O empreendedorismo tupiniquim


Não  tenho dúvidas de que por aqui , nesta terrinha perdida na arca do tempo, tá tudo de ponta cabeça, a começar por mim mesmo a insistir na minha tese estranha de que a desordem é a ordem reinante e circundante. O problema, para mim, é que  o modelo casa grande & Senzala funciona a todo vapor e fatos que me incomodam acontecem o tempo todo. Veja o tal de Eike Batista que se acha o cara e faz troça do Bil Gates dizendo que o homem símbolo americano é um sujeito de uma nota só. Ele, o esperto, acha que tem que atuar em todos os negócios. Para piorar, muitos o elegem como o homem de visão do Brasil – talvez mereçamos, tá tão difícil encontrar a saída (Talvez não, sendo perda de tempo a procura do  fim do túnel). O verdadeiro empresário, desnecessário dizer, embora o faça para zerar o efeito ideológico da malandragem enrustida,  é exatamente o cara de uma nota só que aprende errando no transcurso dos anos de dura labuta.

O que bem sei, em exemplos que se sucedem a rodo, é que a mentalidade casa grande impregna quase todas as mentes tupiniquins em exemplos igualmente a rodo que nos jogam a lona, em nocaute passageiro. Relembro hoje do caso trágico da empresa Noar, na construção de minha tese de que somos primatas pré-histórico no ramo dos negócios capitalistas. Um cara que não tem jeito de pertencer ao ramo estaria ali ditando regras e decisões para um negócio complexo como é o da aviação? Impossível, em plagas decentes. Mas o que intuo seja essa empresa abatida no ar ? Uma concessão conseguida lá nos acordos partidários, a tal da cota da bandalheira. Depois, grana do  BNDES ou de suas congêneres. Grana subsidiada. Junte-se a isso uma pitada da mentalidade tacanha em que a vida do brasileiro vale zero, tem-se o modelo em funcionamento: vai dar merda!

Este é o empresário típico: a vida do brasileiro não vale nada, a grana é dos outros e uma reserva de mercado é condição sine qua non para  o  “ sucesso empresarial.”

Para terminar, lembro: alguém lembra do episódio? Outros se sucederão e logo serão esquecidos. A gênese tupiniquim é fácil de se revelar, mas quase impossível de mudar.





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