A ideologia enrustida no mecanicismo de alguns economistas

Fico me perguntando qual seria a razão para o abuso de certos economistas, muitos deles contumazes analistas midiáticos, de tentarem impor regra mecânica de se extrapolar números que sabidamente são regidos pela aritmética econômica e não pela matemática pura? A única resposta saudável que encontro está no campo ideológico.

Exemplificando o meu ponto, tomo como exemplo a análise de muitos economistas americanos (macaqueados por aqui) sobre o que seria o problema fiscal do século XXI. Eles partem, como faz Charles Jones em seu recente livro sobre macroeconomia, dos seguintes dados:


Claro, tudo indica que a situação é insustentável, supondo que o milagre da dívida pública não possa funcionar para sempre. Também registre-se que não é só a dívida pública , em termos de títulos que rendem juros, que entra na estória. Há também a monetização do déficit público.

Mas o que fazem os economistas, mantendo Jones como isca? Simplesmente extrapolam o número. Vejamos como:



Certamente em 2070 só teremos funcionário e investimento púlbicos voltados para velhos e doentes. Pode até mesmo ser que seja isto. Mas o que me chama atenção é o descuido para a monetização que já começa pela simplificação de se excluir a variação no estoque de moeda da restrição governamental, como faz inclusive Jones em seu livro.  Mas este é o ponto da monetização.

Sabemos que moeda não pode criar espontaneamente riqueza. Assim toda e qualquer monetização tem um apelo forte de neutralidade. Inclusive a de política. De fato, a situação insustentável tem que encontrar seu vetor de solução no processo político. Enquanto ele não se realiza plenamente, a monetização é uma das saídas, na esperança de que se nada mudar, nada piorará.


O triste é quando querem empurrar a fatura em cima da turma velha ou doente. No Brasil, recorrentemente fazem isso. A razão bem sabemos.


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