Estaleiro do Açu o exemplo didático da pilhagem.

O esquema de pilhagem, no Brasil, é simples. Um empresário bem sucedido, financiador de campanhas presidenciais, tem uma idéia genial: vamos desenvolver o Brasil. Para isso escolhe um projeto qualquer, já que ele não é do ramo empresarial que manufatura, onde o aprendizado é necessariamente feito devagarzinho no contexto bem conhecido do tal do learning by doing. O esquema , não se pode esquecer, é o da rapinagem, ou melhor, da engenharia financeira. Decidido o projeto, na calada da noite, em reunião regada a uísque e prostitutas, os donos do Brasil começam os preparativos. Se é preciso lei, chamam os caciques dos partidos que determinam aos seus capangas, ou melhor, os políticos eleitos para que aprovem, a toque de caixa, porque aqui tudo é urgente, as leis que darão sustentação ao projeto. Geralmente tal iniciativa parlamentar é considerada urgente e pula a pauta, atrasando mais ainda propostas corriqueiras como as da saúde. Se tem gastos iniciais, autorizam o Governo a pegar empréstimos no exterior, geralmente sob a batuta do FMI ou do Banco Mundial; burocracia acomodativa da ralé burocrática que faz estágio de rapinagem, ou melhor, de economistas bem treinados a merecerem pós-doutoramento em economia sustentável. Se é preciso preparar a área física, com desapropriação ou qualquer outro investimento de caráter essencial para o projeto da rapinagem, rotulado de caráter público, estará a farsa sendo construída em bases reais, amparando legalmente a captação de recursos necessários para o cumprimento do acordo que pode até gerar corrupção transversa, se os empreiteiros entram na festa. Como todos sabemos, esses nossos empreiteiros são uns broncos.

Com a área limpa, começa, propriamente, a funcionar a engenharia financeira. O chute inicial é dado pelo BNDES que entra majestosamente em cena, emprestando um quilo de dinheiro a juros de 6% ao ano para pagamento daqui a dez ou quem sabe vinte anos, na modalidade balão: pagam, no final, juros e capital. Aí, para dar vida ao negócio, entra na festa de arromba, ou melhor, no empreendimento estratégico e vital, os economistas PHds (de merda) , treinados em modelos sofisticados (que serve pra porra nenhuma) dando asas ao bitbul. Aplicam os recursos a 12% ou 15%, geralmente em títulos públicos, contratando simultaneamente operações financeiras no mercado internacional na quantia necessária para tocar o projeto. Como tem o risco cambial, podem fazer algumas operações complicadas, com opções ou coisa parecida para fugir desse risco cambial. Os juros desses empréstimos internacionais, tirando o risco cambial, geralmente ficam abaixo dos juros do BNDES. Mesmo se o câmbio trouxer algum tipo de problema, o Banco Central já tem os swaps cambiais prontinho para passar o risco cambial pro mercado, ou melhor, para o tesouro (em outros tempos diria o povo, mas o povo daqui é bosta mesmo nem sabe que vive numa suruba e já não digo entrando com o de cujus, porque as coisas hoje são diferentes do meu tempo). No final das contas, o canalha empresarial, ou melhor, o homem de negócios do ano, conseguiu fazer a custo zero o seu empreendimento maroto. Se as coisas funcionam bem ainda leva um troco para casa. Não é à-toa que esses bandidos conseguem estar no hit dos bilionários do planeta em revista de futilidades.

Esqueci do mais importante:quem produzirá o aço? Como o empresário tupiniquim é em tudo canalha, obviamente não sabe produzir patavina. Nem precisa, o sócio majoritário é o alemão que, percebendo a zona que é o país, sabe que as máquinas e os engenheiros terão que vir de sua terra. Recentemente, em mesma estrepolia siderúrgica com parceiro chinês, até trabalhador considerado de baixa qualificação trouxeram das estranjas. Não importa, a parte tecnológica só os gringos dominam, pois é fato notório e até internacional que o brasileiro é analfabeto funcional. Se o nosso empresário tupiniquim fizer o dever de casa direitinho, talvez ganhe uma boa participação acionária.

Bom, vão chamar isso de investimento estratégico. Eu vou chamar de pilhagem e já começo a ter saudades do tempo da escravidão. O ser humano valia muito mais, pois era tratado como capital e não como otário anímico.



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