As importações importam?

As importações poderiam ser um problema para o PIB? Acredito que não. Se fosse, certamente algo de muito ruim estaria no final da linha mostrando algum tipo de incoerência. Alguns articulistas, em indagações empíricas, perguntam o que poderia justificar a perda da dinâmica do PIB e parecem olhar para o lado direito da identidade básica das contas nacionais em busca de alguma pista. Nesse sentido, um aumento das importações ou mesmo queda pouco poderia, naquele período, ter algum tipo de efeito, porque importação é produto do estrangeiro. Dessa forma, essa importação aumenta o consumo ou nosso investimento. O problema é que, poderiam alguns, com os dados nas mãos, alegar que o produto nacional foi substituído pelo produto estrangeiro, na linha da desindustrialização. Dificil aceitar isso, sem que façamos as devidas ressalvas.

Em primeiro lugar, num ambiente competitivo as importações seriam o combustível para a saída do ócio e assim a reação pela sobvrevivência faria com que os competitores nacionais se esforçassem mais. Além disso, uma avalanche nas importações certamente seria justificada por preços internos não competitivos, o que aliviaria a restrição orçamentária dos agentes que poderiam gastar mais em outros produtos, deixando a conta do emprego inalterada, e por vezes, até positiva.

Mas se nada disso acontece, então, quando o PIB se retrai na conta do aumento das importações, há algo de esquisito nisso. Onde estaria tal coisa esquisita? No fato óbvio de que os cepalistas retrógrados ainda não compreenderam a raíz de nossas desesperanças: substituição de importação não pode garantir uma industrialização sustentável. Como sabemos, a nossa substituição de importações é essencialmente cartorial. Ela só sobrevive com a chancela do cartório.O pior de tudo:ela não gera inovações, porque vem completamente empacotada do estrangeiro.

O nosso cartório, gerada pelo acordo de bastidores, vem desde JK. Agora, estamos vendo os empresários, principalmente os da zona franca, chiarem com as importações. Mesmo o governo promovendo todo tipo de dificuldade às importações competitivas, a desindustrialização parece um fato verdadeiro, principalmente nas regiões cartoriais. As nossas tarifas em bens do agrado popular resultam num sobrepreço de cerca de 100%. E nem isso garantiu o lucro cartorial. Agora querem mais e culpam o povão por importar a rodo – as importações tipicamente industriais vão muito bem obrigado e disso ninguém reclama.

O subsdesenvolvimento é a bagunça; é a regra. Se temos alguma coisa boa pra fazer é exatamente deixar a canoa da industrialização por substituição de importação afundar. Que viagem eles pelo Titanic, não o povo!


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