Jan Gehl – o arquiteto das cidades



Demorou, mas aconteceu: a entrevista, publicada pela Revista Veja neste final de semana com Jan Gehl, o arquiteto da cidade boa pra se viver. É isso que ele ensina em seu livro “Cities for people”. Não farei um resumo do mesmo, porque entendo que sua leitura, mesmo para os que não sabem inglês, é simplesmente fundamental. A entrevista já retrata bem o que ele pensa sobre uma cidade boa pra se viver: as pessoas têm que estar felizes. Obviamente o trânsito caótico, o metrô apinhado de gente, as ruas desertas e a população crescendo de forma concentrada é o que se percebe em cidades desagradáveis. De qualquer forma, já publiquei um post sobre ele : Especialista em criar cidades melhores, de autoria de Natália Garcia.

O arquiteto das cidades acredita em soluções pontuais. Acredito, porém,  que é um equívoco achar que tais medidas, como berrar por ciclovias e conter prédios espigões, em contexto claramente micro, possam estar desassociadas do contexto macro. É preciso ter em mente um modelo que não faça da macroeconomia uma macrosturbação. Assim, olhando a questão da degradação urbana do ponto de vista econômico, a minha visão macro que estabelece a pilhagem descarada como o vetor do nosso empobrecimento – (ver outros posts sobre o tema, como O assalto de grupos de interesses – texto de Douglass North -  e Relembrando Post Inaugural) – está coerente com a degradação microeoconômica.

 As cidades se degradam a olhos vistos, mas a estatística que temos que considerar é a do crescimento populacional nas cidades que todos gostam, como Londres, Paris e tantas outras. A população nessas cidades está estagnada há décadas. Qual a razão ? Instituições lá funcionam pra valer; estou falando dos planos diretores dessas cidades. Lembro que Petty, já em 1600 e caquerada, prescrevia (bons tempos em que a economia era sobretudo economia política e não política econômica) que cidades demasiadamente grandes seriam prejudiciais ao reino, devendo Londres em algum momento próximo à sua época parar de crescer e que se o fizesse que fosse na direção oeste.

Por que as cidades em países chinfrins crescem demasiadamente? A nível macro, pela pilhagem das elites, concentrando a produção no sudeste do país. No plano micro, pela pilhagem relés dos vereadores e prefeitos. Como fazem esses políticos, aprendizes de canalhas,  tal prática predatória? Mudando recorrentemente o plano diretor, possibilitando que empreiteiros fiquem ricos da noite para o dia: pagam por terrenos destinados a um padrão de moradia simples e pela corrupção torpe envolvendo os políticos canalhas conseguem transformar o padrão simples em padrão espigão. Os políticos e os partidos políticos – todos , sem exceção, só fazem negociatas. Por isso que eles , os políticos, os bandidos da Lei, não querem o voto distrital, o candidato desvinculado de partidos e toda e qualquer atuação livre do cidadão comum; se alguém quer ser político, tem que beijar a mão do demo.

Como dar um basta à degradação urbana, mantendo intacto por, pelo menos, vinte anos os planos diretores de qualquer cidade ? Para mim, só o voto nulo!


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