O incentivo à bandidagem: impostos sobre importações


Fico me perguntando qual a serventia de um economista que fica preso em seu gabinete e de lá produz trabalhos acadêmicos ou científicos? Vai depender da conexão com a realidade. Neste país chinfrim, de pouca valentia para os cidadãos comuns, há uma clara desconexão entre o que muitos economistas escrevem e a realidade. Como posso afirmar isso? Porque raramente nos apresentam a prova do crime e qualquer blablabá poderá ser sustentado com números sacados do rol de estatísticas mequetrefes que produzimos por aqui. Claro, como estou no rol de economistas e assim quis fugir desse lugar comum e fui a campo. Importei um CD (fiquei, ex post,  um pouco decepcionado com o conteúdo – mas isso é outra estória) e aguardei para ver que bicho dava. Não tive surpresas.

A primeira decepção foi com o tempo para a chegada do material. O produto , um CD de um bluseiro americano, foi despachado da Alemanha em março (13/03/2012) e só ontem tive notícias de sua chegada. Primeira sacanagem: eu tive que ir aos correios buscar o CD. Naturalmente onde tem uma sacanagem tem outra e depois outra e mais outras. A segunda sacanagem: se eu quisesse mandar uma pessoa buscar o produto no correio teria que efetuar uma procuração, com comprovante de endereço e etc. Terceira sacanagem: o imposto cobrado. Pasmem: 120% de imposto, com malandragem alfandegária de todos os tipos. A primeira malandragem é o tal do valor tributável. Deve ser uma tabela de similares e como CD de um certo músico não pode ter similar, o burocrata da Receita Federal, eficientíssimo, faz uma conta simples e multiplica o valor da fatura por dois. A segunda malandragem é a alíquota que cobram sobre o valor tributável: 60%. Quando você se depara com o valor cobrado como imposto de importação dá uma tarifa de 120%. Como economista, sei ainda que esta não é a verdadeira tarifa, pois os canalhas cobram sobre a fatura que inclui custo de transporte. Fazendo uma conta rápida, concluo que a tarifa de importação chegue a 240%.

Agora o que falam os economistas midiáticos sobre as alíquotas de importação no Brasil? Falam de uma tarifa média. De quanto? 

A pergunta óbvia: Por que o imbecil do Mantega faz isso com a população ? Simples, porque é um imbecil. Um CD é um produto que vai competir com a indústria de cantores brasileiros? Isso importa? Não é a diversidade cultural um elemento inovador? Talvez não, para os cantores brasileiros que também entraram na farra do subsídio público e assim que se danem os nossos artistas duas vezes.  Por que, segundo revelações inconvenientes,  um canalha manda a turma da receita federal segurar o produto por quase três meses? Pra desestimular os homens de bens a comprarem legalmente no exterior. O que de fato esse imbecil estimula? Que os honestos se transformem em desonestos, segundo a definição deles, os políticos e juízes canalhas. Que bem essa tributação trouxe ao país? Nenhum. Deixei de gastar R$ 44,95 no mercado interno para contribuir com o caixa do cachoeira e com os salários dos funcionários apátridas, porque os da turma do Correio já foi pro beleléu.

O triste é que esse desrespeito só irá se acentuar, porque não encontramos voz política para protestar. Éramos míseros dois mil a protestar, na Cinelândia, contra a corrupção. Já na Internet posso encontrar uma turma maior e, como conselho político em exercício de minha desobediência civil, prego: anulem os seus votos, menos para o de síndico, porque, pelo estatuto básico, qualquer morador poderá se candidatar. Já para político, só se você for um canalha ou aprendiz de. 

 A razão do meu protesto político: não quero compactuar com essa democracia de bandidos.




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