Fisgando um comentário de Milton Friedman sobre “target”de juros

Este comentário foi extraído da entrevista que Milton Friedman concedeu a Rádio Austrália em 17 de julho de 1998 -
http://www.abc.net.au/money/vault/extras/extra5.htm

RA: Professor Friedman, gostaria de levá-lo a questão dos bancos centrais, ou pelo menos alguns bancos centrais.Alguns deles parecem não acreditar que, pelo direcionamento da oferta monetária, através da base monetária, poderiam controlar a taxa de inflação e, em vez disso, parecem ter se voltado principalmente às taxas de juros. Você acha que isso tem ocorrido, pelo menos em alguns bancos centrais ao redor do mundo, e quais são suas implicações para a política monetária?

Professor Friedman:
Isso não é uma questão de princípio básico, mas de técnica. Quando eles assim chamam “target” da taxa de juros, o que estão fazendo é controlar a oferta monetária via taxa de juros. A taxa de juro é apenas um instrumento intermediário. Só há uma coisa que todos os bancos centrais controlam: a base monetária, suas próprias obrigações, e podem controlá-la de várias maneiras. Eles podem controlá-la diretamente através de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos ou outros ativos, como por exemplo, compra e venda de ouro, ou podem controlá-la indiretamente, alterando a taxa à qual os bancos emprestam uns aos outros.

Os bancos centrais não podem controlar as taxas de juros. Isso é um erro. Eles podem controlar uma determinada taxa, tal como a taxa de fundos federais, se quiserem, mas eles não podem controlar as taxas de juros. Se os bancos centrais pudessem controlar as taxas de juros, você nunca teria tido as taxas de juros em 10-15% na década de 1970. Se eles pudessem controlar as taxas de juros, poderia o Brasil agora ter taxas de juros no intervalo de 20-30%? O que os bancos centrais podem controlar é a base monetária e uma maneira de controlar a base monetária se dá através da manipulação de uma taxa de juros particular, como uma taxa de fundos federais, a taxa overnight em que os bancos emprestam uns aos outros. Mas eles usam aquele controle para controlar o que acontece com a quantidade de moeda. Não há desacordo. Nenhum banqueiro central hoje discorda com a proposição de que a inflação é essencialmente um fenômeno monetário. Nenhum deles vai discordar que qualquer inflação tem sido acompanhada por um rápido aumento na quantidade de dinheiro e de toda a deflação por um declínio na quantidade de dinheiro. Creio que este argumento sobre as taxas de juros versus a base realmente leva você para fora da estrada principal.



Comentários

  1. Marco,
    Preciso falar com vc em OFF (por favor, não comente isso no blogão). Vc pode me mandar seu email? Mande para katiafatos@yahoo.com
    Bjs
    Kátia Moraes ( do blogão)

    ResponderExcluir
  2. Meu email: 1254bittenco@gmail.com

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas