O rol de estúpidos é sem fim – o ex-ministro da previdência e sua aritmética jumenta.


Não me canso de elencar a estupidez local. Agora, falo da do ex-ministro Cechin que, ainda aos 44 anos pretendia aposentadoria saborosa do setor público, em exemplo característico de que escrúpulos é coisa de babaca, se acha legitimado para nos dar lições de vida. Já, pela minha moral enfezada, desclassifico o cara para qualquer pregação previdenciária, achando, em minha simplicidade arcaica, de que, nessas condições privilegiadas, o melhor seria se fingir de morto. Qual o quê. Ele quer mais, achando que sabe das coisas e deita falação cretina sobre o caos previdenciário caso acatem o fim do fator previdenciário – aquele que permite uma aposentadoria mais alta por aqueles que pagaram mais nos 35 anos de contribuição, porém são novos para se aposentar. Lembro que tal fator foi criado nos gabinetes soturnos de Brasília que arranjam as contas públicas para acertos de contas entre poderosos. Como sempre, o povo é resíduo.


Para mostrar a impossibilidade de se permitir a reversão à legalidade, posiciona-se contra o fim do fator previdenciário com teses alarmistas – sem se preocupar se direitos consagrados estão sendo roubados, afundando ainda mais um pouco o sonho previdenciário da choldra. Ensaia uma aritmética banal da previdência e mostra a impossibilidade técnica de se conceder qualquer reajuste. Fala de um déficit previdenciário certo, esquecendo de dizer que ele já nasceu escamoteado pela contabilidade esperta de quem faz o fechamento das contas públicas, acertadas em gabinetes escondidos na esplanada dos Ministérios. Pior de tudo. Esquece o malandro da previdência de ver o óbvio: o que se paga como contribuição mensal não dá mesmo para uma aposentadoria justa para quem quer que seja.

Nessa linha de raciocínio, você poderia me indagar simplesmente pela minha aritmética. Respondo, é de natureza filosófica. Em todos os cantos civilizados, estamos vendo a trajetória dos impostos subindo exatamente para atender a demanda por benefícios sociais, em compensação geracional. Outros economistas trazem novos argumentos para fundamentar a previdência social extensível a todos os cidadãos. Eu os dispenso, simplesmente, porque, na prática, já se implementou a solução: aumento da carga tributária e ponto. O certo é que todo cidadão teria direito a uma aposentadoria de digamos de R$ 2.500,00 mensais – o rombo nas contas federais seria de cerca de R$ 500 bilhões anuais (ajustando-se para a recuperação fiscal desses gastos). Poderiam argumentar que seria elevado. Concordo. Mas não é um número imaginário. É real e muito real. Isso sem falar de que a dinâmica da economia brasileira não está na trajetória do crescimento sustentável que fatalmente nos levaria a outro valor para a arrecadação tributária e quem sabe até para um valor de R$ 3.000,00 como benefício previdenciário. Se alguém não gostar desse valor previdenciário que trate de poupar a seu jeito e modo.

De fato, se o cidadão jovem, na formalidade do setor privado, que paga a sua previdência em dia, não consegue atuarialmente pagar pela sua aposentadoria, como a do servidor público poderia pagar pela sua também que é totalmente fora do mercado? Ninguém, no sistema atual, paga pela sua aposentadoria futura ou presente. Ela é impagável. Muito menos pagam pela dos outros que já estão encostados – potoca que jovens economistas desprovidos de raciocínio básico gostam de propalar a rodo, em botequins de péssima freqüência querendo fritar os velhos. Por isso que a lógica previdenciária tem que se dar em outras esferas, desdenhando-se da aritmética atuarial que é precária do começo ao fim para fundamentá-la.

