O Brasil, país dos agiotas – preço da nossa leniência: 11,5% em termos reais.

Falam que o Brasil, nestes últimos anos, vem crescendo à taxas razoáveis. Olhamos ao redor e só presenciamos a depredação generalizada, excetuando-se, talvez, o Plano Piloto,em Brasília, por bendito tombamento, o que deveria sugerir que o Brasil, por inteiro, fosse tombado. A razão colocada de forma simples é a tal da corrupção. O problema é que, para enxergar o ninho da rainha predadora, requer-se um exercício nem um pouco perfunctório, pois está na esfera dos verdadeiros donos do poder. Como se sabe, com a morte de Getúlio, aos poucos foram envenenando a vida política do nosso Brasil, cansado de ser varonil. Os políticos e a política nos dão o elo misterioso tanto para a manutenção do status quo vigente, bem como para sua derrocada, se é que um dia acontecerá.

Existe uma regra de extorsão ubíqua que nos coloca (o povo, o povinho e o povão) na lama: garantir para a corriola um retorno de 11,5% em termos reais – descontada a inflação e a desvalorização cambial, quando for o caso. Isso vale para todos os serviços de natureza pública ou semi-pública que foram privatizados. Vale também para todos os que aplicam os seus recursos sob a batuta de uma política industrial ou mesmo uma orientação governamental arranjada. Isso vale principalmente para os capitais externos (nunca se sabe o quanto seriam realmente de estrangeiros) que entram no Brasil. Pior. Vale inclusive para os capitais especulativos. Os mecanismos são os mais simples: tudo feito em contrato. Existem alguns que parecem ser verbais ou feitos na cocheira dos mandarins. Vejam os tais dos swaps cambiais. Eles servem como um anteparo: se o agiota, ou, nas palavras do assim chamado “mercado”, investidor externo perde, porque houve uma desvalorização cambial, tome swap para corrigir a brincadeira. Se ganha mais do que o combinado, melhor pra eles. Veja a indexação da dívida interna. Já garante,no mínimo, a inflação e os juros da poupança – por isso que a selic tem um piso que é a menor remuneração que os banqueiros aceitam, ou melhor, impõem. Isso explica porque os juros selic sempre serão elevados.

Se você quiser entender as contas públicas que dariam pistas dessa esculhambação, basta verificar a seqüência dos eventos monetários e ficais: primeiro indexa-se internamente. Depois, se houver algum problema cambial, acertam os rendimentos pelos swaps ou outros estratagemas. Assim, o circuito moeda, divida e reservas se auto-alimenta, em extorsão certa ao povo brasileiro.

No final, enquanto o mundo desaba em remuneração, por aqui, dão retorno garantido de 11,5% ao ano para qualquer investidor externo e para os mandarins tupiniquins. Agora, se você é um padeiro ou um reles empresário fora do circulo do poder que tem outros esquemas que permitem só a eles, os poderosos, rentabilidade até acima desses 11,5%, já que não precisam comparecer com a grana que é fabricada pelos BNDES, Banco do Brasil, CEF ou por outros métodos, então vale o tal do mercado. Tudo isso começou, neste patamar de favelizar o Brasil de Norte a Sul, com o Plano Real. A bagunça Brasil, entretanto, começou com JK – mas isso é uma outra longa história. Se me perguntarem qual a saída, diria simplesmente: ambiente competitivo pra todos os lados. Mas qual o político que quer tirar o porco da lama?



Comentários

  1. De onde veio o numero magico de 11,5%?
    Joao Pedro

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  2. Pela oportunidade que tive de ler em alguns estudos as regras sobre tarifaçao do setor elétrico e pelo que sai nos jornais.

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