concentração não garantirá que o encolhimento da industria se concretize;

b) Em conseqüência do item a, aumento da migração das demais regiões do país para o Sudeste e Brasília (o paraíso da classe média que nos dá prova irrefutável do modelo, pois se trata de Estado que nada produz e tem a maior renda per capita do país);

c) Aumento da favelização das grandes cidades em decorrência do fenômeno do spillover gerado pelas metrópoles do sudeste e Brasília;

d) Aumento da evasão escolar, pela falta de recursos públicos que trate simultaneamente dos custos de educação e emprego para os pais. Para a classe média, a escolha de Sófia reinará: pais com mais de três filhos terão que escolher qual ou quais irão para a escola pública, por falta de dinheiro para custear a educação privada que é infinitamente superior à pública.

e) Aumento da informalidade e da disseminação de produtos baratos e de baixa qualidade;

f) Aumento das profissões que geram pouco ofício: administração, marketing, comunicação e outras do gênero, em exercício tosco de que só educação salva o país. Mesmo os cursos de maior exigência intelectual sofrerão o impacto da mediocrização do modelo - as boas cabeças irão para o setor público, pois pagam salários fora da realidade do mercado ou irão buscar alternativas no estrangeiro;

g) Piora no ensino, pela disseminação de instituições privadas efetivamente não lucrativas e pelo sindicalismo petista e da CUT disseminados nas universidades federais;

h) Aumento dos subsídios diretos e indiretos;

i) Aumento do desmatamento e degradação da flora, fauna e florestas em virtude dos incentivos a projetos definidos como prioritários pelo governo federal que ocuparão as melhores terras e espaços, incentivando o deflorestamento;

j) Aumento de monoculturas em todo o país - cana-de-açúcar para o Sudeste e centro-Oeste e soja para o Norte e Nordeste e centro-oeste;

k) Aumento nas exportações de recursos minerais e redução na dos produtos manufaturados;

l) Aumento da sujeira (em todos os sentidos);

m) Aumento dos privilégios para os servidores públicos federais;

n) Convergência da classe média e classe baixa, deixando estatísticas como o índice de Gini abobalhado;

o) Salário médio da economia formal, nos grandes centros, que não esteja na sacola do emprego público (notadamente o federal) em torno de R$ 1.200,00 a R$ 3.000, mil duzentos reais a três mil reais (incluindo-se nessa faixa engenheiros, administradores, técnicos de uma forma geral e aqueles que sabem efetivamente ler e escrever). Valor que pode ser convertido em dólares, em torno de U$ 700 a 2.000;

p) Piora da qualidade dos serviços;

q) Aumento da criminalidade e informalidade;

r) Aumento da violência em todos os aspectos e lugares;

s) Aumento do PIB nominal, numa trajetória, hoje, rebaixada pela crise que já se dissipou, mas deixou a nu o poupador trouxa;

t) Estagnação da renda per capita;

u) Aumento do poder sindicalista na esfera pública;

v) Aumento de suicídios e neuróticos nas grandes cidades;

w) Aumento na carga tributária e arrocho na previdência (dos pobres e abandonados);

x) Aumento no pagamento dos juros da dívida pública e aumento no endividamento estadual;

y) Aumento no nº de cachaceiros e arruaceiros, compensados pelo aumento igual ou maior de evangélicos alienados que acatam seu destino e seus males como obra de Deus, com efeito liquido mais negativo do que se tivéssemos só doidões nos salões da vida em que muitos dançam e poucos cantam;

z) Aumento no nº de católicos, espíritas, umbandistas e evangélicos com pastores dignos e honrados (podes crer, existe!);

aa) Aumento na confusão da cidadania;

bb) Aumento nas demandas judiciais contra o Estado ou o Governo;

cc) Aumento em separação familiar, principalmente dos casais mais velhos – não só pelo efeito Viagra, mas principalmente pelo desgaste familiar que não consegue gerar filhos capazes de obter um ofício;

dd) Aumento do tempo em que jovens vivem com os pais;

