Programa eleitoral - um saco!

Muitos acham o programa eleitoral um “saco”. Não posso negar que há razões incontáveis para aderir a essa postura. Antes de tecer comentário político, deixo registrado minha experiência partidária.

Apresentei-me espontaneamente ao PDT, nas eleições de 2006, com indicação de um conhecido. Acataram minha ficha de inscrição e comecei a participar das reuniões do partido que só existiam tendo em vista a formação de candidaturas para a eleição de 2006. Era um pequeno grupo de pessoas que nada lembrava a militância passada que sabia pelos comentários de amigos ou mesmo pela mídia. Foram selecionados os candidatos, passando pelo crivo da cúpula que nem sabíamos direito quem a constituía. Dois ou três nomes sabíamos, até porque vigiavam de perto os acontecimentos. O fato é que, por descuido ou não, consegui ser candidato a Deputado Federal. Acho que só uns poucos não conseguiram o direito à candidatura. O passo seguinte foi o esquema que cada candidato usou para deslanchar sua campanha. Basicamente o santinho, folhetos, a inserção no programa eleitoral e caminhadas nas ruas. Alguns candidatos montaram espaços para apoio a gestão da campanha, os comitês – geralmente uma pequena sala em que só havia discussão na sua inauguração. Eu mesmo abri um na Ceilândia e poucos foram os cidadãos que lá compareciam e a sua inauguração não contou com a presença da cúpula –bom para os dois lados. Como promessa religiosa, fazia minha peregrinação ao Banco Central para, amparado por um colega (o prof. Acioli) que documentava o vazio popular, registrar meu protesto diário contra a política monetária. Nada mais do que isso. Sai às ruas e fui invariavelmente xingado e resisti por uns dois meses, apelando depois para faixas (fiz umas três ou quatro) e caminhadas em mutirão partidário, carregando minha placa de Remédio Grátis. Mesmo com a minha proposta de remédio grátis, não passei de 500 votos. Depois das eleições procurei participar de reuniões partidárias, na tentativa de fazer funcionar em Brasília o partido. Na maioria das reuniões, compareciam uns dois ou três. Assim a coisa foi indo, até que não fui mais ao partido.

Vejo, agora, nessas eleições de 2010, que tudo se repete. Acho que, no caso do meu partido, PDT, as coisas pioraram. Vejo três candidatos à Deputado Distrital, um novato e outro veterano e mais um sindicalista que domina a máquina do PDT. Para o Senado, o candidato de sempre que não deu um pio sobre o projeto remédio grátis. Tirando o novato, esses três últimos , Peniel, Ezequiel e Cristovam, apoiaram o Arruda e fizeram de tudo para que o Reguffe também o apoiasse – resistindo solitariamente. Os gatos pingados com alguma projeção no PDT conseguiram uma boquinha no Governo do Arruda.

O que essa descrição nos diz? Claramente nos diz que o partido tem dono. E os donos são empregados de outros donos que, por sua vez, são empregados do poder econômico. Foi isto que o caso Arruda nos mostrou claramente. Em atuação local, os empreiteiros dominam o legislativo para mudar as leis, principalmente aquelas que tratam do Plano Diretor da Cidade. Neste caso, palmas para o Reguffe: não votou pela mudança do Plano Diretor que certamente foi alvo de empresários tipo Gontijo que botou no bolso uma parcela importante de Distritais.

Portanto, o modelo político é propício à corrupção escancarada que os poderosos – empreiteiros , banqueiros, empresários do subsidionismo e a turma do agronegócio- promovem a torto e a direito.

Voltando ao programa eleitoral, notamos claramente que ele é parte desse modelo político corrupto. Não pode haver debate amplo. Não pode haver participação. Ficamos sem saber em quem votar. Todos nos parecem iguais. Portanto, melhor seria começarmos a derrubar esse modelo político. Poderíamos muito bem começar pelo programa eleitoral o que certamente forçaria essa turma catadora de votos a se submeter a alguma forma de entrosamento político com a sociedade, podendo bem serem vaiados. Há , porém, uma opção mais radical: simplesmente anular o voto e desligar a TV.








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