Indexação: empulhação conceitual





É triste ver no Brasil economistas escamotearem o tempo todo os fatos e as regras patifes que campeiam aqui.  A conceituação da indexação não foge a regra de se enganar o povo brasileiro. Alguns, em rigor inútil, a definem apenas como  reajustes de preços e salários de acordo com a inflação passada. Com certeza isso acontece para alguns casos, mas não é geral. Não é o que acontece na maioria dos contratos regulados, como o da energia. O fato é que tais contratos estabelecem simplesmente uma taxa de retorno garantida o que é imoral, ilegal e indecente.

As coisas ocorrem mais ou menos assim: se a demanda de energia cair em x% , comprometendo-se a rentabilidade definida ad hoc, a tarifa é reajustada ou algum mecanismo é posto em funcionamento de forma a se manter a rentabilidade combinada na calada da noite. O que, na prática, os especialistas em regulação fizeram aqui? Simplesmente, em engenharia financeira canalha, transformaram empresas em bancos. Pegam uma quantia x, aplicam em empresas reguladas e fazem o tal do contrato que irá registrar a garantia de um retorno de 11,5% ao ano. Hoje, já não sei mais se é em dólar ou euro, uma vez que o real se valorizou e me custa muito ficar lendo nas entrelinhas .

Evidentemente que, se esse tipo de contrato resultar em reajustes tarifários recorrentes, em nada o Banco Central poderá fazer para contê-los. Ao aumentar a taxa de juros, tendo em vista o efeito  que tais aumentos poderiam ter no índice de preços eleito pelo Banco Central como seu guia inflacionário, em nada mudaria a estratégia de tais empresas. Se o efeito da política de elevar os juros, para conter a escalada dos preços, for a queda na demanda agregada, de alguma forma, inclusive com reajustes tarifários, será recomposta a rentabilidade garantida dessas empresas. Claro, o padeiro que se dane.

Como, na prática, o Lula calibrou esse mecanismo? Com acordos que bem ele sabe fazer. Para o povão deu um cala boca pelo bolsa-famiília. Para os funcionários públicos federais deu reajustes para quem soube berrar. Para os demais trabalhadores do setor privado, bom esses estão ganhando o tal do salário de Mercado.

Justiça seja feita à turma do PT. Não foram eles que inventaram essa regulação canalha. Foi a turma do FHC, Aécio e Serra, com a conivência de todos os partidos, até o comunista que como sabemos só da mala-sem-alça que busca o status de burguês milagrosamente. O Lula simplesmente administrou o esquema sem piorá-lo, se é que isso é possível!

PS: A Dilma parece estar seguindo a cartilha do PSDB , ao invés da do Lulla. Entre as duas, o Lulla, como os diversos indicadores sociais e econômicos indicam,  mostrou que a sua é superior.


Comentários

  1. Antes de começar, vou logo admitindo o horror que tenho por L.I. (lula, só com arroz e brócolis). Mais até pelos livros que li sobre ele do que pelo governo em que se aproveitou do que já havia para chamar de seu. O livro 'Viagens com o Presidente', por exemplo, mostra o lado de L.I. que agride e humilha quem trabalha para ele. IMPERDOÁVEL.

    É difícil colocar L.I. de um lado e o PT de outro. Da mesma forma que L.I. se aproveitou da criação do PT, o PT surgiu graças a ele com o objetivo de APARECER. O que conseguiu com ajuda da mídia que, hoje, tanto critica.

    Quanto a FHC, Aécio e Serra... podemos fazer um mingau - bem amargo, é verdade - misturando com L.I. e seus comparsas; Dilma, inclusive.

    Político brasileiro não tem ideologia nem objetivo decente. O que ainda havia foi para o ralo nesses últimos anos.

    Um abração, Ju

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