TOUREANDO A DEMANDA – MATANDO OS BEZERROS!



O Sindicato da Construção – SindusCon SP – através de seu Informe publicitário Janela, veicula o modus operandis do modelo de subdesenvolvimento tupiniquim, haja visto o seu último informe Nº 893 de 29 de maio de 2011 – Toureando a demanda.

Vou fazer um breve resumo desse informe aporrinhante. 

‘Missão Comercial do SindusCon-SP e da CompraCon-SP visitou a Construmat 2011 (Feira Internacional da Construção), em Barcelona, Espanha, em meio à crise econômica que levou a oposição de direita a derrotar o governo centro-esquerda.

O setor da construção ... da Espanha , hoje, está com obras e equipamentos paralisados, enquanto imóveis retomados por falta de pagamento recheiam as carteiras imobiliárias dos bancos.

Neste cenário, os visitantes brasileiros tiveram oportunidade de conhecer os produtos e sistemas de 1.238 expositores de 28 países.

Além de conferir esses insumos, os representantes da construção brasileira entraram em contato com empresas que fabricam ou alugam guindastes, gruas e diversos equipamentos. Milhares deles estão parados na Espanha, num momento em que seriam úteis no Brasil. Com o atual quadro de escassez de mão-de-obra, a construção brasileira necessita se industrializar para atender a demanda por obras.

Certamente, os atrasos ...obras ... para a Copa de 2014 poderiam ser em grande parte superados se o governo facilitasse o ingresso desses equipamentos novos e seminovos no Brasil. 

Os dirigentes do SindusCon-SP também aproveitaram para transmitir alguns recados .. na Construmat... todo produto ou processo construtivo estrangeiro para elevar a produtividade é bem-vindo, desde que os fornecedores pensem no longo prazo......Destacaram a necessidade de insumos, equipamentos e sistemas que, devidamente “tropicalizados” em associação com parceiros nacionais, elevem a produtividade da construção. E manifestaram interesse em conhecer tecnologias e políticas públicas que incrementem a sustentabilidade da construção.

São bem-vindos os parceiros estrangeiros com capacidade de produção ......

Para que esses insumos venham ao Brasil diminuir, custos e prazos nas obras, será necessário o governo contribuir para atender a demanda que ele também ajudou a criar.

Essa contribuição precisa ser mediante a superação de entraves como tributos, barreiras alfandegárias, e uma política de formação de mão de obra especializada na operação de equipamentos e na instalação de sistemas de construção.'

O texto é claro e resume bem a tragédia do modelo de subdesenvolvimento tupiniquim. Mesmo assim, irei fazer uma análise breve.

A Espanha hoje está em crise e portanto é um parceiro atraente. Nada a opor quanto aos empresários que obtenham informações sobre o nosso mercado. Interessante notar que a crise espanhola revela a situação inusitada dos mutuários e bancos espanhóis. Eles também atravessam problemas. A causa é o processo de indexação que os espanhóis resolveram adotar. Azar deles, assim como azar nosso que temos a mesma política, com a diferença que , quando há o indexador TR, a pancada é menor do que com outros indexadores.

Dizem os empresários da construção que o seu setor precisa industrializar-se para atender a demanda de hoje. Problema deles se compram máquinas e equipamento com o dinheiro deles. Mas não é isso o que querem. Além disso, reconhecem que , no Brasil, há escassez de mão de obra. De fato, esse é o retrato do país. Faltam mestres de obras, engenheiros, operadores de guindastes e outros profissionais que o sistema SSS não pode dar conta. É da natureza do orçamento público, concentrado e corrompido, evaporar os recursos para os Estados e Municípios que seriam necessários para tirar o país do atraso secular. Os políticos e o povo aceitam ser extorquidos pelo sistema financeiro que leva quase R$ 200 bilhões só de juros da dívida interna federal. Aceitam ainda a corrupção escancarada. O resultado é a nossa pobreza escrachante – exceto o percentual ínfimo da população que , em parceria com os sindicatos patronais, notadamente os servidores públicos federais e estaduais, abocanha seu quinhão em conluio explícito com os poderosos.

Falam da copa de 2014. O que isso importa? É o sinal para políticos corruptos se envolverem no processo? 

Falam ainda que o governo deveria facilitar a entrada desses equipamentos novos e seminovos no Brasil. Os novos seriam com financiamentos caridosos do Banco do Brasil ou BNDES. Os seminovos seriam por conta dos bancos que aliviariam a dívida dos empresários espanhóis enforcados, na Espanha, e se apresentam como um bom negócio. O que também acho. O problema é o efeito demonstração que tal política engendra, porque se os demais setores copiassem tal política, a reserva de mercado reinante no país desmoronaria. Haja vista a atuação do Sindicato das máquinas e equipamentos nesta direção, o efeito demonstração está em andamento. Mas só para os amigos do Rei. Isso revela a farsa do nosso modelo de substituição de importação, ou seja, deixa os farsantes Maria da Conceição Tavares e Celso Furtado nus, em seus projetos de industrialização tupiniquins. Industrialização se faz com política de educação e pesquisa e estímulo à competição e jamais dando favores financeiros aos sindicalistas, principalmente os patronais, e garantias de reserva de mercado.

Destacam também a parceria amiga. Em outras palavras, se os gringos novatos quiserem entrar no Brasil, terão que pagar um pedágio. A forma de cobrá-lo? A parceria.

Pedem, naturalmente, a ajuda do governo. Como ? Retirando os entraves que valem para os demais brasileiros. E lembram que quem botou lenha na fogueira da construção foi o governo – o crédito inflacionário que Lula gerou para eleger sua candidata. 

Por fim, falam que é preciso uma política de formação de mão de obra especializada na operação de equipamentos e na instalação de sistemas de construção. Óbvio. País de analfabetos e imbecis que somos, nem sequer sabemos operar máquinas e ler manuais. Creio eu que esses leitores de manuais seriam os engenheiros que hoje estão saindo de nossas universidades.




Comentários

  1. Marco,

    com o câmbio no patamar atual, valorizado como está, eles ainda querem subsídio na importação?

    A depender, eles farão a compra e, ao invés de pagarem, receberão pela compra.

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