A força excludente do Modelo Casa Grande & Senzala


Se tem algo simples, na análise econômica, é o estabelecimento de um modelo para caracterizar a sociedade. Não porque seja fácil decifrá-lo em sua cadeia lógica. Mas porque é simples constatar o óbvio ululante. Vamos ao teste da farinha.

Sei que um dos elementos da casa Grande, pelo menos da cozinha e não da senzala, tem o seu quinhão garantido todos os meses, quer venha crise, quer venha a bonança eventual. Falo dos barnabés do setor público, notadamente os federais. Podem, em renda familiar, alcançar a cifra de R$ 25 mil por mês. Se admitirmos 50 milhões de famílias, a normalização da renda agregada pelos barnabés seria de quase cinco vezes o PIB efetivo. Significa que não podemos ter um padrão barnabé a rodo. O PIB não dá pra todos; é pequeno demais. Claro, o que de fato produz o Barnabé? A justiça não funciona, a saúde não funciona, a educação não funciona, no legislativo só tem ladrão (generalizando , porque erro pouco) e a justiça só prende o pobre, o crioulo e os sem pátria. Podemos, ainda, em contabilidade precisa, acrescentar tudo o mais que tem a mão viva do governo;  pouco funciona para o bem.

É claro, então, que o PIB brasileiro é pequeno e não dá pra todos. Não é sem razão que a Dilma disse para a turma do Supremo: para dar aumento pra vocês, teremos que cortar da educação ou da saúde. Verdade verdadeira que a turma Suprema não quis contestar, com argumentos que, facilmente, poderiam vir da cartola do Astro, como o de cortem a corrupção. Evidentemente, tal contestação seria  “non sense”, porque todos os barnabés fazem parte do jogo, inclusive o de cena.

Pensando sobre essa realidade dura, não adianta os filhos dos barnabés clamarem pelo fim literal dos pobres. É no lombo da favela que se extrai essa renda milionária que existe para poucos. Foi em função desse retrato excludente que o economista de esquerda, mentor e executor de vários planos de direita, Edmar Bacha, patenteou a expressão Belíndia – Bélgica e Índia – para caracterizar o Brasil e o seu modelo subjacente. Evidentemente, trata-se de uma simplificação indevida, porque nem a Bélgica conseguimos ser. Os salários aberrantes no Brasil estão nas mãos dos barnabés que adoram citar, em nome de uma esquerda antiga e sabidamente canalha,  Celso Furtado como o policymaker das boas horas. Vê-se claramente o por quê. É o modelo de substituição de importação e subsidio de todos os gêneros, sufocando o mercado competitivo,  que dá vida ao modelo Belíndia. Embora essa turma de Barnabés seja do tamanho da Bélgica, não podemos comparar o capital humano brasileiro com o do belga. Portanto, creio ser o registro bachiano indevido. Fico mesmo com a caricatura de Gilberto Freire: Casa Grande & Senzala.




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