A década perdida está de volta?


O Adolfo Sachsida , de forma interessante, lançou o desafio à vários economistas, incluindo-me na lista. A minha resposta foi um não , pelo simples fato de que a década de 80 retratava o desfecho falimentar do modelo da ditadura militar e o que veremos em décadas próximas não será o coroamento da falência do modelo presente. Infelizmente, tudo indica que tal modelo irá se perpetuar, e a trajetória pífia do crescimento se reproduzirá. É o modelo da pilhagem generalizada e ubíqua, praticada por todos, pobres ou ricos.

Sendo menos encucado com a essência do problema e olhando apenas o resultado numérico ou estatístico, a pergunta do Adolfo faz todo sentido: usam as mesmas políticas que, hoje sabemos, só aprofundam a pobreza e os privilégios, não refletidas adequadamente nos índices de Gini, mas facilmente percebíveis em histogramas que tratem de agrupar os dados da renda familiar. São programas que estimulam uma matriz industrial retrógada que rouba empregos e acelera a depreciação das cidades e do país. Mais automóveis e uma Petrobrás cartorial e deficitária só aumenta a distorção econômica, apontando-se uma situação inconsistente. Faz crer ao pobre que , hoje, tendo um carro, pode, de fato, mesmo sendo zelador e morando no próprio trabalho, bancar o custo do estacionamento em cidades congestionadas. Claro, se as tarifas voltarem a subir, nem os passeios dominicais acontecerão à nova classe média. Isto tudo sem falar no espetacular prejuízo que os compradores de carros usados tiveram com o programa de redução do IPI e crédito fácil para o setor automobilístico. Neste quesito de prejuízo, em virtude de políticas amalucadas, a turma de revenda de carros usados está amargando um prejuízo incoerente com a sua mobilização política – azar o deles.

Agora, vem a turma de burocratas planejadores exaltar o pacote de investimentos, tapeando o povo com números que acontecerão em até 20 anos. Basta olhar o que estão fazendo este ano para percebermos o óbvio: a quantia investida é irrisória. De fato, nada poderá ser feito de diferente. O endividamento público ainda continua problemático – a conta é simples: o superávit primário não paga sequer os juros da dívida e como vimos o BNDES está sempre na roda, catando recursos do Tesouro, alimentados pelo endividamento público. Além disso,  os consumidores contumazes estão endividados. Para completar o quadro, basta analisar a matriz de transporte que se quer implantar: está dirigida à soja, minério e alguns outros produtos agrícolas.

O modelo já nasceu falido e todos sabemos que Lulla, FHC, Dilma e tantos outros são uns patetas. Mas cadê a alternativa política ? Estão no mensalão!




Comentários

Postagens mais visitadas