Previsões em economia: precariedade absoluta!




Eu e os meus poucos amigos, em discussões monótonas, nos questionamos se a ciência econômica é de fato ciência. Consideramos duas vertentes de argumentação: a metodológica e a do teste empírico. Na primeira vertente, já a confusão se estabelece, porque apenas a corrente positivista abraça a possibilidade do teste das previsões engendradas pelos modelos econômicos. Existe uma vertente que despreza o teste empírico, como a encampada por Von Mises, porque acredita que as premissas e axiomas da economia são verdadeiros, bem como os teoremas e conclusões deduzidos de tais premissas. Assim, para andarmos abraçados com os físicos e outros cientistas de igual teor, ficamos, a grande maioria dos economistas pedestres,  com a vertente positivista. Entretanto, se há de se acatar o teste empírico de nossas predições abalizadas, devemos estabelecer o grau de erro admissível. Erramos, como no caso presente das previsões do PIB brasileiro, não só em magnitude, como também em direção. Para piorar, erramos, em escala apropriada, como daqui à lua. Isso me faz pensar se devemos ainda continuar testando nossas predições.

O engraçado na estória da estimativa do PIB divulgado na semana passada é que a turma que acertou – os suíços – foi escrachada pela turma tupiniquim. Mas o que tem de pior nessa estimativa do PIB ? Exatamente a questão metodológica.

A turma de economistas consultores – os que faturam com a desgraça do povo – invariavelmente apelam  para estatísticas de escada para variáveis chaves que, após certos enquadramentos, podem ser empregadas em modelos padrões, como o de Solow, ou em simples regressões. Como as previsões decorrentes estão sujeitas à erros grosseiros, o adequado seria buscar outra alternativa metodológica. Ainda não foquei exatamente um modelo específico para a economia brasileira, mas as minhas considerações econômicas me levam a concluir que a trajetória da economia quantificada pelo PIB continuará se arrastando enquanto o modelo pilhador estiver operando. Este modelo amalucado posto em marcha desde de JK, com variantes, que nos leva a situação presente, não é questionado seriamente pelos analistas consultores. A magnitude exata dos desvios da trajetória de longo prazo, confesso, meu modelo não pode precisar (ver post inicial aqui). Mas a tendência sim: estagnação da renda per capita.  Por vezes a direção muda e por vezes a magnitude se exacerba. Mas num prazo elástico, a constatação empírica me favorece. Entretanto, mais do que os números e estatísticas (mequetrefes por definição), está a realidade estampada nas ruas e nos jornais a indicar para aonde estamos indo: o fundo do poço - os elevados e elevadores estão em petição de miséria. Quando você despencar do nono andar (aconteceu ontem na cidade do Rio de Janeiro) , não estranhe: a economia está bombando!



Comentários

  1. Quando olhamos a realidade e checamos o IDH brasileiro tudo fica coerente.

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  2. Caro Marco,

    Segue minha opinião:

    Previsões para 2013: http://bdadolfo.blogspot.com.br/2012/12/previsoes-para-2013.html

    Crecimento do PIB: ao redor de 3%
    Inflação: acima de 6%

    Adolfo Sachsida

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