Feijão , feijão , feijão agora vem da China.


O que não é um modelo amalucado em pleno funcionamento; quem o entende não  estranha fatos esquisitos como o da importação de feijão da China e que parece será lugar comum. É o modelo do compadrio e da cartelização, em frequência retumbante, fazendo deslocar para o exterior a produção de produtos que concorram direta ou indiretamente com os produtos protegidos, sob a batuta de uma política “desenvolvimentista”. Piada, não? Certamente o feijão, tanto quanto o povo, não foi eleito como produto “estratégico” pelo governo e assim sofrerá os impactos da competição por áreas valiosas para a expansão da produção de produtos “estratégicos”. É o desequilíbrio encontrando espaço para se perpetuar, deixando a economia fora do eixo e do mercado, em crescimento estacionário rococó.

O  compadrio secular vem pela acomodação escancarada dos financiamentos agrícola, envolvendo até o BNDES na sustentação de operações financeiras que levem a chancela de projetos agroindustriais, e dos privilégios às exportações, através de incentivos governamentais de toda espécie para as commodities de aceitação geral, em especial a soja e a cana-de-açúcar. Certamente, a soja se enquadra no quesito de produto de alta rentabilidade para a turma da lavoura. A cana-de- açúcar tem um esquema mais intrincado. O óbvio é o deslocamento empresarial de atividades menos atrativa para as mais atrativas. Há porém outros elementos esclarecedores desta esquizofrenia do planejamento burocrático, em tudo ineficiente.

 O primeiro elemento que considero é o do deslocamento regional dos produtos menos rentáveis; os que não estão na pauta burocrática do planejamento mequetrefe. De fato, como ainda há, apesar da nova onda do carbono, muito espaço  “virgem” a ser desmatado, novas áreas agricultáveis são criadas, surgindo quase que espontaneamente, como o oeste baiano que alojou a soja e isolou plantações tradicionais e o gado. Este novo espaço agrícola que acomodava a produção tradicional vai ser recomposto por uma outra estrutura produtiva, relativa aos produtos que contam com  incentivos governamentais; precisamente o caso da soja ou da cana-de-açúcar. O segundo elemento a se destacar é que o feijão, num processo tipicamente ricardiano, vai ocupando terras de qualidade inferior, com o aumento no custo de sua produção. Ficará mais atrativa a sua importação, não só pela escassez do produto, determinada pela redução efetiva da área plantada, mas também pela perda de vantagens econômicas induzidas pelo aumento no seu custo de produção. A soja seguirá o preço internacional. O feijão brasileiro ficará mais caro e o chinês – sem importar o que lá eles fazem como política agrícola – ficará mais barato.

A expansão da fronteira agrícola também tem outro condicionante importante que se ampara na cartelização da matriz energética, inventada pela ditadura militar. Trata-se do programa do álcool. Como poucos falam, a matriz energética está dirigida à indústria do sudeste, em gestão cartelizada comandada pela Petrobrás. O compadrio neste segmento também se estabelece: a centralização do programa do álcool. Os usineiros paulistas se empenharam bravamente para a sua centralização, em que a criação de novas usinas, bem como o plantio da cana-de-açúcar e a comercialização do álcool têm regras rígidas que acabam por eternizar o cartório do álcool. Este esquema de compadrio mudou dramaticamente a geografia de São Paulo onde, para certas regiões do estado, o cenário interiorano se mostra monótono e sem diversidade, em monocultura secular. Este crescimento planejado induz a ocupação de novas terras e vai aos poucos rompendo fronteiras, já atingindo parte de Minas Gerais. Não é só o feijão que está sendo deslocado para outras áreas; o gado também vai seguindo seu caminho errante.

Por fim vale lembrar o que, em 2006, escutei de um engraxate (não uma criança, mas um homem feito): “no tempo do FHC minha família só comia arroz e feijão de péssima qualidade; agora com o Lula temos arroz, feijão e frango na mesa. O feijão não é aquele todo quebrado. É bem melhor.”  Naturalmente, o bolsa família e o aumento do salário mínimo teriam que ter o efeito esperado: melhorar a vida do povão.

O triste é que, agora, vão nos ridicularizar por gostarmos de feijoada e ainda acusarão os chineses, em nova modalidade, por dumping até na produção do feijão. As criaturas e as coisas mudam. Já se foi o tempo do ioiô como supérfluo; agora, é o feijão. Quem liga para as preferências das pessoas? Provavelmente, nem elas mesmas! O resultado ? A volta do feijão quebradiço às nossas mesas populares, se perseguirem os produtos chineses; nosso único aliado; eles, os chineses.  


Comentários

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  2. Critica de viadinho. Cai fora do meu blog!

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