Recuperação Econômica agrava déficit nas contas externas, diz BC

Na minha caminhada contra as estultices oficiais, deito falação sobre uma recorrente: as estatísticas do balanço de pagamentos. Para início de conversa, há de se ter a referência correta para algum questionamento sobre o balanço de pagamentos. Vamos lá. Para que servem essas estatísticas do balanço de pagamentos? Sinceramente, pra nada. Servem apenas como pretexto para manter intacto interesses de poucos. Quando você tinha um regime de câmbio fixo e as suas crises eram infalíveis, os burocratas, dentro do figurino de não botar a mão na merda, mas de fazer merda, elencavam os itens potenciais de problemas a seu gosto e prazer. O tantã e bebum do Simonsen, em épocas tenebrosas da ditadura militar de 1964, já esquecidas por outros bebuns ou tantãs de nossa fauna sociológica tupiniquim, partiu até contra os turistas brasileiros. Mas o prato principal para a sopa dos oportunistas é a balança comercial em que se confrontam importações e exportações de bens transacionáveis. Só que hoje, como ontem e como sempre, não vale a pena recorrer a um esquema que nunca se justificou e que todos devemos lutar para que não continue sugerindo o que não pode ou não tem sentido.

Antes de colocá-lo sob o prisma do regime cambial flutuante, vamos ao ponto essencial. Você está interessado nas estatísticas de comércio entre o Piauí e São Paulo? Entre São Paulo e Brasília? Claro, que não. Isso não pode interessar ao agricultor ou ao empresário da construção civil, porque a informação está num nível muito agregado. Claro, cada um quer saber como é a sua demanda. Mas não a demanda de todos os bens - os burocratas, estes sim, iriam adorar. Então, por que estaríamos interessados nas estatísticas de comércio entre Rio e Londres ou Fortaleza e Madri? Simplesmente não estamos interessados.

Não preciso nem falar que são os burocratas que sempre estão interessados nessa informação do balanço de pagamentos. São eles os conselheiros dos donos do poder que invariavelmente jogam a fatura em nossas costas. Não preciso nem dizer que eles, os burocratas de Brasília, aprofundando o modelo das distorções, irão restringir as importações de mercadorias e de serviços. Vão também chiar quanto às viagens internacionais. Por paradoxal que pareça, vão dizer também que a remessa de juros e lucros estão elevadas, mas que essas são imexíveis, por conta do respeito aos contratos.

Essa loucura toda encontra seu ápice quando estamos sob o regime de câmbio flutuante. Por definição, câmbio flutuante deixa o balanço de pagamentos equilibrado a todo instante. O que temos são compras e vendas de divisas. Pouco importa o que está sendo objeto de negociação. Toda e qualquer distorção iria para os preços que como sabem os economistas não podem explodir. Não se pode dizer que as transações correntes estão desequilibradas ou que seriam os itens da conta de capital os vilões a serem extirpados. Simplesmente não tem sentido. Mudaram o câmbio, mas não a mentalidade tantã dos burocratas.




Comentários

  1. Qual o erro em se ter tais dados?

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  2. O mundo todo usa o balanço de pagamentos. Só voce que não quer usar!
    João Rezende

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