ee) Aumento da sonegação de impostos;

ff) Queda recorrente no PIB correto. O PIB correto indica que a economia só anda para trás. O PIB correto mede o bem-estar da população: bens e serviços, depurados da violência, do roubo, da degradação ambiental e de tudo o mais que represente custo para a sociedade e não está contabilizado nas estatísticas oficiais. Há de se incluir também  o conhecimento que, por aqui, só anda para trás ou está estagnado;

gg)Aumento na concentração da riqueza;

hh) Aumento da corrupção, notadamente a praticada por políticos e juízes;

ii) Aumento do poder dos grupos farmacêuticos, educacionais e de plano de saúde junto à esfera política, em manutenção de seus privilégios, com o concomitante exorcismo de politicas de remedio grátis, educação grátis e saúde grátis (grátis = paga com nossos impostos);

jj) Aumento no número de blogs, principalmente os políticos e proliferação de notícias falsas.

Para não deixar dúvidas de que o modelo Casa Grande e Senzala funciona em harmonia com os interesses da Casa Grande, as conseqüências de medidas isoladas serão sempre desastrosas. Assim cito, o que aconteceria se adotássemos isoladamente cada uma das seguintes medidas:

1) Redução ou homogeneização das tarifas de importação: quebradeira das empresas que produzem quinquilharias, como as indústrias de bens eletrônicos, automotivas e manufaturados de uma forma geral. Os recursos seriam rapidamente transferidos para a agricultura, serviços e ativos reais. As importações puxariam o câmbio para um novo patamar de equilíbrio. Obs.: câmbio, como qualquer preço não explode, pois existe restrição orçamentária. Aproveito para destacar que, em um regime de câmbio livre, não há por que se ter reservas internacionais. Reserva estratégica é malandragem de burocrata que saberá proteger especuladores. O efeito da redução tarifária só seria completamente virtuoso num contexto de um país com traços tecnológicos legítimos: grupo de engenheiros e cientistas eficazes. Acredito não ser o nosso caso, como comprovam os grandes projetos siderúrgicos em que importam até trabalhador chinês. De qualquer sorte, mesmo uma política isolada como essa é preferível ao que temos presentemente: tarifas que protegem empresários malandros que resultam apenas num processo de modernização – mais máquinas e menos trabalhadores e principalmente o desaparecimento dos verdadeiros empreendedores, uma vez  que, pelo fechamento da economia à competição externa, não pode haver proliferação de atividades correlatas às indústrias cartoriais. Claro, se as importações aumentarem, as exportações terão que aumentar - importação se paga com exportação!

2) Reforma tributária com redução de impostos. Como o pacto é o mesmo de ontem, o arrocho nos salários públicos, aposentadoria e redução nos gastos públicos em educação e saúde serão óbvios. Aumentar impostos, só aumenta a sangria da dívida pública e dos gastos que enriquecem os políticos. Toda e qualquer reforma tributária apenas consolidará e aprofundará o modelo da Casa Grande e Senzala, se for executada isoladamente e principalmente se mantiver o status quo da dívida pública.

3) Diminuição dos juros. Levará fatalmente ao aumento de impostos, como já querem fazer, para manter a mesma estrutura de privilégios creditícios que herdamos da ditadura militar. Paralelamente, para manter o mesmo nível de extorsão, o montante da dívida pública aumentaria. Concomitantemente, o setor bancário aumentaria as tarifas e a cartelização do sistema financeiro.

4) Aumento na taxa de investimento. É lorota de economista imbecil criado na ditadura militar que, através da tortura e prisões arbitrárias, promoveram o chamado arrocho salarial. Todo e qualquer aumento na taxa de poupança tem que se dar numa esfera pessoal e particular de decisão dos agentes. Quando é o governo o poupador, tem-se aumento de impostos que é ruim por si só e pior ainda quando é para enriquecer malandros. O crítico nessa estória de se aumentar a taxa de poupança é a cegueira econômica dos economistas tupiniquins: não compreendem que o modelo com endividamento público acarreta a queda da relação capital/produto e rebaixa a trajetória do pib potencial. Neste contexto de modelo pilhador, para se voltar a trajetória anterior há necessariamente que se aumentar a taxa de poupança. O limite para isso? O empobrecimento geral, já que o povo não reage e parece que até gosta do que temos.

