Júlio César engoliu um ou dois frangos?

Absolutamente, não. Indo ao dicionário, em absoluto quer dizer sim. Poderia, em dicionário popular, dizer não. Mas aqui é sim e por isso tem um não que o segue. Não foi, no jogo Brasil e Equador, o goleiro da seleção, Júlio César, um frangueiro. A bem da verdade, elé é um cara careta e muito do disciplinado. E chato como ele é fez tudo dentro da cartilha do bom moço. Nós brasileiros da velha guarda bem sabemos o que é uma cartilha maldita – longe de ser como a maldita de hoje, afundada no “ nós pega peixe”. Ela era chata em sua natureza de educar reto que exigia esforço intelectual, deixando a marca de que pensar cansa. Infelizmente, a herança de Paulo Freire, em sua boa cartilha para analfabetos, só nos trouxe a ignorância cega da falta de humildade, num dogma de um falso saber. A certeza boçal de que não se é ignorante, cristalizou-se definitivamente nas mentes pequenas. Dos pedagogos formados em pedagogia mequetrefe passamos para outras tantas categorias igualmente mequetrefes. Temos a dos administradores, a dos economistas e até dos professores de educação física que , em especialização mais esquizofrênica ainda, chegou-se à cátedra de treinadores de goleiros de futebol.


Este é o ponto: os treinadores de goleiros não sabem o básico em física. Na contabilidade correta do movimento de um corpo que sofre aceleração e o atinge frontalmente abaixo dos joelhos é quase humanamente impossível atirar-se ao chão para se efetivar o bloqueio desse corpo, no caso, a pelota. Júlio César, coerente e aplicado como é, repetiu a dose, em erro coerente. O fez por duas vezes. Nas duas aconteceu o esperado: a bola venceu o obstáculo e atingiu o nosso gol. Se tivesse o goleiro montado na velha e boa intuição, qual temos quando atravessamos uma rua movimentada, com carros em ambas as direções, fazendo intuitivamente cálculos complexos de tempo, espaço e deslocamento, teria simplesmente defendido com os pés as bolas chutadas com força o bastante para vencer o gigante que se apequenou ao mergular em busca do que certamente passaria como de fato passou, resultando em gol. Simples assim. Mas o que fez César? Acatou as regras insanas, propaladas pelos treinadores de goleiros.O pior, quando ocorre no nosso gol, é que isso se repete o tempo todo.


PS: descobri agora que os professores de educação física estão exigindo , em alguns estados da nossa federação mutilada já até o conseguiram, o diploma superior em educação física para que se ensine artes marciais. O bom nessa estória é que nenhum destes doutores de faculdade tem coragem de cobrar dos professores de artes marciais catalogados pela burocracia educacional como ignorantes, principalmente dos japoneses que não entendem patavina do nosso bom e velho português, o tal do diploma. De qualquer forma, me parece coisa de doido: um cara para atingir a excelência em artes marciais deve levar de 5 a 10 anos. Já para ser dotô em educação física nem quatro anos leva.



Comentários

Postagens mais visitadas