O mundo não é tão complicado.


Quando andamos pelo mundo afora ou mesmo em filmes estrangeiros notamos a dinâmica das cidades e percebemos que as atividades econômicas tanto em Londres, como Madri ou São Paulo não são tão distintas. O problema é quando ajustamos a lupa: a degradação urbana é o retrato destoante com o estrangeiro.

Cidades grandes oferecem milhões de oportunidades, geradas quase que espontaneamente. São milhares de lojas, espalhadas “milagrosamente” em organização ajustada de tempos em tempos, em reconhecimento às mudanças normais da vida. Convivem adequadamente os três elementos urbanos: moradia, trabalho e comércio. Existem, ainda, unidades de serviço público espalhadas, de forma bem orquestrada, em toda a cidade. As lojas de departamento não dominam amplamente o comércio. Pelo contrário; pequenas unidades e geralmente em base familiar dão o colorido certo à fotografia do pequeno comércio. Claro, mão-de-obra com o mínimo de formação a poder fornecer serviços de acabamento residenciais ou de manutenção de equipamentos sem grandes dificuldades. Os espaços públicos não são invadidos e o velho e o novo podem conviver na dinâmica justa da restrição orçamentária de cada um dos indivíduos.

Por que não encontramos nossas cidades nesse contexto urbano ? A resposta é simples: a mentalidade pilhadora dos brasileiros – tanto a da elite como a do povão. Os espaços urbanos são reformulados, em jogadas escusas que mutilam os planos diretores, gerando lucros milionários a quem compra terrenos próprios para pequenas moradias e os transformam em espigões, com o apoio da classe política repugnante, em empreendimentos subsidiados pelo governo - um duplo assalto ao povo brasileiro. Além do mais, tais alterações deformam o retrato urbano, alterando a composição dos três elementos urbanos, acima descritos. Para piorar, surgem os shoppings centers, em concentração de negócios, que expropriam oportunidades valiosas dos pequenos negociantes. Isso sem contar com a transformação das ruas e avenidas, em monotonia isoladora.

Ainda existem, como tiro de misericórdia aos pequenos negócios fora do compadrio aviltante, as políticas públicas. A política fiscal completa a extorsão, com impostos e burocracia abusivos. A monetária coloca os juros em patamares proibitivos ao capital de giro, lançando os pequenos negócios em encruzilhadas empresariais, com falências recorrentes. As políticas de regulação mantém cartórios em rentabilidade de monopólio, encarecendo os insumos, em impossível substituição dos mesmos.

Para completar, temos a mentalidade Casa Grande & Senzala funcionando em todas as direções. De um lado a visão empresarial de que o trabalho humilde é coisa de gentinha e do outro o povo sem ambição que privilegia preço em detrimento da qualidade, expondo claramente sua preferência exagerada pelo presente. O resultado de tudo isso só pode ser um só: o encolhimento do processo produtivo e preços elevados ou produtos de péssima qualidade.

A mudança é fácil e as eleições municipais estão aí. Meu voto? Quero anulá-lo, de forma a não coonestar essa pseudodemocracia. Vamos correr atrás?


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