Sucessão


Sucessão
RUBEM AZEVEDO LIMA

Alguns colunistas, apesar de adiantarem o relógio sucessório, propuseram uma candidatura que nos leva à memória da sucessão presidencial ocorrida há mais de um século: a do marechal Hermes da Fonseca contra a de Rui Barbosa, em 1910. Até agora, na disputa proposta, não se sabe quem seria o marechal. Joaquim Barbosa, ministro do Supremo, seria Rui.

Teríamos um candidato em quem este escriba confiaria, com seus colegas, para a correção, no Brasil, de injustiças infames, como a troca de trabalhadores do campo por máquinas colhedoras de cana e de soja, o que os obrigou a engrossarem favelas em grandes centros. Álcool, soja e mineração, devastadores do meio ambiente, servem muito menos aos trabalhadores do que aos empresários. Aqueles, hoje desnecessários no campo, foram forçados a esmolar sem trabalho e a ver os filhos a serviço da criminalidade; e as filhas, da prostituição.

Todos os governos assistiram ao fim do comodato em nossa agricultura, na qual os fazendeiros acertavam com os trabalhadores a cessão de parte das terras para os empregados trabalharem para si e suas famílias, morando todos na fazenda. Por que não lhes fizeram justiça melhor?

Joaquim, hoje orgulho de nossa negritude e do povo em geral, talvez não aceite o sonho que milhões de brasileiros acalentam: vê-lo, no Planalto, fazendo justiça a esses e outros párias, como a que faz, com seus pares, no STF em defesa da democracia e do erário do país. Sua eleição faria justiça à memória de Rui, vítima, àquele tempo, das manipulações eleitorais a bico de pena. O PT inverte a realidade e diz que o STF hoje ameaça a democracia, dado o processo do mensalão contra petistas e aliados.

Dilma o criticou, mas atendeu ao PT, que lhe pediu pressa no Senado para nomear um ministro ao STF. Ingênua, ela voltou às manipulações de 1910, não para preservar a democracia ou a justiça, mas para livrar alguns ou todos os mensaleiros do PT. Motivo para alguém, com a garra de Joaquim na presidência, salvar o Brasil, antes que o desmoralizem as tricas e futricas eleitoreiras de um partido que perdeu a noção de ética.



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