Simonsen: um péssimo policymaker!

Eu só um dos que acusam Simonsen de ter sido um péssimo policymaker. Ele foi o gestor da economia na pior ditadura que o Brasil encarou. Criou muitas das ineficiências microeconômicas que ainda estão por aí, principalmente a cartelização da Petrobras, sem falar na estratégia errada do endividamento externo (se bem que ex-post é fácil falar). Para quem não sabe, ele andava pelos corredores da Petrobrás com sua HP, calculando o preço ótimo da gasolina. Controlava o câmbio e incentivava as empresas estatais a se endividarem fora do seu padrão normal de investimentos, com o único intuito de fechar as contas externas, em ideologia tosca de que o câmbio mata – obviamente o fixo, quando se teima em mantê-lo. Inventou a indexação – assimétrica, obviamente! Para quem não sabe, foi também gestor da política salarial, com picos e médias e o escambau, resultando tudo obviamente em arrocho salarial. Acredito que tenha sido o mentor também dessa famigerada política salarial. Para quem não sabe, Simonsen disse na Veja: no atual estágio do conhecimento econômico não se pode levar a serio Marx, Friedman e Hayek – Os paleoliberais não se incomodam com isso? Para quem não sabe, Simonsen disse que, referindo-se ao índice de preços de um dado mês a inquietar a milicada assalariada, a causa da inflação, no mês, era por conta do chuchu, como vem agora o Mantega dizer que a inflação é por conta do tomatinho. Isso sem falar na montanha de índices inventados para corrigir as distorções inflacionárias. Não o conheci pessoalmente, mas acho que o seu desempenho na prática de política econômica foi, de fato, muito ruim. Para consolar os apaixonados, guardando as devidas proporções (daqui à lua), o Lucas nos lembra que o mesmo aconteceu com o Samuelson na era Kennedy. Enfim, quem tiver bons depoimentos sobre a sua prática de política econômica que nos dê as informações; eu muito apreciaria.

Para quem nutre simpatia por ele, não tome meu depoimento acima como algo pessoal. Isso é política, tal qual ele fez também. Mas também não me furto às considerações outras, sabendo que o berreiro pode ser grande. Se há algo de positivo sobre sua personalidade, destaco sua consciência plena do lado que escolheu. Jamais fez proselitismo, tanto a gosto dos petistas stalinistas, para defender sua posição política. Mesmo sabendo que trabalhava para bancos, tanto que criou a dívida interna mobiliária indexada, garantindo rentabilidade certa e exagerada a sua turma, não fugiu às críticas e acelerou a concentração bancária. Mesmo tendo sido denunciado em priscas eras por legislar em causa própria ao propor aos milicos, detentores do poder pelo golpe baixo da ditadura militar de 1964, novo texto legal sobre aluguéis que, diante da inflação galopante que veio com JK e se cristalizou com Jango gerando perdas aos rentistas e aos proprietários de imóveis, recolocaria nos trilhos o mercado imobiliário. Entretanto, como noticiaram os jornais da época, ele e sua turma, uma semana antes da promulgação da nova Lei, abrindo a era das decisões secretas e confinadas aos entendidos em exercício esperto do uso e abuso de informações privilegiadas, compraram penca de imóveis que valorizaram espetacularmente após a promulgação da Lei. Mesmo sabendo que criou a indústria petroquímica à custa dos nossos impostos - com o seu chefe e admirador General Geisel presenteado com um monte de ações de uma dessas empresas, conforme denunciou à época o deputado federal João Cunha - tenho que reconhecer: assumiu tudo e jamais fez proselitismo no estilo lullista. Na luta de classes, se posicionou sem culpa ou medo. Ficou do lado dos banqueiros. Nunca negou sua opção política e morreu com uma conta bancária de 50 milhões de dólares. Muitos dirão: mereceu.

Uma fofoca: Para quem acha que aprendeu expectativas racionais em livro de macro tupiniquim, existe uma estória que circula nos meios conspiradores e maldosos que nos deixa com uma pulga e um cachorro nas mãos. Foi no encontro de econometria de 1987, em São Paulo, onde palestrante ilustre (um doce para quem adivinhar o nome) deitava falação sobre expectativas racionais, com dois famosos economistas a escutá-lo, em versão bilíngüe da palestra: Lucas e Telser, este morrendo de rir. Até que em dado instante, Lucas se levanta e diz: Stupid Guy! lets Go. Foi e nunca mais voltou para essas palestras tupiniquins. Hoje, ele, Lucas, reclama para alguns de seus pupilos que economistas ilustres daqui, treinados em hostes americanas, estão se enriquecendo à custa do povo brasileiro. Quem se importa?

Ao final, o que estou fazendo descaradamente aqui neste post é política. Se tivesse sido aluno do “homenageado” talvez tivesse mais cuidado com o meu verbo. Espero que algo de útil saia daqui. Melhor dirão os meus amigos – os inimigos, quero que se danem!



Comentários

  1. Malandragem, chutou não só a lata, como também o pau da barraca, a canela de vidro e muito mais. Quem é o próximo?

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  2. Ele foi um excelente professor, diferentemente de você e seus professores. A inveja é uma merda.
    De quem estudou com a fera!

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  3. Ao anônimo raivoso: não estou negando que Simonsen fosse bom professor ou até que conhecesse bem economia. Tem livros de micro e macro. Já os de política econômica....

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  4. Clap! Clap! Clap!

    Bravo Professor!!! Foi na veia. É preciso separar o Joio do Trigo.

    Simonsen em Política Economica foi uma m... Lembro-me de um comentário do Professor Amairte sobre uma declaração do Prof. Simonsem, a epoca em que era ministro da fazenda:

    "O diabo é que a nossa inflação não é de demanda ou de custo. É inflação de chuchu mesmo. (Mário Henrique Simonsen em 1977)"

    Marcos Paulo

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  5. Marco, boa noite!
    Isso é que eu chamo chutando a lata!!! Gostei do post, mas por ser admirador do Simonsen, talvez não tenha tido antes essas suas observações.
    Eu já escrevi em algum lugar que ele era genial. Por coincidência ganhei nestes dias uma espécie de "manual" que ele publicou sobre matemática financeira que continua ótimo e terá um lugar de destaque na minha estante.
    Quando o tempo permitir irei aprofundar o assunto, tenho vários livros dele ou sobre ele comigo e não penso que ele tenha sido um representante da linha dura durante o regime militar. Acredito que ele, inteligentemente, buscou o melhor na economia e, na vida particular, sem muitas firulas sobre torturas etc.
    Grande abraço de seu leitor,
    João Melo, direto da selva amazônica!

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  6. Off Topic:

    UCB supera UNB?

    Vejam:

    http://ideas.repec.org/top/top.brazil.html

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  7. Com certeza o arrocho salarial é a sua marca registrada.

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