A Economia travada - razões históricas

Há poucos anos passou pelo Brasil um dos mais renomados economistas do planeta :O prêmio Nobel Douglas North. Sua passagem foi curta e pouco documentada, até onde sei. Sua partida do Brasil foi registrada por um colunista social. Em agosto de 2006, a revista Veja o resgatou. Encontramos em seu depoimento a Veja o curto artigo “Por  que o Brasil não cresce como a China e a Índia” . Esse é o mais acurado resumo da situação brasileira atual. É valioso repeti-lo, mesmo que em parte:

 “...há no Brasil uma aliança muito próxima entre interesses políticos e econômicos. Um grupo de privilegiados alimenta o outro e vice-versa. O resultado é uma barreira para a competição a para mudanças institucionais inovadoras e criativas. O Brasil é um país cheio de promessas e possibilidades, mas que foi tomado de assalto por grupos de interesse que souberam se aproveitar do Estado para seus próprios benefícios. E ainda se aproveitam. Esses grupos se protegem da competição, numa ação que tende a fechar a economia e barrar a eficiência.”

São palavras que calaram fundo em mim, porque  resumiram todo meu esforço intelectual de décadas para entender a estagnação que se instalou no Brasil pelos meados da década de 1970. Irei precisá-las sem me preocupar com a originalidade ou autoria da análise. Comecemos do início da derrocada da economia e sociedade brasileira: o golpe militar de 1964, promovido pelos militares caracterizados posteriormente como os do grupo da Sorbonne (É hilário que a França moderna possa ter produzido ditadores) . Qual a novidade desse golpe ? Simplesmente eles introduziram um tipo de ditadura , pós-Brasil brasileiro ,depois de Getúlio Vargas, ainda não  vivenciada até então: a ditadura econômica ao lado da ditadura política. Esses pseudo-intelectuais da Sorbone militarizada , encantados com o planejamento, começaram a traçar em seu estado-maior da conspiração inominável o destino de nossas vidas. Fizeram Leis, aniquilando nosso ordenamento jurídico democrático,  assentando privilégios aos empresários cartoriais que nunca mais foram removidos. Controlaram salário. Inventaram a indexação para os banqueiros e contra a população (É assim até hoje e parece que ninguém reclama). Criaram o FGTS em troca da suspensão das indenizações trabalhistas, com a canalização dessa poupança forçada do trabalhador para apenas certos grupos , com  o agravante, para os trabalhadores, seus legítimos proprietários,  de uma baixa remuneração ao fundo . Para piorar, esses grupos, invisíveis à população e à justiça e para quem são canalizados o grosso dos recursos, contam com taxas atrativas ou esquemas de remuneração do capital aplicado que enriquece empresários até o mais estúpido. Não entendo por que os pequenos e médios empresários que nunca usaram tais privilégios fiscais (será mesmo fiscal ?) não reagem – eles são triplamente roubados : é custo de mão-de-obra que eles suportam em parte; tem que competir com empresários que contam com benesses públicas pela taxa de empréstimo subsidiada e, ao contrário do velho acordo trabalhista que só trazia prejuízos efetivos 10 anos após a contratação do trabalhador que estivesse sendo demitido, já arcam de imediato com as indenizações trabalhistas – só sobra a multa pela demissão imotivada. Inventaram os polos petroquímicos na contramão do preço do petróleo. Inventaram o Proálcool para os usineiros paulistas. Estatizaram a economia e frearam os incentivos.

De fato, o que menos temos aqui é uma economia de mercado. Com a degradação do orçamento público,  a estultice é o símbolo presente na testa do povo brasileiro. Se quer confirmar o quão pobre somos, basta olhar como o povo que você esbarra nas rodoviárias está vestido. Se lhe falta parâmetros, veja o povo inglês que foi às ruas para comemorar o casamento do neto da Rainha.




Comentários

  1. Belo post Marco!

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  2. Um tapa na cara de qualquer brasileiro decente. Os argumentos são legítimos! Eu me sinto um brasileiro otário e puto, porque sempre tolhem nossas liberdades com velhas promessas de desenvolvimento tupiniquim.

    Abraço!
    Sérgio Ricardo

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