Cidades : Ideias simples de Jane Jacobs sobre cidades e anticidades



Cidade é um tema fascinante. Para nós, economistas, a referência imediata vem com Jane Jacobs (ver o texto JANE JACOBS: UMA LEGENDA - tradução de Mauro Almada). Ela nos diz coisas interessantes. A de destaque foi o enterro intelectual de Corbusier, enquanto urbanista. Por tabela tive, em chute frontal,  que escantear quase inteiramente a turma brasileira da arquitetura “modernista”, principalmente o  “gênio” Lúcio Costa. O engraçado é que associava Corbusier ao Niemeyer, deixando de fora o seu discípulo verdadeiro: Lúcio Costa. Brasília é a antítese de uma cidade normal e hoje muitos percebem que a Barra da Tijuca, outra criação “genial” dos urbanistas tupiniquins, é o símbolo anticarioca e que talvez justifique as gangs xenofóbicas que por lá surgem.

 Tomando Brasília como cristo exemplar e muito didático, em homenagem a sua cruz inóspita, ressalto os defeitos óbvios das cidades-jardins de Corbusier. Em primeira aberração futurística, incorporada  em cidades de seus discípulos, vem a segmentação das atividades. Em segunda, já corroída pela primeira, vem a dimensão exagerada das quadras, em seu isolamento artificial, mascarada pela ideia de pilotis democráticos – de fato uma coisa boa. Em terceira prosopopeia claudicante, vem a falta de densidade em confusão perene entre parques e áreas livres e pouco funcionais.

Se os erros em urbanismo já se dão na perspectiva mais agregativa, o que dizer da visão capenga sobre ruas e bairros? O que se pensa por aqui  é tudo enganoso ou confuso, porque a ideia de isolamento soa como algo positivo e que acomodaria a segurança, restringindo a violência. Ledo engano. O conceito de rua adequado é o de, integrada a outra ideia marcante de densidade, gente na rua. É a aglomeração que traz segurança. O vazio só permite a espreita e  ciladas covardes. Em tudo ficamos mais fracos, quando os espaços não estão sendo preenchidos.

Nessa mesma linha de argumentação, me ocorre também o erro básico no trato com a cidade e seus cidadãos  que agora volta ao debate: a lei do silêncio. Em tudo artificial. Querem, em nome da segurança esvaziar a cidade à noite. Culpam os bares pela violência. Besteira. A violência no Brasil tem fonte certa: a impunidade geral e o destrato com o orçamento federal, estadual e municipal. Ao tentarem impor novamente estúpida lei, mais rapidamente teremos uma cidade vazia e quem sabe policiais "eficientes", porque nada terão o que fazer, em noites monótonas, para  o combate de crimes pedestres. Certamente, os bandidos inverterão seu horário de trabalho, apavorando à luz do dia os velhos e as senhoras em seus afazeres habituais. Os cidadãos, em prática de isolamento matusalém, ficarão satisfeitos, porque o silêncio e o vazio voltariam a reinar, sem entenderem que, em noites solitárias, o mesmo vazio se ampliará pois já não poderiam caminhar pelas ruas em horários não tão noturnos.

Quem conhece alguma cidade bonita, aprazível e acolhedora, certamente encontrará em Jane Jacobs a concordância plena sobre o que é uma boa cidade.   


Comentários

  1. SENSACIONAL post, parabens!!!!

    Adolfo
    www.bdadolfo.blogspot.com

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