O Mito do Planejamento econômico de longo prazo

Se tem algo fora de foco e completamente desfigurado é o papo de falta de planejamento econômico de longo prazo. Como referência crítica à baboseira certa, indico os manuais de economia. Podem procurar que não irão encontrar esse papo furado de planejamento de longo prazo. Claro, nos manuais socialistas ou abilolados, por definição, lá estarão as matrizes insumo-produto cumprindo seu mister bestialógico de se calcular a tal das relações interindustriais. Chutando a lata do planejamento, tenho que falar sobre o que resta. Não tomem a resposta mercado como certa e exata. Existem adornos sociológico, político e cultural necessários. Mas antes, é preciso definir que mundo queremos. Um mundo com governo atuando na linha de uma social democracia ou um mundo com governo em papel reduzido, deixando claro que tudo gira sobe uma economia de mercado. Por prudência temporal, não quero ser confundido, em essência idêntica, com Friedman, Hayek , Mises e tantos outros geniais, ficando modestamente com a tal da social democracia. Mas é apenas uma preferência por um rótulo,abreviando idéias, mesmo sob o risco de perseguição ideológica ou por simples clichês. Veja: é a minha preferência que esconde razões profundas e incertas. A sua pode ser uma outra. De qualquer forma, seja uma ou outra, não abro mão de uma ambientação competitiva.

Escolhido o modelo , o passo seguinte é definir os adornos fundamentais à batalha de um toureiro, ou seja, temos que estabelecer as regras do jogo, amoldando as instituições de forma a não deixar brechas para o acaso e principalmente para a pilhagem, estabelecendo restrições e incentivos que devem perdurar por um longo tempo, tal qual as boas leis. Vejamos o exemplo concreto do Brasil. Se quisermos um padrão privatizante para os serviços e produtos relativos à infraestrutura, em estratégia purgativa, devemos descobrir o que está errado ou o que deveríamos consertar. Fácil de responder: empurrar as empresas para o ambiente competitivo, proibindo e até mesmo anulando duas regras implantadas na surdina: a da garantia do retorno real de 11,5% e a abundância de empréstimos do BNDES a essas empresas privatizadas. Na verdade, o BNDES deveria ser simplesmente extinto (junto como o banco do Brasil e Caixa econômica), se o modelo pender , de fato, para a privatização. Em contestação crítica ao retorno de 11,5% em termos reais, dirijo-me ao padeiro, ao açougueiro, aos pequenos industriais e aos milhões de pequenos empresários na informalidade. Vocês não gostariam disso? Seria o paraíso. Dando certo ou errado, tá lá o lucro limpinho de 11,5% em termos reais. Claro,intuitivamente, todos vocês sabem que isso simplesmente não seria possível (se você ainda tem dúvidas sobre o mal que isso representa, desista de entender economia e caia fora do meu blog). Os mais estúpidos poderiam dizer: não apareceriam investidores. Errado. O que se quer é evitar o roubo – garantia real de rentabilidade, seja em que nível for, é roubo. Todo negócio tem risco. O que se quer é simplesmente implantar a única regra de fixação de preços que o economista, criado nas boas escolas neoclássicas, reconhece como legítima: preço igual ao custo marginal. Traduzindo, deve-se garantir apenas o retorno de mercado como meta e jamais como certeza. Como sabemos, o retorno natural anda na casa de 2 a 6% . A aplicação da regra seria simples: mantém-se o preço atual (caso não esteja em patamar abusivo) e ao longo do tempo vai se verificando se o custo marginal está sendo igualado ao preço. Quanto aos recursos, para completar o investimento empresarial, os fundos de pensão tratariam de arranjá-los, pois são os poupadores certos em economias dinâmicas.

Se o modelo escolhido for na linha de mais governo, o ponto fulcral estará na gestão dessas empresas estatais. A regra ubíqua de preço igual ao custo marginal tem que valer também. Mas só que aparece um outro problema: o de agency. A solução pura e simples seria a de se implantar sociedades de economia mista, com captação de recursos no mercado. De novo, pra nada servem aqui também o BNDES, o Banco do Brasil e Caixa Econômica.

E o planejamento? Como qualquer empresa, todos temos que definir a missão e o negócio de nossas instituições, num arcabouço já manjado de demanda e oferta. Falta apenas falar de minha preferência pela social democracia. É que temos as questões da saúde, da educação e da previdência que as quero públicas. O resto é tão complicado como esses detalhes só aparentemente perfunctórios.



Comentários

  1. A turma do Celso Furtado, dos PNDs deve nao gostar do post.

    ResponderExcluir
  2. "É que temos as questões da saúde, da educação e da previdência que as quero públicas. O resto é tão complicado como esses detalhes só aparentemente perfunctórios."

    Professor,

    Creio que é meio contraditório vc defender uma maior participação do mercado e por outro lado querer saúde, educação e previdência públicos.

    Só uma questão: o orçamento do ministério da saúde é o maior do governo, no entanto, o retorno a sociedade é pífio.

    Acho que o ideal seria um modelo mais sofisticado a la SUS.

    Marcos Paulo

    ResponderExcluir
  3. Explique por que é meio contraditorio, para não ser voce o contraditório.

    ResponderExcluir
  4. "É que temos as questões da saúde, da educação e da previdência que as quero públicas. O resto é tão complicado como esses detalhes só aparentemente perfunctórios."

    Prefiro Saúde, Educação e Previdencia geridos pelo mercado. Mais precisamente no modelo norte-americano.

    É isso!

    Marcos Paulo

    ResponderExcluir
  5. Eu prefiro, Saúde, Educaçao e previdencia públicas. Onde está a contradiçao?

    ResponderExcluir
  6. "Reformas microeconômicas, por que são importantes? Se tem algo que sempre me despertou atenção foram os tais dos teoremas do bem-estar em economia. Temos dois. O primeiro e o segundo. Se há espaço para políticas públicas, são esses teoremas que estão a postos e clamam apenas por uma coisa: ambiente competitivo. Se tem, portanto, algo que um bom governo possa fazer, fora as decisões políticas que toma pelo desejo expresso da ampla maioria, tirando certas atividades do mercado (de preferência poucas), como previdência, saúde, educação e segurança e poucas mais, é exatamente animar o ambiente econômico com competição pra todos os lados. O mundo competitivo é plural. Traz oportunidades para todos já que persegue os fortes, economicamente falando. Traz progresso, pela luta incessante de se sobreviver às disputas ferrenhas pelo lucro que fomenta nos agentes econômicos."

    Se eu entendi bem vc defende mais mercado.


    Marcos Paulo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas