Reformas microeconômicas, por que são importantes?

Reformas microeconômicas, por que são importantes? Se tem algo que sempre me despertou atenção foram os tais dos teoremas do bem-estar em economia. Temos dois. O primeiro e o segundo. Se há espaço para políticas públicas, são esses teoremas que estão a postos e clamam apenas por uma coisa: ambiente competitivo. Se tem, portanto, algo que um bom governo possa fazer, fora as decisões políticas que toma pelo desejo expresso da ampla maioria, tirando certas atividades do mercado (de preferência poucas), como previdência, saúde, educação e segurança e poucas mais, é exatamente animar o ambiente econômico com competição pra todos os lados. O mundo competitivo é plural. Traz oportunidades para todos já que persegue os fortes, economicamente falando. Traz progresso, pela luta incessante de se sobreviver às disputas ferrenhas pelo lucro que fomenta nos agentes econômicos. Traz aumento do progresso, porque é a inovação e o aumento da produtividade que fazem crescer os salários e lucros. Mas cadê que falam das nossas ineficiências microeconômicas? Vou começar a desancar: A primeira é o cartel da Petrobrás que define preço do petróleo, gasolina, álcool, biodiesel, gás e tudo o mais que cair na sua malha fina de combustível ou como lenha na fogueira dos produtos relacionados ao petróleo. A sua prática é ímpar. Nem Hugo Chaves consegue tal coisa. Para quem não lembra, ele, o caudilho bolivariano, reclamou do Lula e do presidente da Petrobrás quando conversavam sobre os investimentos da estatal petrolífera venezuelana no Brasil, dizendo o seguinte: preço quem dita é o mercado ! (pasmem ou pastem ,sei lá). Os sindicalistas brasileiros queriam e querem preços administrados, em conchavos que não podemos alcançar, dada a bagunça contratual que envolveram a Petrobrás. Nesse funil do CADE, onde malandros aos montes estão sentados confortavelmente em cadeiras conselheiras, não querem ouvir e muito menos falar das mazelas da Petrobrás. Dirão: é uma empresa estratégica. Agora, imaginem o impacto da liberação do Proálcool das garras dos paulistas que mandam na Agência Nacional de Petróleo: cada um dos brasileiros perdidos nesse Brasilzão produzindo e vendendo álcool onde quiser e pelo preço que quiser. Certamente botaria lenha no crescimento e na distribuição da renda. Na mesma linha, temos a turma da regulação. Conseguiram aumentos de tarifas que batem com sobra na inflação. A regra simples que os economistas proclamam há anos: preço igual ao custo marginal está amarelando junto com os bons livros de microeconomia. Garantir rentabilidade real de 11% é coisa de bandido. Mercado nesses cachorros. Veja também o sistema bancário. Exigem pedágios milionárias para criação de novos bancos e promovem a concentração bancária amalucada, sem falar no próprio sindicato, um aborto econômico. Como exemplo recente das práticas amalucadas de concentração bancária sórdida, cito o malandro que agora é autoridade monetária que comprou, com dinheiro do povo, banquinho falido e só quis 49% das ações. Eu que pensei que pudesse dar cadeia, deu foi promoção. Veja o BNDES que dá dinheiro a torto e a direito para os donos do poder, salvando sempre as empresas dos velhos coronéis que habitam o poder há anos. Veja o caso das tarifas para importação. Falam que para importar carro temos que pagar algo como 80% a mais em tarifas e taxas e não podemos importar carro usado. Tudo indica que a importação de certos itens pertencem a certos empresários. Para os automóveis uma regra desse tipo certamente vale. Isso sem falar em fábricas que estão sendo desativadas, porque simplesmente importam tudo e produzem apenas o rótulo: made in Brazil! (vejam, em post do mês passado, declaração do chefe do sindicato das indústrias de bens de capital).

Tem mais coisas sobre ineficiências, como as que o Scheinkman falava e que estão ligadas às velhas questões da infraestrutura. Mas até ele cansou desta bosta que é o Brasil, pois só foi dar uma pequena estocada na FIESP que a turma resolveu cortar seu uísque. Eu também tô ficando desanimado, principalmente pela falta de articulação para mudar de forma efetiva o estado de coisas. Os partidos políticos, verdadeiras arapucas, estão a todo vapor produzindo políticos corruptos. O Congresso, dominado pelo Senado, já que é mais barato reunir um bando de vagabundos do que um bando quatro vezes maior, não nos oferece uma saída crível. Travam todas as matérias importantes à população. São o fiel da balança. No campo do Judiciário há uma paralisia total e raramente este Poder consegue impor limites aos demais Poderes, mesmo quando estão flagrantemente vilipendiando as suas Instituições - que deveriam ser nossas.

Quem quer ser paleoliberal tem que saber que, mexendo em interesses de bilhões, vai incomodar, atraindo todo tipo de amigos e inimigos. O pior é quando o inimigo está dentro da própria casa. Veja o que dizem os economistas treinados na microeconomia que conhecemos:

"O discurso neo-liberal [...], ainda defendido por economistas ligados ao setor financeiro, se baseia nas seguintes proposições: (a) o maior problema do Brasil é a falta de reformas microeconômicas que permitam o livre-funcionamento do mercado,..."

Isso é um mantra reverso:reformas microeconômicas que permitam o livre funcionamento do mercado não foi criticado em uma só palavra no texto de onde extraí essa pérola. Por quê? Simplesmente porque mexe com interesses bilionários e ninguém quer cutucar a onça com vara curta. Então basta entoar a palavra reforma microeconômica que você já tem o carimbo de superado, reacionário ou qualquer outro do gênero canalha. Para piorar, o economista esperto que pregava reformas microeconômicas, buscando uma boquinha no poder conseguiu seu vôo de galinha: foi parar na Estatal de Resseguros.

Pra terminar, falo mal da lei de falência: um ícone das reformas microeconômicas. Balela. Agora, quem decide se uma empresa vai falir ou não são os credores. Imaginem a farra que o Banco do Brasil, BNDES farão! Se você lembrar que as leis tributárias e fiscais permitem refinanciamento de dívidas de sonegadores, provavelmente dirá: Fui!



Comentários

  1. Mercado neles.Muito bom.
    toquinho do ceará.

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  2. sem falar no próprio sindicato, um aborto econômico. = hahahahahahaha. mto bom!

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  3. Caro Marco,
    Parabéns pelo blog.
    Lembro muito bem das tuas aulas, sempre esclarecedoras.

    abraços
    helton

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  4. Augusto Freitas13 abril, 2010

    Vez por outra a imprensa escrita dá uma cutucada no BNDES. Por que será que não se vê isso na televisão? A grande mídia também é sustentada pelo BNDES?

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