A Embraer e o falso dilema de voar alto.

Vou iniciar meu post dando nome aos bois. O primeiro “animal” da fila é o jornalista Henrique Gomes Batista, do jornal O Globo. Ele, em sua reportagem no O Globo de 31/07/2011, quer nos fazer crer que o Presidente da Embraer, o segundo “animal”, não sabe bem qual a melhor estratégia operacional para a sua  instituição. Querem nos dar a impressão de que, num mundo em constante transformação, existem, para empresas do tipo Embraer, Petrobrás e outras congêneres da bandalheira estatal, várias opções estratégicas, tal qual o cardápio que encontramos em qualquer restaurante ou até mesmo em botequins perdidos na noite. Hoje, nem sequer sabemos como a Embraer funciona e se suas turbinas ou a caixa preta da engenhoca chamada avião têm seus segredos abertos aos profissionais brasileiros. Não sabemos, enfim, dos contratos que estruturam a Embraer. Tudo lá , tal qual ocorre na Petrobrás, é misterioso.  Pelo que sei, há uma mão francesa a dar partida para que a engenhoca de bandeira nacional suba aos ares e não exploda. E, se os franceses conhecem bem o Brasil - tal qual a turma gringa do Petróleo - a lógica final sempre acaba no Tesouro, via BNDES.

Como todo economista, que tanto gostamos do teste de nossas teses, faço a minha parte. Procurando evidências para sustentar as minhas hipóteses,  pouco vejo no mercado de publicações algo de interessante sobre a estrutura e funcionamento das empresas multinacionais, instaladas no Brasil, com a chancela made in Brazil. As perguntas básicas ficam sem resposta. A primeira: quem é o dono da instituição? Sinceramente, se não sei dizer nem o que fizeram com a Petrobrás - supostamente estatal - muito menos saberia o que fizeram com a Embraer, que foi privatizada num processo que ninguém mais lembra. O que sei é que o terceiro “animal” da lista bovina, o Ozires, que , segundo o primeiro “animal” da lista, seria “ responsável pelos maiores sucessos (gostaria de saber quais) e por guiar a empresa em seus piores momentos, quando chegou perto da falência”...  é a referencia profissional exitosa  para o segundo “animal”, o atual presidente da Embraer que nem sei se é do ramo da aviação. 


Não posso deixar de registrar que, numa guerra, quem dominar a tecnologia das engenhocas bélicas dará as cartas; bem sabemos que os aviões são essenciais em embates estratégicos. Lembremo-nos, como registro histórico, do que aconteceu com os argentinos na guerra das Malvinas com os ingleses: na crença crioula de imaginar que poderiam ter o domínio sobre os segredos do funcionamento exato do “exocet”, foram traídos duplamente. Primeiro, pelos franceses; claro, francês está muito mais pra inglês do que pra espanhol ou português abaixo dos trópicos. Segundo, a idéia marota de que o segredo tecnológico pode ser capturado pela simples importação do produto - nada como uma boa olhadela na Wikipédia para registro sinistro dos segredos de guerra.

A segunda indagação vem do lado tecnológico. A inovação poderá surgir numa ilha de ignorância?  Creio que não. Podemos ter craques no ITA, mas só isso não garante que as inovações serão geradas a torto e a direito como sói acontecer nos países que investem pra valer em educação e no seu povo. As ideias revolucionárias, geradas em pequenas oficinas, geralmente surgem em ambiente propício à redução de gastos, pela procura de fórmulas para a sobrevivência na guerra concorrencial.  Pequenas oficinas só poderão surgir se a educação for ubíqua e, concretamente, propiciar ofícios a muitos; o que só poderá existir num ambiente competitivo e principalmente integrado ao comércio internacional sem barreiras econômicas às importações. Mas o Brasil é uma ilha de ignorância, quer pelo descuido com a educação que não encontra recursos até para o nível básico, quer pelo isolamento comercial que submetem a população em nome de uma política industrial esquizofrênica. Para os bens fora do padrão a gosto das industrias brasileiras cacarecadas (bens de capital e bens intermediários), importamos pouco e mesmo o pouco é perseguido pelas autoridades que esquecem de mostrar a estatística cruel que revela o que e para quem , de fato, importamos.

Outras perguntas mais, relativas à Embraer, porém de importância menor, poderíamos fazer, como a sua contribuição para o emprego, para a renda agregada, e quanto dos lucros da empresa ficam no Brasil para serem aqui reaplicados.  Já me dou por satisfeito com a minha ignorância e vejo que não posso ir mais longe e devo ficar por aqui, passando à conclusão natural.

A Embraer , no final da linha, não difere em nada das montadoras de automóveis tupiniquins ou latinas. Precisam sempre de uma proteção de mercado ou subsídio para sobreviverem. As máquinas que fazem as máquinas sempre são importadas, num círculo vicioso de pobreza e espoliação que Celso Furtado e Conceição Tavares omitiram em seus artigos chinfrins sobre industrialização e crescimento. Continuamos sendo apenas um entreposto comercial nos padrões ibéricos, em que o povo é um detalhe incômodo. Não é à-toa que muitos engenheiros do ITA , fugindo da lista de “animais” , estão no serviço público. A bem da verdade, a Embraer, para todos os efeitos morais e éticos, faz parte da entourage pública.



Comentários

  1. Gostei post. Baseado nisso gostaria muito que o Sr. comentasse a respeito do programa industrial lançado pela presidente Dilma,chamado Brasil maior.

    att.
    Frazão

    ResponderExcluir
  2. Frazão, irei fazê-lo. Só posso adiantar que não aprecio político industrial milagrosa que, do dia pra noite, em gabinetes,decretam que iremos mudar a realidade econômica do nosso país.O que de fato, vejo, a principio, é a velha prática de se dar dinheiro barato para os mesmos de sempre.

    ResponderExcluir
  3. E permanesse o pacto colonial

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas