O nosso alto custo de vida é retrato do Brasil.

Os dois elementos centrais para se considerar a dinâmica dos preços dos produtos são : produtividade e economia competitiva. O primeiro elemento, difícil de medir empiricamente, mas fácil de se inferir. Os alemães são produtivos. Óbvio. Os americanos são produtivos. Óbvio. Os franceses são produtivos. Óbvio. Os italianos são produtivos. Óbvio. Os dinamarqueses são produtivos. Óbvio. Os japoneses são produtivos. Óbvio. Outros tantos, igualmente seriam obviamente produtivos.

De onde vem tanta obviedade? Do padrão de vida de cada um dos cidadãos desses países e de seus produtos que, quando nos deixam consumi-los como se sabe verdadeiro mundo afora, notamos obviamente que têm qualidade. Nesses países não temos notícias de apagão, de tumulto nos aeroportos, de reclamações generalizadas sobre telefonia, gente morrendo em fila de hospital e tantos outros exemplos de desleixo, burrice e picaretagem incomoda. O que permitiria, então, aos países ricos e verdadeiras potências tão agradável padrão de vida? Um enorme capital acumulado e preservado. Capital, bem entendido, em todos os sentidos: humano, físico e social. Mistério: o que leva esses cidadãos a acumularem tamanho capital? Instituições. Como criá-las? Mudando a mentalidade e exercendo fundamentalmente o amor registrado em cartório legal. Bom, já cheguei ao limite da minha racionalidade sobre como fazer um país bom pra se viver.

Voltemo-nos para o segundo elemento: competitividade. Claro, se o primeiro elemento puder ocorrer, certamente o segundo estará presente, pelo menos numa dimensão razoável.

Agora, perguntem: o que é o Brasil? Um país de baixíssimo capital humano e capital social. Já o capital fixo é em grande parte importado. Tal pobreza tem que se desdobrar em outros elementos, principalmente em cartórios que garantem lucro fácil. Um dos maiores é o do setor público: ineficiente e pilhador, que , pelo compadrio descarado, exige propina tributária exorbitante, de forma a acalmar sedentos empresários por subsídios e benesses de todos os gêneros. Empresários esses que se forjaram desde a primeira república às custas de empresários mais fracos e do povo em geral.  Para completar, vem as políticas de endividamento recorrente, com o purgatório de juros reais na lua, encolhendo ainda mais o escasso capital brasil. Tudo isso amarra o setor produtivo à favores recorrentes, isolando o orçamento público da população. Resultado: ineficiência generalizada, com custos de transação exacerbados, deslocando a curva de custo médio de todas as plantas produtivas para patamares indesejáveis. Qual o remédio? Pensarmos em nossas instituições. A começar pela política.  

   

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