Meu plano urbanístico

Como economista, três áreas me interessam para uma pesquisa detalhada: a economia brasileira em sua perspectiva histórica e os temas cidades e turismo. Moro em Brasília e fico matutando sobre sua evolução urbana. Cortando desvios e indo ao ponto X, vejo, paradoxalmente, em Roriz, aquele que fugiu para não ser cassado e, portanto não é ficha limpa, o exemplo de político que efetivamente implantou uma política urbana desejável, apesar da pecha de corrupto e desvios outros. Evitou a favelização da cidade, dando a propriedade da terra para um número sem fim de imigrantes. Teria sido pior se nada fizesse. Claro, não é uma política 100%, mas foi o único governador, que eu saiba, a efetivamente fazer , no Brasil, uma reforma urbana pra valer. Nem tudo são rosas. Hoje, em Brasília, estão aparecendo, aos poucos, espigões a torto e a direito, principalmente pelo incentivo financeiro estúpido que o governo dá às empreiteiras e pelo poder que essas exercem nas câmaras legislativas.

Precisamos acordar e nos unir, nos limites das nossas forças, para preservar nossas cidades. Existe um blog bacana sobre cidades - http://cidadeinteira.blogspot.com/ - que procura discutir o tema, visando à mobilização dos cidadãos para a defesa de nossas cidades. Creio que, para um bom debate e luta política saudável, nos falta a definição clara de um padrão de cidade de forma simples e imediata.

Eu diria que deveríamos mapear nossas cidades de forma ideal. Eu imagino,tendo em vista um bom padrão urbanístico, algo da seguinte forma: limites para gabaritos, digamos um modelo de edifícios de até 6 ou 8 andares e definição de áreas verde e de uso sociais. Um número ideal de parques e áreas verdes, incluindo jardins botânicos e coisas do gênero e incluindo também, no contexto social, hospitais, postos de saúde, escolas, bibliotecas, museus, teatros, etc. Como transporte de massa, preferencialmente o emprego do Metrô para os grandes centros urbanos. Centro da cidade preservando o seu padrão histórico. O crescimento da cidade deveria necessariamente ocorrer de forma horizontal, preservando os limites impostos pelos gabaritos oficiais. O traçado de vias e ruelas deveria obedecer ao padrão das boas cidades – cortadas e recortadas, em paralelas em jogo da velha. A fórmula adequada para a dinamização da cidade seria a de integrar num mesmo espaço os três elementos vitais: moradia, trabalho e lazer. A partir dessa tríade o comércio naturalmente se impõe e a cidade encontra seu vetor de orientação e crescimento. Para simplificar poderíamos escolher uma cidade como referência para as nossas. Enfim, referenciais simples de forma a nos despertar para o verdadeiro valor social que há em empreendimentos como o de Inhotim. Dentro dos meus padrões, eu ficaria satisfeito se imitássemos Lisboa e tivéssemos uma lei sobre Plano Diretor que só pudesse ser alterada de trinta em trinta anos, até porque não quero saber das mazelas das outras gerações, basta as da nossa.


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