Reinaldo Azevedo e sua crítica ao trabalho acadêmico sobre criminalidade e bolsa familia


Esta semana os blogs em economia ficaram agitados, por conta de um post do Reinaldo Azevedo que critica trabalho acadêmico de economistas da PUC Rio, usando um linguajar pouco convencional quando se trata de trabalhos da academia. O trabalho acadêmico é sobre o bolsa família, cuja conclusão fundamental é de que o bolsa família estaria ajudando a reduzir a criminalidade no Brasil – um resultado difícil de se quantificar, mas até certo ponto óbvio. O Jornalista, acostumado a lidar com a realidade, através do olhar criterioso, e escudado em considerar interesses espúrios, fez seu reparo, a seu modo e a seu estilo, mostrando que a violência e a criminalidade estão aumentando e principalmente onde há mais bolsa família. O reparo, já considerado por outros bloguistas, mostrou-se valioso e oportuno. Eu também o considerei interessante. Mas não é essa a questão que , no fundo, o debate promovido por Reinaldo Azevedo suscita. Inicialmente, perguntaria: Por que Reinaldo Azevedo se atreveria a tratar com desdém economistas conceituados pela academia?

É essa pergunta que me dá pista para a atual bagunça no tratamento às pessoas, principalmente as que ostentam títulos. A discussão do bolsa família, recentemente, tomou um rumo de incredulidade pelos seus efeitos colaterais. Os que recebem o bolsa família não poderiam trabalhar ou não são devidamente estimulados para tal, engrossando, de fato, a galeria dos desempregados.  O programa está em xeque constante. Natural , então, no contexto tupiniquim, que novos trabalhos apareçam para dar uma aliviada às críticas. Como sabemos, os economistas brasileiros em todas as Universidades, principalmente as públicas, vivem de consultoria para o próprio governo, quando , de fato, deveriam trabalhar sem remuneração extra, já que se trata de pesquisa. Para piorar, os economistas , em geral, respaldam o modelo que os políticos de qualquer cepa sustentam, por aqui, há décadas.  Esse modelo de subdesenvolvimento é notório e óbvio. As cidades se degradam de forma acelerada, a violência aumenta, a corrupção corre frouxa, os serviços públicos não existem, milhares de pessoas morrem nas rodovias e , para coroar o rei morto, o Lulla, ao abraçar o Maluf, joga definitivamente, no lixo, a ética.  Resumindo: os economistas brasileiros estão desmoralizados. É ruim que assim seja, mas foram esses economistas consultores que criaram a situação de descrédito intelectual. Talvez, mereçamos.


Comentários

  1. Mas não poderia ser simplesmente burrice? O reinaldo se saiu bem melhor do que o mané de Stanford.
    Miguel R.

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  2. De fato, os economistas parecem estar aprisionados pelos seus modelos, além do desdem de muitos da realidade óbvia.

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  3. Entre o jornalista e o mané de Stanford, fico com o jornalista. E você, chutando?

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  4. Mas que o Tio Rei ganhou o debate ninguém pode negar; claro só os do clube picaretas futebol brazuca.

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  5. O mané de Stanford ficou calado, alguém sabe dizer a razão?
    Joao

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  6. Existe um paciente no mundo cuja AIDS foi curada, e desapareceu completamente. Existem milhares de outros que a doenca nunca foi curada. Cientistas estudaram e publicaram muito sobre este um paciente, porque (1) e um caso interessante e portanto pode desvendar os mecanismos de quando a doenca pode ser curada; (2) os dados sobre este paciente sao extensos e de facil acesso aos pesquisadores e (3) e um topico de interesse amplo. O governo de varios paises financia estes cientistas. Industrias farmaceuticas tambem. E ai, sao todos picaretas? Claro que nao... Acho que a questao do financiamento da pesquisa de um economista e marginal quando o estudo e estatistico/econometrico. Voce pode debater, e refazer o estudo e mostrar outras conclusoes. isto e ciencia. Agora, o tempo todo questionar a idoniedade do cientista, porque ele "e arrogante", ou "fez doutorado fora", ou "recebeu bolsa do governo"? Economistas respeitaveis do mundo inteiro recebem dinheiro publico para avaliar politicas do governo. Seus artigos sao publicados apos avaliacao duplo cega. E quem discorda, tem direito de fazer um estudo desancando, ou ate escrever uma carta para a revista apontando erros na metodologia ou limitacoes... Dai a sair batendo? E obvio que o jornal vai pegar o que esta no artigo, e transformar em algo popular. Acho que este comentario e muito injusto.

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