como ser um simples cidadão?

Na vida vivida, vamos colecionando exemplos didáticos de como o mundo é o que sempre foi em exata correspondência da mentalidade dominante e o retrato das pessoas, das ruas, das cidades e regiões. Não há , no Brasil, nenhuma incoerência entre a mentalidade da casa Grande & Senzala e o retrato de nosso cotidiano. Assim, difícil apontar quem não tenha sido alvo de constrangimentos humilhantes.

Para a vida, então, estimo ter de buscar boas referencias de atitudes e não esqueço de nelas me apoiar, imitando o que de fato creio deve ser imitado em preservação da boa espécie. Lembro, contudo, que existem truques de toda natureza, principalmente verbal, de serventia valiosa, tal qual o ditado desconcertante de que o que fiz não me arrependo em que a sua simples negação em atos outros não pode negar a sua verdade.

O fato concreto é de que tenho um rol de regras que escudam minhas ações. A primeira que emprego é de não cobrar solidariedade de amigos em minhas pelejas. Valendo também o mesmo para os outros. Não me sinto compelido a ser solidário com ninguém. Isto não quer dizer que não possa sê-lo. O ponto é que é uma decisão estritamente subjetiva. A segunda, adquirida em boas conversas, é de que devemos usar palavras leves quando usamos argumentos pesados. A ira, um dos gigantes de nossa alma, deve ser contida em todas as instâncias e com mais razão ainda em circunlóquios toscos. A terceira regra é de que não entro em embates com quem é sabidamente diferente. Em decorrência disso, procuro andar sempre com pessoas mais inteligentes do que eu. Essas poucas regras são essenciais para livrar-me de aborrecimentos e descomedimentos desnecessários.

Descortinado o imbróglio dos nossos relacionamentos, volto-me a realidade do meu país. Nele encontro, talvez, a verdade de tanto sofrimento inútil. A bagunça e o descaso com que lidamos com nossos assuntos e questões corriqueiras. Tudo é motivo para deboche e já não encontramos os rituais, principalmente o de autoridade, validados em ocasiões oportunas. Todos pretendemos ser iguais. Não somos! Imparecença é o que há disseminado. Friso que sermos diferentes não implica necessariamente em escala do melhor ou pior, do bem ou do mal, do vencedor ou perdedor. Simples escolhas que moldariam cada um de nós a nosso jeito e acaso, fazendo-nos especial por nós mesmos. Talvez tenha sido este o mal que atacou um desafeto passado meu que hoje sai de seu emprego, sabendo que o mal maior da mentalidade oligárquica é imperiosa. Sei que o efeito de minha solidariedade é espiritual, digo apenas, na certeza de que, apesar do temporal, seu rumo em nada mudará : Alexandre Schwartsman, boa sorte nessa sua nova jornada.


Comentários

  1. I sadly concur with your pithy remark regarding the "mess and indifference" which which Brazil deals with its everyday issues. The FT recently rounded on the BRICS in similar vein:

    "Three of them - Brazil, India and China - are rather like the most popular girls at the school prom: a little too full of themselves. India and Brazil can be haughty. China has taken to bullying and even swindling its suitors. As for Russia, it should never have been admitted to the foursome in the first place. The government is corrupt and capricious."

    Haughty, indeed.

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  2. Porra Marcao, virou filosofo? livre-pensador? esta desenvolvendo uma teoria geral da crocodilagem?

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  3. Porra Selva, larga mão de ser brasilis e vamos botar jesus no coração. Lógico, pelas opções, livre pensador.

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