No Brasil, as coisas acontecem por default!

O título do post foi a frase síntese da entrevista de Paulo Rabello de Castro à Band no domingo passado. Não sei se os jornalistas bandeirantes entenderam, na dimensão que entendi, a constatação trivial de Paulo Rabello de Castro sobre nossa gente e nosso povo: no Brasil, ninguém decide e aí decidem por nós. CONCORDO.

Não pretendo fazer um ensaio filosófico sobre o tema. Vou às definições. O que é default? Com o respaldo da internet, chego ao seguinte:

Fui ao dicionário virtual e encontrei:
Houaiss: valor padrão ou parâmetro padrão.
Não preciso nem comentar que o nosso dicionário e dicionaristas são a mesma coisa. Por default, diria: De pouca serventia.

Fui ao Yahoo Respostas e está lá a seguinte pérola:
Melhor resposta - Escolhida por votação (Carlos Ge)
“O conceito de 'default' é de algo que é assumido por omissão, por defeito, ou ausência. Na falta de alguma outra coisa que indique o contrário, aquele programa, ou padrão, ou configuração será assumido como o vigente. Isto se faz necessário porque o PC (computador caseiro) precisa de certos valores adotados para poder funcionar. É o caso das configurações de fábrica que vêm nas ROM-BIOS das placas-mães dos PCs etc.

Resumindo do Webster:


a: a selection made usually automatically or without active consideration due to lack of a viable alternative 

b: a selection automatically used by a computer program in the absence of a choice made by the user.” 

Definição em prosa de um amigo – “Tome como exemplo as fotos que o computador lhe oferece para que, escolhida uma, apareça na tela do seu computador sempre que você reiniciá-lo. Você poderia escolher a foto dentro de um grupo de fotos selecionadas, abordando vários temas. Se você não se decide e não escolhe nenhuma foto, o computador decidirá por você e lhe imputará a foto programada para ser instalada neste caso de ausência de escolha. A foto sairá por default."

Na minha avaliação dessas definições, que não é por default, apenas, excluo o lingüista brasileiro e certamente seus congêneres que, pra variar, são uns caretas. Fico com a turma americanizada – registrando que o meu amigo estudou em Chicago.

De fato, é assim no Brasil. As coisas acontecem por default. Vou remoendo minhas lembranças aleatoriamente, deixando de lado as pessoais, e chego, não por default, às provas contundentes de que tudo anda no compasso indolente e muito característico do brasileiro comum. Foi de fato o que aconteceu com o câmbio: flutuou, porque não havia outra saída. Foi por default. Me lembro ainda do Lula e minha mãe que votou por default. Pena que não pôde avaliar seus dois mandatos – fico curioso como seria a sua reação ao me dar conta das estatísticas oficiais do governo Lula. Puxa vida! 

Para piorar, todos sabemos que o povinho brasileiro entra na política para se dar bem e os "sérios" deixam a tarefa de por ordem no parlamento para os outros, ou seja, concordam com a bagunça por default.

Lembro também de coisas mais pedestres e que não estão na agenda oficial. Falo da ocupação oficial da favela do alemão. Foi por default. Uns malucos resolveram tocar rebu no Rio. A reação teve que vir e veio por default. Creio que tudo andará assim: as coisas se resolverão por default. O certo é que isso não garante nossa liberdade. Ela jamais sairá por default. 

Agora, vou deixar, por default, os comentários.



Comentários

  1. Ofereço este comentário anônimo, por default...

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  2. Dizem que somos um país democráticos, mas no meu entender, democracia não combina com privilégios, é que nem água e óleo, não se misturam. Sem democracia sem liberdade...

    Edvaldo Frazão

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  3. no mercado financeiro, default é calote.

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  4. Que mer...piiiiiiiiiii,(desculpem não resisti ao desabafo)Porque nós temos o costume e importar tudo?!?
    Deveríamos falar:"parâmetro padrão" ou só padrão...não,temos que falar:"por defout".
    Quando ouço estas "perolas importadas" tenho vontade de vomitar.

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