Mantega acredita no chamado ciclo de negócios?


Para quem conhece algo sobre busines  cycles responde facilmente à pergunta: qual o efeito de um choque  numa economia, como o aumento dos preços de uma commoditie importante em sua pauta de importação (choque de oferta) ? A resposta só poderá ser dada, se à pergunta for acrescida devida qualificação temporal: o choque é permanente ou temporário?  Se for temporário, como diz o sambista, vai passar e nada há que se fazer a não ser esperar de braços cruzados a estiagem econômica. Se permanente, o efeito poderia demandar algum tipo de política, embora nada se possa fazer para o empobrecimento definitivo, vis-à-vis ao enriquecimento do parceiro beneficiado com tal choque, engendrando ajustes dos agentes envolvidos, porque as restrições orçamentárias foram afetadas. Isto também vale para outros tipos de choques.

Para o caso presente das montadoras brasileiras, a mesma questão se coloca. O choque de crédito fácil para compra de carros novos (bem como para vários outros produtos inclusos na categoria de bens duráveis)  cumpriu seu desideratum: antecipar intertemporalmente o consumo dos agentes. Quer dizer, portanto,  que o crescimento espetaculoso em tempos passados será contra-arrastado pelo crescimento medíocre presente. Se novos choques no lado do crédito forem intentados , os efeitos de antecipação poderão ressurgir, mas certamente numa força consumidora menor, projetando-se,  para um futuro não tão remoto, uma nova queda na produção.

O ponto central nessa discussão é o seguinte: o nível geral de preços pode esconder ajustes dos agentes, mas o desemprego não pode esconder os erros de política econômica.

Apegar-se aos mecanismos de mercado sempre foi a solução, tratando-se de garantir um ambiente competitivo genuíno. Criar privilégios sempre foi o problema. Os burocratas não acreditam, mas existe, obviamente, restrição orçamentária.


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