O Desempenho da Economia Brasileira vis-à-vis às economias da AL

Não se discute que o PIB , tal qual apurado hoje, tem uma série de problemas. Krugman e Stiglitz fazem campanha para mudanças na metodologia do PIB. Falam, por exemplo, da depreciação e do desinvestimento. Quanto à depreciação, um número sacado pela experiência dos contadores, relativo às empresas, não pode ser extrapolado ubiquamente para a economia como um todo - em nível macroeconômico. A economia brasileira, sabidamente ineficiente e já rotulada pelo economista Marco Antonio Campos Martins como a economia do desperdício, é um bom exemplo do mau uso das estatísticas que compõem o PIB ou delas se valem. De fato, por aqui, a corrupção campeia a torto e a direito, principalmente em obras públicas. As estradas tupiniquins rapidamente se desgastam, porque roubam sistematicamente algumas camadas de asfalto. Há uma ineficiência óbvia que reflete uma tributação exagerada, privatização mantenedora de cartórios, baixa produtividade e desordem política e jurídica.

Claro, a depreciação é, pois, em exemplo vetorial, muito maior do que se apura estatisticamente. Vê-se, facilmente, que  estatísticas outras,  extrapoladas das nossas estatísticas mequetrefes,  embutem desperdício óbvio e , assim, quando alguns economistas as usam para prescrição de política, sacando números exagerados para a taxa de poupança ou a relação Capital/produto, mantém, implicitamente, a bandidagem generalizada que campeia no setor público, pela gestão esculhambada de seu orçamento. Naturalmente, existem outras tantas ineficiências que podem ser resumidas numa única expressão: economia do desperdício.

Como inferir que a gestão da nossa economia é , de fato, muito da mequetrefe ? Eu utilizo apenas a estatística do PIB per capita para economias da AL e faço uma normalização com as demais economias da AL , dividindo o nosso PIB pelo deles, ao longo do tempo. Sabemos que, nos últimos vinte e cinco anos muitas economias, inclusive a nossa, estão em processo de mudança, reflexo da gestão macroeconômica específicas. No Brasil, nesse mesmo período, sabemos bem que a corrupção aumentou e muito, respaldando políticas amalucadas como a que estamos seguindo para honrar o contrato maroto com a FIFA – Brasília fará um estádio para 75 mil pessoas, quando a média de torcedores por jogo não deve chegar nem a mil. Um desperdício gritante! 

A normalização, para esse período,  indica que o Brasil está ficando para trás para quase toda a América Latina.  Ganhamos apenas de países como o Haiti e bem sabemos a razão: um terremoto. Não é de estranhar que haitianos recém-chegados ao Brasil já queiram voltar para a sua terra.


Comentários

  1. A situação vai piorar ?

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  2. A situação vai piorar? O meu modelo diz que nada em essencial mudou. Muitos estão felizes com que aí está. Sendo assim, as coisas tendem a piorar - a omissão é a verdadeira razão para que os fortes e vagabundos dominem os fracos. Talvez seja esse o preço para muitos serem felizes.

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