Corrupção e crescimento


É um pouco intrigante a classificação do Brasil no cenário da corrupção. Segundo o índice de percepção de corrupção, mantido pela transparency international



http://www.transparency.org


O Brasil continua com a mesma pontuação, desde o inicio da série em 2001 – aproximadamente 3,5 ,numa escala de 0 a 10. Isso claramente indica que os corruptos são os mesmos, apesar de terem roupagem ideológica aparentemente distintas, e nada, nos últimos quinze anos, de FHC a Lula, em essencial, mudou por aqui, exceto o fato importante e positivo de o bônus bolsa-família ter vindo pra ficar.

Evidentemente, para se ter um mínimo de razoabilidade nas ilações naturais decorrentes dessas estatísticas genéricas, o número deve ser encarado de forma relativa aos demais países. De fato, o número por si só não pode nos indicar algo de útil. Portanto, devemos proceder uma série de comparações entre os países e ao longo do tempo, em busca de padrões que possam nos dar alguma pista sobre o fenômeno em si mesmo e as possíveis soluções. Além disso, faz-se necessário abordagens mais abrangentes sobre o assunto.

Indo no porão da bagunça, pelo menos três condições são necessárias para corrupção surgir e persistir:

1. Poder discricionário: o funcionário público relevante deve possuir  autoridade o suficiente para criar ou administrar regulamentos e políticas de forma discricionária.

2. Rendas econômicas: o poder discricionário deve permitir extração de rendas (existente) ou criações de rendas que possam ser extraídas.

3. Instituições fracas: os incentivos incorporados nas instituições políticas, administrativas e jurídicas devem ser tais que os funcionários ficariam com um incentivo para explorar o seu poder discricionário de extrair ou criar rendas.

Em busca de uma bússola que nos guie nas profundezas da corrupção tupiniquim, intento um guia prático, tendo em vista a minha visão local sobre o tema, que se resume nas seguintes perguntas:

1)        Há riqueza no pais em dimensão considerável para ser pilhada?
2)         Os grupos políticos estão dominados por grupos de interesses?
3)         O orçamento público é centralizado?
4)         O orçamento público a nível estadual e municipal tem coerência social?
5)         O país tem políticas para inovação, como mercado livre, sistema educacional abrangente e ausência de política industrial (ausência é , para mim, sinal de algo positivo)?
6)         O arcabouço jurídico é complexo, no sentido de ser caótico?

Resumindo, precisamos saber se há algo valioso para roubar, quem são os ladrões e se a polícia também rouba. Se além disso, só o pobre, em multidão e mantido na completa ignorância,  vai para a cadeia, então o quadro é insanável e o crescimento é simplesmente vegetativo.


                                                                Lula verifica o PIB


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