A QUESTÃO DO SALÁRIO MINIMO II

Quando falamos em salario mínimo ocorre-nos logo a ideia de um controle de preço artificial e prejudicial à sociedade, no sentido que retira emprego dos mais necessitados. De fato, essa é a situação concreta para um mundo competitivo. Já sob outras hipóteses econômicas, o aumento do salario mínimo poderia ter efeitos positivos sobre o emprego, como no caso do modelo de monopsônio ou dos chamados “matching models“ .De qualquer sorte, não me parece interessante discutir o salario mínimo fora do contexto político.

Já aproveito para tecer comentário de que a economia é sobretudo economia política e portanto está prenhe de conceitos sociais, como o da ética e justiça ou até mesmo do equilíbrio político. No caso brasileiro, a questão é relevante, porque a mentalidade escravagista é dominante. A classe média alimenta o sonho de morar em residências com quarto de empregada, aceitando em troca desse privilégio a degradação urbana ou o controle do salario mínimo em níveis suportáveis não aos necessitados, mas a eles, classe média.

O que de fato por aqui presenciamos é que a armadilha da submissão para o pobre está montada ardilosamente. Por um lado temos o esfacelamento do sistema educacional público. De outro lado, as oportunidades de mercado estão concentradas em empregos de baixa qualificação. Com isso, as oportunidades de superação da pobreza ficam distantes aos mais necessitados. Como o emprego de boa remuneração está localizado em poucas capitais e no serviço público, à massa humana, que se desloca para as regiões chamadas desenvolvidas, pouca oportunidade de trabalho restará. Se aumentarmos o cerco ao salario mínimo, mais negócios que teriam características familiares vão poder gerar maiores lucros, desestimulando o esforço produtivo de uma camada da população que já tem um bom pedaço da renda nacional. Se nem isso tivermos, ainda assim sou favorável ao salário mínimo: evitamos o trabalho escravo e damos sinal de que valorizamos o trabalho dos indivíduos. Mas se quisermos manter o padrão de pobreza e concentração de renda vigente, simplesmente concluo: é o sonho do lucro fácil, com pouco trabalho que sempre ronda a mente escravagista, tanto de pobres quanto de ricos.

Tendo, portanto , considerado o contexto institucional que vivemos, inclino-me por uma política de salário mínimo que mantenha reajustes reais. Claro, há limites para essa política. Que cheguemos à exaustão. 


Comentários

Postagens mais visitadas