A desordem institucional é a regra geral para explicar toda e qualquer anomalia – exemplo a matriz energética brasileira.



A questão do desenvolvimento econômico há muito já saiu dos limites neoclássico. Douglass North é uma referência obrigatória que coloca no centro de sua análise o papel das instituições, porque elas estabelecem a estrutura de incentivos e restrições aos agentes econômicos. Além disso, ele toma a história como uma referência obrigatória, por retratar a evolução dessas instituições e amarrar o presente a um passado escolhido.

No caso presente do Brasil, tenho certo de que a análise histórica apontará para um retrocesso brutal, justificando a pobreza e violência em todo o país. Pelas minhas incursões na história recente do Brasil, tomo a ditadura militar de 1964, apeada em democracia fajuta pela antiga UDN golpista, como a fonte originária da bagunça institucional presente, sendo a referência natural aos problemas corriqueiros atuais.

Tornar-se-á claro que assim o faço para justificar meu entendimento da matriz energética brasileira e seus problemas atuais.

De cara, noto que estamos presenciando, em fórum adequado, uma discussão importante, porém pouco divulgada pela mídia e muito menos ainda considerada como prioritária pelos cidadãos e empresários fora da Casa Grande: a CPI da energia elétrica que procura esclarecimentos sobre a subida meteórica dos preços das nossas contas de luz. Pedem os deputados federais, na função de parlamentares inquisidores, o indiciamento de autoridades públicas e o escambau, pois parece que a desobediência civil (a ruim) é a tônica: servidores públicos se negam a entregar documentos que demonstrem cabalmente os cálculos tarifários. O tempo passa e os fatos graves são substituídos por outros mais recentes e o esquecimento geral é certo. Lógico, tudo isso só pode acontecer, porque o desmonte do nosso ordenamento jurídico é real e ubíquo.

Se me perguntarem qual a pista óbvia para a desordem no nosso planejamento energético, responderei que, fora a questão fulcral da gestão cartelizada dos preços da matriz energética (o grande problema a inundar de ineficiência o país), o modelo centralizado é notoriamente irracional. Como podemos constatar mundo afora, a matriz energética de muitos países é bastante descentralizada, evitando-se problemas técnicos e econômicos, traduzidos em apagões aqui e ali de tempo em tempo. Com efeito, a nossa estrutura de usinas hidroelétricas é constituída com o fim único de alimentar o setor industrial do sudeste ou certos empreendimentos consumidores em demasia de energia, como o do alumínio que consome, em nome dos barões indústrias como Antonio Ermírio, Alumar e Cia, grande parte da energia de Tucurui. Pouco importa de onde vem esta energia barata. O que importa é que seja barata; o que só plantas em grande escala podem gerar. Os preços subsidiados, só uma ditadura ou uma democracia amalucada poderia garantir.

Em paroxismo extremo, além dos preços extorsivos aos consumidores e baratos aos industriais da Casa Grande, temos ainda o efeito substituição da energia elétrica se espalhando pelo Brasil afora. Em outras palavras, dado o abuso tarifário das concessionárias de energia elétrica, está mais barato apelar-se para outras fontes de energia ou mesmo recorrer-se a pequenas usinas hidroelétricas do que contar com o sistema de energia vigente já devidamente loteado e carimbado. Trata-se de um fenômeno espontâneo, como o de um coração sadio procurando um corpo melhor. Garantiram o preço do monopólio, falta, agora, para que a espoliação seja definitiva, os fornecedores prenderem o consumidor a esta estrutura cartelizada. Os grandes estão se defendendo e buscando saídas. Os pequenos (a maioria absoluta da população) estão, tal qual uma manada, dispersos em seu exercício de sua cidadania tupiniquim e encurralados pelo leão da pseudo-legalidade.

