Um clipping histórico – os indícios do enriquecimento ilícito.

Vou reproduzir parte da coluna Negócio & Cia da jornalista Flávia Oliveira, publicado no O Globo de 19/08/2010, sob o título Desatado nó do Minas Rio.

“O Ministério de Minas e Energia (MME) liberou à Anglo American a cessão de lavra para exploração de minério de ferro na mina de Conceição do Mato Dentro (MG). A outorga, publicada ... no Diário Oficial, era considerada fundamental por investidores do complexo portuário do Açu, no Norte Fluminense. É que a liberação desata o nó do licenciamento ambiental do eixo mineração-mineroduto-porto do projeto do grupo empresarial de Eike Batista. A cessão de lavra é pré-requisito da licença de instalação do sistema Minas Rio, vendido pela MMX à Anglo American em 2008. O sinal verde do DNPM emperrou em razão do novo código nacional de mineração, em tramitação no Congresso. Nos bastidores, comenta-se que o governador Sérgio Cabral teve de recorrer ao presidente Lula para que a autorização saísse. O argumento foi a importância estratégica do complexo Açu para o Estado do Rio....”

Este é o retrato caricato do modelo Casa Grande & Senzala. Tem um esperto que tem um estoque de direito de lavra, obtido não se sabe oficialmente como. Para dar vazão ao estoque, maqueiam as minas como empreendimentos fantasmagóricos. Do outro lado, tem um novo burocrata sentado na poltrona do Ministro que só funciona quando um governador ou um Presidente acionam a caneta bilionária. Para ajudar, quando querem, recorrem a Lei. Quando não querem, a Lei é reformulada. No fim da linha, tem um gringo que sabe produzir e fazer as coisas funcionarem. Paga caro, mas ganha muito.


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