O Nosso PIB está repleto de maldades!

Pode parecer estranho, mas é isso mesmo: o nosso PIB está repleto de maldades. Se você olhar pro lado faroeste do Brasil, verá que a corrupção e o descaso geral têm um custo real;  desde os maus tratos impostos pelos funcionários públicos visíveis à população, como o fato corriqueiro de que policiais não nos acodem a tempo e a hora, até o exemplo anti-social corriqueiro em que os fiscais de fazenda e rendas, sempre surgindo do nada, impedem-nos de comercializarmos livremente e ainda nos humilham nos camarins escuros das alfândegas ou aduanas. Isso tudo faz com que só aumentem os nossos custos para transacionarmos, retirando-nos a possibilidade normal de vivermos com mais folga e tranquilidade. Se contarmos tudo o mais que está errado neste país, a maldade é o resumo da ópera bufa. Acrescento ainda que, quando uma obra pública é superfaturada, o valor inflado dessa obra não é reduzido das estatísticas oficiais; quando uma obra está inacabada há décadas e já não tem valor algum, isso não entra nas estatísticas oficiais, subtraindo o valor do investimento público que, de fato, não se concretizou. A depreciação dos nossos ativos reais que se alastra rápida e vergonhosamente também não é levada na devida conta. A desconfiguração da cidade pela pilhagem dos ricos de sempre que buscam lucros fáceis é outro retrato da desvalorização ubíqua da riqueza geral. Assim, o investimento público e privado, e daí o pib, seriam menores do que efetivamente são. O pior é quando presenciamos também a dilapidação dos recursos naturais em velocidade absurda. Então, o pib real  é menor ainda do que se propala em qualquer literatura oficial; agora também pela não inclusão de mais maldades. Neste terreiro banido da civilização ocidental, até a maldade é subestimada.
Bem, você poderia imaginar que as coisas iriam se encerrar por aí. Ledo engano. Há também um processo inflacionário crônico e um endividamento público redutor da riqueza que ocorre quando o estado se financia a taxas superiores às do mercado externo; o setor privado paga o pato porque o déficit público é mais caro do que seria em condições normais de política pública. No caso inflacionário, a conta é pouco perceptível. As donas de casa, entretanto, bem a sabem, mas talvez, por simples vergonha do óbvio, a escondam dos seus maridos. O empobrecimento aparece, em exemplo grosseiro, no encurtamento do papel higiênico que antes tinha 60 metros e agora nos repassam ao mesmo preço em metragem reduzida à metade ou próximo a isso. Está também a picaretagem da inflaçao enrustida nos guardanapos que, agora, como os donos dos botequins bem reparam, sobram no pote que os guarda. Tudo isso sem falar na própria qualidade do papel. Estamos sentido o mesmo em tantos outros produtos que agora têm embalagens mais leves. Enfim, o preço é o mesmo, mas o produto encolheu. A dona de casa sabe que isso é inflação e não um ato meramente lesivo do comerciante ou fabricante. É o reflexo de todas as outras maldades.
A que tudo isso nos leva? A uma estatística fora do esquadro, além das suas deficiências tradicionais. Os índices de preços ficam então subavaliados, compensando em parte os efeitos qualidade e substituição (melhoria ou novos produtos e a troca , por exemplo, do pepino pelo chuchu quando o pepino fica caro; fatores que certamente reduziriam o índice de preços) que eles por construção não encampam. Se, pela deficiência conhecida dessas estatísticas de preços, a omissão de tais efeitos qualidade e substituição exageram as medidas de inflação, a negligência com a maldade reles subavalia a carestia. Podem as estatítiscas de preço, portanto, ficarem tanto pra cima, quanto pra baixo da medida correta da inflação. Mas com efeito qualidade mudando aceleradamente em sentido reverso, não há como o índice de preço ficar abaixo do seu verdadeiro valor. Certamente, os produtos estão diminuindo em qualidade no mesmo compasso da degradaçao urbana, ambiental e social.
Quanto ao pib oficial, sem dúvidas, está sobreavaliado e se nos fiamos por ele ficamos mais perdidos do que quando sofremos diretamente as ações maldosas rotineiras. O nosso pib verdadeiro, pelo efeito reduçao da quantidade e assim também da qualidade, não representa,  de fato, um número comparável aos de vários outros países. Claro, na medida de bem estar que o pib per capita indica pelo retrato real do país, estamos no fim da fila, certamente na companhia de países de baixa qualidade. O que não podemos é comparar  1% de crescimento no PIB per capita brasileiro, com o crescimento de 1% de crescimento do PIB per capita português ou espanhol. Com o dos Estados Unidos, esqueçamos de vez.
Pela toada da mobilização popular contra a corrupção, jamais chegaremos sequer próximo ao que os americanos foram há um século atrás. Mas, já no quesito religião, estamos bem: pecadores reles terão suas mães ajoelhadas rezando por eles para que, em ação profissional, não morram estupidamente. Já as mães pagãs, rezam para que seus  filhos possam voltar são e salvos até mesmo do trabalho. Somando tudo, o PIB que tem que ser o retrato da felicidade do país, embora o ministro do planejamento da ditadura faça, mesmo velho e caquético, troça dos chineses ao tardiamente compreenderem a verdadeira medida do PIB, revela, quando medido corretamente,  também o que de fato o pondera negativamente: a maldade reles. Por aqui ela é campeã  e isso se percebe facilmente quando muitos, infiltrados na mídia, querem fazer crer que os gregos é que são infelizes e estão em crise.

Comentários

  1. Nem precisava citar o nome do país. Seu ótimo texto apenas demonstra a nossa infeliz realidade. E ainda tem pessoas querendo dar lições de economia a alguns "pobres" países do hemisfério norte... Estamos bastante atrasados com relação a ser um país de 1º mundo. Você vai direto ao assunto quando questiona este número do nosso "fantástico" PIB. Agora imagine se você trabalhasse aqui na região da floresta amazônica, cerca de 210 km de Belém do Pará...
    Um ótimo final de semana e parabéns pelo blog.
    Abraço.
    Saudações acadêmicas e florestais.
    João Melo, direto da selva amazônica.

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