Procurando uma causa contundente para a disparada recente da desordem na infra-estrutura, não haveria dúvida nenhuma em registrar que o processo de privatização foi um engano e creio que em todo o mundo. Na Rússia tivemos uma reversão do modelo e imagino que, mesmo sob a confusão institucional em que me parece se encontra esse país, está melhor do que no passado da Perestroika. Deixando o mundo aos seus criadores, o que sei de fato é que a tal da privatização, em exercício pleno da privataria escancarada, no Brasil, foi um desastre. Acrescida a essa acumulação primitiva, some-se a bagunça legal a respaldar os desmandos dos órgãos regulatórios que fecharemos a contabilidade da extorsão. O mecanismo prático a engendrar a desordem está bem documentado: são contratos que garantem às concessionárias reajustes tarifários escandalosos, de forma a se garantir ad hoc uma rentabilidade em dólar ou real de quase 12% a.a. É um retorno espetacular que só poderia resultar em aumentos tarifários como os que estamos tendo ao longo desses anos pós-privatização.

Moral da história: o sistema institucional vigente é que gera o modelo casa grande e senzala, onde o povo não apita nada, em lembrança de que índio quer apito. Temo apenas pela tal das crenças que, como tanto falam Douglass North e o esquecido Gilberto Freyre, podem estar atuando de forma contundente, perpetuando o modelo da Casa Grande & Senzala. Em exemplo didático, cito que, aqui, no Brasil pardo, querem ressuscitar a “consciência negra” - aquela mesma do QI de berimbau que privilegia o presente, o aqui e o agora em busca de uma referência africana legítima. Quem sabe a omissão generalizada a se alastrar no Brasil não seja o puro retrato dessa consciência madrasta.

Comentários

  1. Como você disse no post inicial, o problema do Brasil não é econômico. É político. Agora, pelo Arruda, estamos confirmando o que até cego vê.
    Um abraço
    João Henrique

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  2. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA!1
    Viva Zumbi! Viva Che!Viva Hugo Chávez! Feliz 2010!
    Conscientização Justiça Prosperidade Solidariedade
    Fraternidade Amor Paz. Socialismo Quilombolivariano
    Ao Nosso Povo Viva Brasil! Venceremos Feliz 2010!
    Manifesto em solidariedade, liberdade e desenvolvimento dos povos afro-ameríndio latinos, no dia 01 de maio dia do trabalhador foi lançado o manifesto da Revolução Quilombolivariana fruto de inúmeras discussões que questionavam a situação dos negros, índios da América Latina, que apesar de estarmos no 3º milênio em pleno avanço tecnológico, o nosso coletivo se encontra a margem e marginalizados de todos de todos os benefícios da sociedade capitalista euro-americano, que em pese que esse grupo de países a pirâmide do topo da sociedade mundial e que ditam o que e certo e o que é errado, determinando as linhas de comportamento dos povos comandando pelo imperialismo norte-americano, que decide quem é do bem e quem do mal, quem é aliado e quem é inimigo, sendo que essas diretrizes da colonização do 3º Mundo, Ásia, África e em nosso caso América Latina, tendo como exemplo o nosso Brasil, que alias é uma força de expressão, pois quem nos domina é a elite associada a elite mundial, é de conhecimento que no Brasil que hoje nos temos mais de 30 bilionários, sendo que a alguns destes dessas fortunas foram formadas como um passe de mágica em menos de trinta anos, e até casos de em menos de 10 anos, sendo que algumas dessas fortunas vieram do tempo da escravidão, e outras pessoas que fugidas do nazismo que vieram para cá sem nada, e hoje são donos deste país, ocupando posições estratégicas na sociedade civil e pública, tomando para si todos os canais de comunicação uma das mais perversas mediáticas do Mundo. A exclusão dos negros e a usurpação das terras indígenas criaram-se mais e 100 milhões de brasileiros sendo este afro-ameríndio descendente vivendo num patamar de escravidão, vivendo no desemprego e no subemprego com um dos piores salários mínimos do Mundo, e milhões vivendo abaixo da linha de pobreza, sendo as maiores vitimas da violência social, o sucateamento da saúde publica e o péssimo sistema de ensino, onde milhões de alunos tem dificuldades de uma simples soma ou leitura, dando argumentos demagógicos de sustentação a vários políticos que o problema do Brasil e a educação, sendo que na realidade o problema do Brasil são as péssimas condições de vida das dezenas de milhões dos excluídos e alienados pelo sistema capitalista oligárquico que faz da elite do Brasil tão poderosas quantos as do 1º Mundo. É inadmissível o salário dos professores, dos assistentes de saúde, até mesmo da policia e os trabalhadores de uma forma geral, vemos o surrealismo de dezenas de salários pagos pelos sistemas de televisão Globo, SBT ,Record IURD,BAND e outros aos seus artistas, Movimento Revolucionário Socialista QUILOMBOLIVARIANO

