Contra a Corrupção – movimento espontâneo no Rio e em outros lugares

O protesto popular contra a corrupção ,no Rio, agora, em 20 de setembro não foi um movimento original; outros de igual teor em outras cidades já tinham deixado a mesma marca da indignação. No de Brasília, só acompanhei de longe. Neste do Rio, estava lá presente e atento. Na minha contabilidade festiva, diferente daquela da mídia oficiosa, éramos muito. Não que a mídia tenha se equivocado na contagem. Mas na verdadeira dimensão do evento. Teve de tudo. Velhos, velhos jovens, velhos adolescentes, bombeiros, professores, aposentados velhos e novos e alguns estudantes e raríssimos secundaristas. Apareceram alguns artistas: Frejat e Tico em brilhantes discursos marcaram positivamente presença, apesar de a grande maioria dos artistas estarem , com os subsídios escancarados que recebem para montagem de blogs, etc, coonestando a farsa política. Pra coroar a festa, cantamos, todos uníssonos, o hino nacional, no cumprimento do dever cívico, entoando-o do início ao fim, em verdadeiro teste de cidadania (confesso que , com a desculpa da idade e da falta de prática, não me lembro de toda a letra). A mídia propriamente dita, vi pouco. Os infiltrados, aprendizes de políticos profissionais, certamente estavam, em experiência lúdica de como trair as boas causas em nome das suas, presentes. Político, nenhum teve coragem ou a cara de pau de aparecer. O bacana é que tudo ocorreu como não esperava.
Ficou patente que estamos sem rumo. Sem líderes. Sem políticos. Achei isso genial, porque, segundo minha noção do caos, estamos encurralados; as portas políticas estão fechadas. Todos que lá estiveram e todos os que tiveram a oportunidade de se expressar para a multidão de 2.500 foram unânimes: lugar de corrupto é na cadeia. Estamos aumentando o tom do protesto. Não foi só esse o ponto destacado. Político é sinônimo de corrupto. Percepção correta da nossa realidade política. Todos os partidos têm donos; não existe diferença essencial entre eles; todos faturam algo para si. O teste da sujeira da política é simples: os homens de bens que militaram no passado são unânimes: tenho orgulho de não participar desse novo Congresso. Tudo isso me faz generalizar, sabendo que erro pouco: só tem político corrupto. Claro, o teste patente para o político profissional seguir incólume nessa nossa luta é simples: renuncie a imunidade parlamentar, dispense assessores oriundos de seu curral, aceite redução salarial compatível com a realidade brasileira, apresente projetos contra a corrupção e vote a favor do voto distrital, apresente projetos contra a nomeação de políticos para cargos públicos, principalmente o judiciário em segunda instância, vote sempre ao vivo e a cores, declarando seu voto antes, na hora e depois da votação, coloque seus filhos nas escolas públicas, coloque sua família no SUS do povão e não no SUS dos congressistas, aceite a aposentadoria do INSS, não faça emendas parlamentares que não contenham racionalidade social e orçamentária, peça a expulsão do seu partido de correligionários corruptos ou com indícios de corrupção (que tratem os acusados de improbidade de cobrar reparação por possíveis danos  na justiça de quem os difamou). Enfim, se o Deputado ou qualquer outro parlamentar der provas de que é sério, então poderá dizer que está engajado no movimento contra a corrupção. Mesmo isso não garante que não seja hostilizado em movimentos dessa natureza – eu não os quero lá. Temos que hostilizá-los, porque este movimento é essencialmente contra os políticos e esses raríssimos parlamentares que montem seu time no Congresso, numa luta insana tal qual os autênticos do MDB travaram na ditadura militar. Certamente,serão , aos olhos da mídia, tão poucos, como fomos.
Por fim, acrescento o que de fato foi sublime: a percepção clara que estamos com as portas políticas fechadas. O congresso é corrupto, o executivo é corrupto , o judiciário é corrupto. Mas nos somos o quarto poder. Eles, os politicos e burocratas, têm que trabalhar para o povo. Eles são nossos empregados.
Não posso deixar de elogiar a todos, anônimos e celebridades que do púlpito do trem carnavalesco falaram apenas o que verdadeiramente sentiam; só trataram de assuntos. Não houve ideologia. A esquerda, graças a Deus, estava ausente. A direita, todos sabemos, principalmente eu que sempre me declarei liberal, no Brasil, é burra e raivosa, comprometida com ditadores e fascistas. Queremos tratar das nossas vidas; a política e os políticos, desde muito, são os nossos maiores obstáculos. Diria mesmo que são os nossos algozes. Veja: não prego a anarquia. Pelo contrário. Prego a boa ordem e a boa política, mas com esses que aí estão isso não será possível. Vassoura nos três poderes.

De tudo que vi em praça pública acho que estamos caminhando na direçao contestatória em bom pique. Resta agora conseguirmos estabelecer pontualmente o que queremos e convocar quem legitimamente nos representará. Se eles não fazem a boa política, façamos nós.



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