O modelo casa grande & senzala – seus exemplos corriqueiros


Não me cansarei de exemplificar o modelo do subdesenvolvimento brasileiro. De imediato, para afastar os reformistas do nada, não me filio às trincheiras esquerdistas. Aceito, em geral, o seu diagnóstico e relato da desgraça geral. Mas quanto às causas verdadeiras e assim as soluções, existe uma distância abissal. De cara, descarto o imperialismo. Principalmente o americano. Descarto ainda a dependência tecnológica. Lá no fundo do abismo, só abraço, em comunhão esquerdista, a hipótese testável da corrupção. Para não deixar de exemplificar a reles corrupção,igualmente imbricada a todas as outras formas, falo do Gontijo, dono de construtora de edifícios de igual nome e teor, corruptor, flagrado dando grana para os corruptos, em propina vitaminadora ao mensalão do DEMO. Qual a razão dessa propina? Simples. Manter o privilégio de construir prédios fora do padrão, em áreas já carimbadas pelo planejamento urbano. A grana tem que alimentar os políticos que alterarão as leis ou até mesmo reinventarão outras para permitir a ação depretativa. Conseqüências óbvias desse ataque da construção civil corruptora: aumenta o valor da propina futura; aumenta o aquecimento da cidade, com efeitos óbvios sobre o meio ambiente, propiciando inundações e onerando o orçamento futuro do município para manter os gastos com obras públicas que mais empreendimentos exigirá tal modelo perverso; aumenta o inchaço da cidade que convocará novas obras públicas para dar conta não só de empregos artificiais,mas sobretudo para manter em pé o que se edificou em resposta às demandas geradas pelo próprio modelo da corrupção; e aumento da violência, pelo exemplo didático da bandidagem.

Naturalmente que o modelo é o do domínio do poder público – legislativo, executivo e judiciário – pelo poder econômico, em cantilena de uma democracia que não se justifica, abrigando ex-terroristas do mal e comunistas de meia tigela, em busca de um butim fácil. Os mentores desse modelo estão aboletados nas três grandes instituições privadas: FEBRABAN, FIESP e RURALISTAS. A regra é uma só: apartar os recursos naturais e o orçamento público e manter reservas de mercado. O meio para fazer isso? Dominar o legislativo que dominará o executivo e o judiciário. As leis serão os nossos inimigos mortais. Vê-se bandido pegando dinheiro sujo de outro bandido de pior escória e não vão para a cadeia, porque as leis, os processos legais e os homens da justiça são todos imorais, pela simples aceitação e obediência ao que é imoral e indecente. Os cidadãos comuns da classe média que pagam impostos já na folha de pagamentos, esses sim uns bandidos da omissão, pois alimentam a corrupção e ficam atônitos quando o povo grita: pega ladrão.

Para exemplificar o efeito macro desse modelo de subdesenvolvimento, tomarei como referência o modelo centralizado da energia, no tocante ao programa do álcool e o biodiesel. É um programa centralizado que tem seus interesses amarrados à matriz energética brasileira que é cartelizada. Isso significa que o preço do álcool e o biodiesel são decididos em gabinete (prática implementada pelo “genial” Mário Henrique Simonsen que, com sua calculadora HP2o, determinava o preço da gasolina, do gás de cozinha, óleo diesel e álcool, viabilizando a indústria petroquímica, com o preço da nafta alegremente subsidiado, obtido residualmente, em aritmética banal da ladroagem. Prática exatamente não descrita e muito menos citada em seu livro cópia dos americanos de microeconomia, fazendo valer a tese intelectual rasteira: esqueçam o que escrevi). Qual a implicação desse modelo centralizado? É que a extorsão não pára aí. É preciso grana turbinada que vem do BNDES e do Banco do Brasil, quando não do Tesouro ou do esquema da Petrobrás,gerando uma função de produção nova, com muita máquinas e pouca gente carpindo. Quais as conseqüências desse programa do álcool? Em primeiro, preço do álcool fora da realidade de mercado. Em segundo, expansão da monocultura, com todos os problemas ecológicos que disso decorre. Em terceiro, o enfraquecimento de estruturas agrárias ligadas às atividades do álcool, mas fora do modelo da Casa Grande, como bem documenta o Jornal O globo na edição de economia de 13/12/09. Em quarto, o deslocamento da mão-de-obra do campo para a cidade. Chutam a turma dos bóias-frias de São Paulo para os grandes centros. Chutam os pequenos agricultores das regiões afetadas pela concorrência predatória (cadê o CADE?) para lá também. Para onde vai essa turma de excluídos? Para as grandes cidades, pois migalhas podem ser recolhidas à beça em todas as esquinas dessas grandes cidades. O que dizem os dados? A imigração justifica o inchaço das cidades e a pauta de exportação e a matriz de insumo-produto o desequilíbrio na estrutura produtiva, exacerbando-se o item serviços (público e financeiro). Para piorar a situação, só atividades que levam a degradação ambiental proliferam. Pelo lado dos ruralistas, o abuso aos fertilizantes, à irrigação sem limites e a prática do desmatamento deixam marcas definitivas de mudanças. Pelo lado dos excluídos, o abuso na criação de gado com formas produtivas de manuseio precárias leva a uma desertificação provável e irremediável.

O modelo tem sua dinâmica ajustada: o empobrecimento do campo e o inchaço da cidade. Política óbvia para dar cabo disso: fim da corrupção e instituições corruptoras. Poderiam indagar, em ação saneadora, se , para dar cabo dessa bagunça agrária, seria necessário reforma agrária? Pode até ser, mas não seria condição necessária para se exterminar o modelo do subdesenvolvimento. Pelo contrário. Se até os legítimos pequenos agricultores estão sucumbindo, por que não morreriam na praia os agricultores inventados pela ficção esquerdista? Quem prega que é o imperialismo a causa causadora de todos os nossos males, prega a derrota. Porque , se verdadeira for a tese, perdemos! Assim, não posso contar com a ajuda do MST, que acha que o fim do mundo é ser americano, mesmo quando apontam os bandidos daqui. De qualquer forma, se palavras de ações imediatas bradaria, além da mais dura contra os corruptos e essa falsa democracia, estas seriam: descentralizar todos os programas e extinguir instituições potencialmente corruptas, como BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica.


Comentários

  1. Augusto Freitas14 dezembro, 2009

    O modelo Casa Grande & Senzala é muito bem exemplificado neste blog. Nota-se claramente que a Casa Grande a cada dia aumenta os seus domínios, fazendo com que cada vez mais pessoas ocupem a Senzala. O Gontijo foi citado no seu texto como um dos que está habituado a favores dos nossos governantes. Nesse sentido, você vê o grupo dos empreiteiros como um grande candidato a integrar, num futuro próximo, esse grupo que domina o país (FEBRABAN, FIESP E RURALISTAS)?

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  2. Com certeza Augusto. Só que um modelo deverá contemplar poucos elementos. Um bom modelo é sobretudo especulativo, ou seja, são hipóteses que, vindo não se sabe bem de onde, a principio, podem não ter nenhuma conexão com a realidade, mas que se revestem de propriedades específicas que dão firmeza em suas prescriçòes. Testar a teoria é outro passo importante.
    Um abraço. Marco B

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