    vivachavezviva.blogspot.com/

    quilombonnq@bol.com.br
    Organização Negra Nacional Quilombo
    O.N.N.Q. Brasil fundação 20/11/1970
    por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

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  3. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA! 2
    Viva Zumbi! Viva Che!Viva Hugo Chávez! Feliz 2010!
    . .
    Manifesto da Revolução Quilombolivariana vem ocupar os nossos direito e anseios com os movimentos negros afro-ameríndios e simpatizantes para a grande tomada da conscientização que este país e os países irmãos não podem mais viver no inferno, sustentando o paraíso da elite dominante este manifesto Quilombolivariano é a unificação e redenção dos ideais do grande líder Zumbi do Quilombo dos Palmares a 1º Republica feita por negros e índios iguais, sentimento este do grande líder libertador e construí dor Simon Bolívar que em sua luta de liberdade e justiça das Américas se tornou um mártir vivo dentro desses ideais e princípios vamos lutar pelos nossos direitos e resgatar as histórias dos nossos heróis mártires como Che Guevara, o Gigante Oswaldão líder da Guerrilha do Araguaia. São dezenas de histórias que o Imperialismo e Ditadura esconderam.Há mais de 160 anos houve o Massacre de Porongos os lanceiros negros da Farroupilha o que aconteceu com as mulheres da praça de 1º de maio? O que aconteceu com diversos povos indígenas da nossa América Latina, o que aconteceu com tantos homens e mulheres que foram martirizados, por desejarem liberdade e justiça? Existem muitas barreiras uma ocultas e outras declaradamente que nos excluem dos conhecimentos gerais infelizmente o negro brasileiro não conhece a riqueza cultural social de um irmão Colombiano, Uruguaio, Argentina, Boliviana, Peruana, Venezuelano, Argentino, Porto-Riquenho ou Cubano. Há uma presença física e espiritual em nossa história os mesmos que nos cerceiam de nossos valores são os mesmos que atacam os estadistas Hugo Chávez e Evo Morales Ayma,não admitem que esses lideres de origem nativa e afro-descendente busquem e tomem a autonomia para seus iguais, são esses mesmos que no discriminam e que nos oprime de nossa liberdade de nossas expressões que não seculares, e sim milenares. Neste 1º de maio de diversas capitais e centenas de cidades e milhares de pessoas em sua maioria jovem afro-ameríndio descendente e simpatizante leram o manifesto Revolução Quilombolivariana e bradaram Viva a,Viva Simon Bolívar Viva Zumbi, Viva Che, Viva Martin Luther King,Malcolm X Viva Oswaldão, Viva Mandela, Viva Chávez, Viva Evo Ayma,Rafael Correa, Fernando Lugo, Viva a União dos Povos Latinos afro-ameríndios, Viva 1º de maio, Viva os Trabalhadores do Brasil e de todos os povos irmanados.
    Movimento Revolucionário Socialista QUILOMBOLIVARIANO

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    O.N.N.Q. Brasil fundação 20/11/1970
    por Secretário Geral Antonio Jesus Silva

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  4. REVOLUÇÃO QUILOMBOLIVARIANA é o catzo. Este é um blog com pendores liberais. Para mim, os seus heróis são meus inimigos.

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