Meu bem, meu mal

Falam, no debate Bethânia, sobre mesquinharias quando o assunto é sério. Nada contra e tudo contra a artista, que além de cantora é recitadora. Nada contra, quando na pele do normal, se mistura a plebe e vai a luta. Tudo contra, quando, na pele de ídolo, se vale de seu prestígio midiático em causa própria às custas do erário.

O assunto é sério ,porque suscita questões fundamentais. A nossa liberdade e a falta de rumo. O assunto é sobretudo ético. O assunto é sobretudo paixão por boas causas. Quem, em sua trajetória maravilhosa, encarnou carcará não pode virar lagartixa. É isso que exigimos dos nossos ídolos: exemplo didático.

Temos talentos a rodo em nossa terra. Mas nem todos são ídolos. Pelé é ídolo. Garrincha é ídolo. Gérson e Tostão são ídolos. Adriano , o tempo comprovará, em que lugar ficará no imaginário popular ou de uma pequena elite futebolística. Bruno, certamente, é apenas um infeliz.

Bethânia é ídolo, porque tem uma trajetória que nos remete ao certo, ao belo, ao suave e doce. E sobretudo ao rebelde. A artista e a pessoa seriam uma só.

Vê-la misturada à carniça da politicagem sindicalista me desampara. É mais uma defecção. Longe de querer salvá-la ou crucificá-la. Ela é apenas o alvo momentâneo de minha desesperança. Amanhã , em minha obstinação métrica pelo correto, o bom e belo, certamente será outro.

Aos poucos, vou reconstituindo meus ídolos. Talvez os torne apenas carne e osso e me refira a eles o que são: cantores, motoristas, jogadores, atores, atrizes, poetas. Viverei um mundo frio e inóspito ? Não!

Assim , o triste é quando os artistas celebridades, nas asas de suas aventuras, se pintam e se ornamentam em suas próprias representações, em tudo falso. Se te pretendes verdadeiro por inteiro que o seja. Adeus Bethânia. Bem-vinda cantora e recitadora.


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