Para quem os juros sobem?

Não discuto o problema inflacionário em si mesmo, porque não há como negar que a inflação ronda nossas casas. Os índices de preços, obviamente, retratam a situação. Dito isso, tenho que aceitar alguma atitude das autoridades monetárias. O fato do lado fiscal andar com a carga no limite e, quando falam em cortes de gastos, deixarem vazar que o Tesouro continuará suprindo fundos aos borbotões para o BNDES, reforça mais ainda o ponto de que a situação anda a merecer freios monetários. Portanto, é certa a pressão da demanda agregada, podendo, ainda, pôr a conta da fatura da gastança pré-eleitoral no tal do ciclo político que mostra suas garras gastadoras em épocas de eleição presidencial. Como vejo que o PIB brasileiro é muito dependente das ações do governo, os cortes, principalmente, os que poderão vir do lado do crédito imobiliário e seus programas de morar subsidiado, serão compensados em parte pelas benesses do BNDES, porém, com o agravante efeito concentrador, já que poucos conseguem chegar no balcão de empréstimos do BNDES.

Quanto aos propalados efeitos inflacionários dos preços das commodities, continuo acreditando que isso pouco poderá determinar a trajetória inflacionaria local. Acho que os agentes se ajustam rapidamente. Ponho fé na restrição orçamentária. Apesar deste adendo, faço coro para um tratamento mais adequado contra os movimentos ascendentes de nossos índices de preços.

Todos sabemos que a estratégia de política monetária apoia-se no recurso aos juros. Se isso, em seu mecanismo de transmissão de seus efeitos, de fato acomodar os agregados monetários em patamares adequados, tenho que acatar a sua eficácia, apesar de considerar ainda os efeitos colaterais, notadamente no câmbio. Até aqui vou considerar tal política no contexto do tudo bem e dentro dos eixos de uma engrenagem que não consigo sozinho mudar. Mas onde o bicho pega? Simplesmente na indexação da dívida pública à Selic. Está mais do que na hora de nos libertarmos dessa amarra que em nada justifica seu custo elevadíssimo para toda a sociedade. Poderiam dizer que sem a indexação ninguém compraria os títulos públicos. Balela que só os leilões livres e abertos poderiam confirmar a exata taxa de negociação. Além disso, levo em consideração o fato de que a turma pobre da poupança estaria de boquinha aberta a espera dessa mamata. Para ir logo ao ponto, digo que, mesmo que não houvesse mercado para títulos públicos pré-fixados, não haveria problema. Pois aí teríamos que efetivamente resolver a questão fiscal em todo o seu horizonte bizarro em que transformaram o orçamento público refém de sua própria dívida.

Podem, agora , os leitores ocultos considerarem que, se uma medida amarga é levada a cabo, teria que valer para todos. Com títulos indexados, uma turma passeia em Nova Iorque às custas do povo brasileiro e outra fica à margem do Tietê. Por mim, que viva o turismo nas estranjas, mas não às custas dos nossos impostos.






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