Meu conselho é o seguinte: fuja de todo político que se diz de esquerda. Tome isso como um código. Falou que é de esquerda, traduza logo: patife.

Finalizando, se você não concorda com o meu post e não sabe argumentar para defender seu ponto de vista, faça-me um favor: não perca tempo enchendo o meu saco; caia fora e procure sua turma। Se você é da Casa Grande, não precisa dizer que sou louco, pois qualquer um que discuta assuntos não permitidos pelos donos do poder são tachados como loucos. Seja mais criativo e berre a seu jeito, pois estou mexendo numa agenda política que não se encontra facilmente no mercado, porque os poderosos a comandam. Mas aqui não violão! Por fim, se você é da senzala, não me venha com conversa de raça, cor ou religião. Não luto por você, porque é um excluído pela raça; coisa que sei que cachorro tem. Mas essencialmente para me livrar desse Brasil que não mais reconheço e não mais me permite andar pelas ruas em admiração silenciosa a cenários agradáveis e a um povo trabalhador, tal qual era o meu pai e muitos outros que já se foram. E, sobretudo, porque, pelo andar da carruagem, eu e meus filhos poderemos ter que compartilhar a miséria com vocês da senzala. Um país só cresce, se todos crescermos.

Essa é a pista para o desenvolvimento: Não poderia haver bolsões de pobreza. Hoje, vê-se claramente que não é a favela que avança sobre a cidade. É o contrário: a cidade está subindo às favelas.


Comentários

  1. Só não vale chutar a lata de cerveja...

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  2. A turma de chutadores está aumentando!

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  3. Olá! Marco! Fico feliz em saber que poderemos ler suas postagens também por aqui. Você escreve muito bem, vamos todos chutar a lata! Sucesso amigo!

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  4. rapida: é Douglass, não Douglas. (nao publique, apenas corrija)

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  5. Agradeço ao anônimo. Sinceramente, não tinha notado.

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  6. Finalmente, professor Marco! Já tava passando da hora de abrir esse blog. Pra quem gosta de ficar de olhos bem abertos nos blogueiros que escrevem sobre economia,uns bons e outros que só falam besteira, agora tem mais uma opção.

    Importante mesmo é que ninguém aborda esse tema institucional dessa forma ampla, batendo na tecla do domínio que o poder econômico tem sobre o poder político, destacando os grupos que exercem maior pressão (FEBRABAN, FIESP e RURALISTAS).

    Gostei muito dessa sua iniciativa, vou disseminar o blog na UCB. Parabéns, e vamos chutar a lata!


    Augusto Freitas - graduando em Economia - UCB

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  7. Parabéns prof. Marco! Muito bom ler um blog com postagens de conteúdo... é isso aí, vamos chutar a lata!

    Jean Fernandes - Economia UCB

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  8. Prof Marco Bittencourt, gostaria de parabenizar a coragem de ter um blog e consequentemente, ler algumas críticas. Como esse espaço é justamente para o debate, e não para nhem nhem nhem, segue minha opinião. Não concordo com seu texto em apenas um ponto. Para mim a única saída política honrosa e decente para este país seria uma nova constituinte. Como você bem disse, inclusive em sala de aula, reformas pontuais não resolveriam nada, por tratarem de políticos inescrupulosos que tenderiam aos grupos econômicos que os elegeram e as eles próprios. Mas acredito que todo um debate sobre uma nova constituição aumentaria a probalidade de mudanças em certas leis e instituições. Abraço.

    Fabrício Lacerda - Economia UCB

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  9. OLÁ MARCO.
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    Em tempo: concordo também com o anônimo supracitado.

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