Tombini e a falta de bom senso de seus opositores

      
 Todos os meus leitores assíduos, amigos escassos perdidos no anonimato que estimo sejam dois, eu e ele, sabem que sou um monetarista criado  no berço autodidático, tendo em Friedman a referência e o norte, e assim não esperam de mim outra coisa que não seja botar fogo no Banco Central. Humildemente, reconheço que cada um tem que pular no seu quadrado, sabendo que o meu é largo, porque não tenho risco a correr. Já o das autoridades, guindadas ao poder em pactos obscuros, devem andar na corda bamba, caso tenham um perfil mínimo de sensatez. É assim que vejo o atual presidente do Banco Central.

Quem não sabe que essa lorota de targeting inflation com juros indexados à dívida pública é invenção de banqueiro tupiniquim? Sobem os juros, sobe, no ato,  o custo da dívida, tornando os títulos públicos mais atrativos para os investidores detentores desses títulos. Não é isso que apregoam os professores americanos. Lá, em seus livros textos, dizem: sobem os juros, o preço  dos títulos caem, tornando menos atrativo os títulos públicos para quem os detêm. O processo de arbitragem, tem que impactar os demais títulos, trazendo-os para o mesmo patamar que o dos títulos públicos, corrigidos por fatores de risco e especificidades financeiras. O Banco central ilustrativo teria, para alcançar essa meta de juros mais altos,  que negociar os seus títulos públicos no mercado, oferecendo um bom deságio, fazendo com que o estoque de títulos públicos tivessem um valor menor. Quem quisesse negociar tal título de sua carteira teria de aceitar também um rebatimento em seu preço. Já outros que quisessem tomar emprestado teriam que aceitar o deságio (juros mais altos) que vale para os títulos públicos. Enfim, todos perderiam. Cada um contribuiria com um pouquinho nessa estratégia de combate à inflação, na esperança de que a  economia recompusesse seu apetite de crescimento à dinâmica possível do crescimento. É esta engenhoca que os economistas americanos têm em mente, quando falam de política de juros. Já a nossa simplesmente valoriza os títulos públicos que estão indexados aos juros, trazendo um efeito negativo imediato para o tesouro que agora e não no futuro terão que pagar mais em seus títulos, diferentemente ainda do caso do livro texto em que o tesouro poderia comprar títulos no mercado a um preço menor. Tudo isso está no contexto didático. Na prática, outros detalhes poderiam se destacar.

Além deste esquema infame de targeting inflation tupiniquim, tem o próprio nível da taxa de juros. Ela já está num patamar crítico, com efeitos óbvios sobre o câmbio e a trajetória da dívida pública. A inconsistência ainda permanece. Mas qual é o dilema do atual presidente do banco central? Existem outros elementos importantes no cenário inflacionário. Um deles foi o crédito que correu solto no governo Lula. Outro, mais difícil de ser administrado, é o da indexação de vários preços importantes no orçamento do povão, como o da energia, dos transportes e telefonia. Todos com algum tipo de indexação (indecente em tudo). Claro que a estratégia de juros não resolveria esse problema de indexação. Como disse acima, só aumentaria o custo da dívida pública, além de aprofundar o arrocho ao orçamento dos assalariados, com efeitos também no câmbio e sobretudo na trajetória da dívida pública.

O que quer, então, a turma que mete o pau no presidente do banco central, com lorotas do tipo de que não foi “duro “ na sua mensagem, em ata do COPOM? Querem, simplesmente, juros altos, porque quase todos esses analistas são banqueiros ou vivem às custas deles. Simples assim. O Presidente do Banco Central, em seu limite de ação, sabe que a dívida pública já consome boa parte do orçamento federal e que juros altos, dados os arranjos políticos, só poderiam resultar em mais impostos e valorização cambial. Além disso, a dívida já está numa trajetória complicada, até mesmo porque não se vislumbra um superávit primário que sequer cubra o pagamento dos juros.  Está, portanto, procurando outros instrumentos que possam trazer a trajetória inflacionária para a sua meta, sem trazer rebu para a gestão pública. Que assim seja, já que não pode fazer o certo: acabar com a indexação dos juros Selic à dívida pública e o cartório dos banqueiros que coloca os juros , para a turma desprotegida, na esfera estratosférica de mais de 80% ao ano.


  

Comentários

  1. Olá Marco,

    Desde que linkei seu Blog ao meu, ao menos fico sabendo das novas postagens.

    Bjs,
    lu.

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  2. Grato pelo carinho e espero que não estranhe muito as minhas "parole", pois certamente poucos as escutariam.

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