O que é lamentável é esconder o escárnio da previdência privilegiada dos servidores públicos a lhes garantir a mesma remuneração da ativa quando saem da vida pública que, como poucos sabem, é vergonhosamente fora do mercado. Não culpo o cidadão que corre atrás dessa mamata. Pelo contrário, digo aos meus filhos: esse é o caminho, até porque se vier o desmonte do setor público, todos iremos ganhar. Culpo apenas os que escondem as mazelas políticas e propõem coisas que não cumprem, em manutenção de privilégios indecentes e torcem para que as contas públicas se ajustem em cima do povo.

Para piorar as coisas, o Brasil também imitou a trajetória tributária ascendente mundo afora. O triste é que não a fez para ajustar ao bem-estar social. Mas para fabricar um orçamento extemporâneo, fruto da ditadura militar e aperfeiçoado pela democracia sindicalista, comprometida com a elite, principalmente no financiamento da dívida pública e pela manutenção de benefícios a ricos e poderosos, engendrados nos templos sagrados da extorsão: FIESP e FEBRABAN.

Não posso deixar de completar a série vá pro inferno, sem me referir explicitamente a mais um esperto criado na maçonaria do serviço público: vá pro inferno Cechin!


Comentários

  1. Oh tio quem paga a tua aposentadoria sou eu que dou um duro do cacete.

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  2. Até o Delfim Nota falou da previdencia dos marajas. Ninguém vê isso?
    um abraço
    Joao Pedro

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  3. Professor Marco tire-me umas dúvidas. O cidadao, sei lá, um atendente de loja por exemplo, jà tem a porcentagem para a aposentadoria descontada do Salário nè? Aposentadoria essa que nao seria proporcional aos ganhos na ativa, certo? Bom e o cidadao que trabalha, por exemplo, no banco do Brasil, tem descontado a mesma porcentagem no caso do vendedor e ainda complementa pagando mais um pouco pra caixa de aposentadoria do Banco, garantindo uma melhor aposentadoria, é assim? E é verdade que senador, governador tem aposentadoria garantida com apenas um mandato?

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  4. Alo Lara,bom tê-la por aqui, passeando e tirando suas dúvidas. Em primeiro lugar,temos que separar a previdência do setor privado e a dos servidores públicos. A dos servidores públicos geralmente garante o mesmo salário da ativa quando o servidor se aposenta. No caso do setor privado, algumas poucas empresas mantém uma previdencia privada que auxiliaria na aposentadoria do INSS. Essa, a do INSS, dependendo da sua contribuição, lhe permite chegar ao máximo de R$ 3 mil por mês como aposentadoria. Mas para isso, você terá que ter contribuido para o INSS por mais de 35 anos e ter pra lá de 63 anos. Se voce tiver contribuido por mais de 35 anos o valor máximo permitido e tiver por volta de 55 anos, sua aposentadoria seria por volta de R$ 1500,00. Do ponto de vista da sociedade como um todo que se beneficia da previdencia oficial (INSS) a aposentadoria média é de cerca de R$ 500,00 a R$ 700,00. O que é muito injusto. A minha tese é de que se pagamos impostos, poderemos ter uma boa aposentadoria pra cada cidadão. O patamar que propus, no contexto político presente, é inviável. Mas não é uma coisa do outro mundo. Pra finalizar, lhe digo, como ex-funcionario do bb, há dois tipos de funcionarios bb. Aqueles que estão no plano previdenciario antigo (que vale para quem entrou no banco até 198? e é o meu caso)e no novo. Quem está no novo, receberá o que pagou, dependendo ainda do valor que possa ter no mercado os titulos e empreendimentos que correspondem aos valores recolhidos dos funcionários quando na ativa. O Plano anterior conta com um fundo que tem que observar certas regras e assim dá um valor de aposentadoria bem maior do que o plano dos novos. Para finalizar, meu sentimento é que vejo um grande problema com a previdencia privada: você fica nas mãos dos bancos e como sabemos são uns malandros sem igual, como comprovou a crise passada e comprovarão as crises futuras. Se tiver que escolher uma cloaca para se aposentar, escolha o setor publico. É uma mamata só. Bjos e volte sempre.

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