O grande picadeiro


Sempre admirei os jornalistas que escrevem o que querem, porque, pela liberdade paga, têm que apresentar um bom trabalho. Nélson Motta é um desses jornalistas. Escreve bem e sucintamente. Mas até ele acho que, por vezes, fica preso a velhos ou novos clichês. Está na moda, agora, chutar a esquerda. O que eu acho bom, porque, temos uma prova cabal de que o que propõem e fazem é uma bosta mesmo. Está aí o exemplo paradigmático da queda do muro de Berlim. A prova inconteste é que ninguém viu alemão pulando pro lado oriental quando o muro caiu. Nélson Motta dá um chute espetacular no El Gran Circo Latino americano. Contudo, o chute resvala e não atinge o nosso verdadeiro inimigo - o que estimo ele irá detectar em esperado artigo no O Globo, um dos melhores jornais desse país, junto com o Estadão. O editorial desses jornais é outra história.


Fala de todos os líderes latinos que adoram falar mal do capitalismo. Mas esquece de falar daqueles líderes que essencialmente são parceiros eternos do capitalismo depredador. O esquecimento de Nélson Motta se dá porque, sendo vítima, em juventude rebelde, de anestesia inebriante da mesma ladainha de sempre de que falar contra o capitalismo é sucesso imediato com os jovens, não conseguirá sem um empurrão ideológico contrário acordar desse alucinógeno ideológico tosco. Falar de Che Guevara, outro sucesso estrondoso. Trata-se de um recurso manjado que políticos malandros (redundante no caso do Brasil e na grande maioria dos países) usam e abusam para ninar meninos rebeldes que logo, em maioria esmagadora, aprendem a lição de ludibriar o povo em perpetuação dessa espécie de cancro social - os políticos da esquerda.

O lado obscuro dessa esquerda mequetrefe está em perpetuar acordos entre os barões do capitalismo e a plebe rude, alimentando e enriquecendo o capitalismo doentio. Para isso, todos eles têm que ser coerentes em sua ação de extermínio ao capitalismo verdadeiro; aquele que Nélson Mota deixa de falar, mas intuo alimenta em sua alma. Os inimigos perigosos do verdadeiro capitalismo são todos aqueles verdadeiros comunas que buscam um projeto de poder unilateral ou consentido, como é o caso da nossa esquerda que vai de FHC a Lula, incluindo-se até os Sarneys. Como é também o caso dos Chaves latinos que, mesmo do lado do povo, se não pendem para os barões, balançam sobre o eixo de si mesmo que só leva ao imponderável e que acaba por definir uma ditadura que se alimentará apenas da exclusão e supressão da liberdade, fonte genuína da geração de oportunidades e bem estar. Assim, esses arremedos toscos de políticos avançados devem ser eliminados do rol dos politicamente corretos. Nisso Nelson Motta foi preciso. O que faltou foi a compreensão de que nenhum político, quer aqui, como em qualquer país da América Latina, tem um compromisso com uma economia de mercado que está na base de um capitalismo verdadeiro. Está na moda ainda ser estruturalista ou uma variante boçal dessa turma que apenas buscava um emprego bem remunerado na burocracia oficial e que vimos perplexos se enriquecerem as nossas custas.

Poderia resumir que os elementos do consenso de Washington seriam suficientes para definir o verdadeiro capitalismo. Mas teria que circundá-los com considerações aparentemente conflituosas o que também me faz chutar não só essa idéia, mas o consenso e os consenciadores. De qualquer sorte, retiro a mensagem básica do consenso para alardear sobre o verdadeiro capitalismo que não vemos por essas plagas embostadas esmiuçado em colunas de articulistas famosos. O que falta em todos esses esquerdistas engajados é a crença fundamentada numa economia de mercado, em que a impessoalidade é a regra geral. Falta também a visão mais refletida de que os arranjos de mercados não podem ser aplicados indistintamente. O exemplo gritante é o caso amalucado das privatizações brasileiras. De qualquer sorte, mesmo havendo exceções óbvias e principalmente as voluntárias, a economia de mercado tem que valer na economia e se espraiar principalmente na política, de forma a se evitar qualquer tipo de privilégios, principalmente aqueles que surgem em nome de reparações históricas - bobagem esquerdista que só aprofunda a desordem política e social – ou de atrasos tecnológicos insanáveis.

A dificuldade maior em se garantir o funcionamento de uma verdadeira economia de mercado é que boas "instituições" devem circundar a própria economia de mercado. Algumas dessas instituições são recentes, mas igualmente válidas, mesmo que não sejam as primeiras melhores em teoria, mas que se mostram ótimas na prática. Dentre as instituições consagradas, cito a educação universal para todos e por isso pública. Poderíamos ter variantes, como o ensino superior não público, etc. Não importa muito. O que importa é que o “mestiço preguiçoso” poderia com certeza ter a chance de se aculturar verdadeiramente e de fato trocar a sandália de dedo pela bota engraxada. Ninguém precisa ser “índio” a vida inteira. Mas só a educação básica e universal poderá garantir uma competição justa com sucesso pessoal muito provável. Neste caso, para evitar transtornos compulsivos, prefiro a educação pública. Cito também a saúde universal e por isso também pública. Leiam o artigo do Krugman que publiquei no post os Imbecis e seus Dogmas antes de me encherem o saco sobre as benesses do sistema privado (que nunca vi). Cito também a previdência universal e por isso também pública. A lógica pedestre é de que todos pagamos impostos e eles se cristalizam na civilização. É esta visão de Estado que os europeus têm demonstrado ser muito boa na prática, embora acordo protetor de privilégios para certos setores, principalmente o agrícola, se mantenha aqui e ali. Mesmo sob o peso desses acordos, há um quê de equilíbrio político e social que preserva um status quo que não compromete o padrão de vida da maioria de sua população. Pelo contrário, parece ter evitado o capitalismo depredador.

Não deixo de reconhecer, os economistas ainda estão tateando sobre as implicações de certas instituições e sobre o equilíbrio político, abrigando situações que poderiam nos parecer estranhas. Mas o importante é que os fundamentos de uma economia de mercado sejam aplicáveis em uma extensão considerável. O fundamental nesse conceito de economia de mercado, volto a insistir, é a impessoalidade que exclui privilégios e evita o poder desmesurado. Por isso o adjetivo imprescindível de “competitivo” a acompanhar obrigatoriamente o termo mercado. Tem que valer para todos e todos têm que participar. É exatamente isso que nos falta. O que nos sobra é o tratamento privilegiado, deixando patente a marca da desfaçatez tupiniquim. Que o digam FIESP, FEBRABAN, RURALISTAS, SERVIDORES PÚBLICOS e SINDICALISTAS.


Comentários

  1. O bundão do Chaves está fazendo da Venezuela a Cuba da America do SUl.

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