Bacha e sua Belindia: o país das maravilhas naturais e selvagens.



Em conversa com o time de economistas que já não se preocupam mais com o Brasil, não por desleixo ou qualquer outro motivo reles, mas por convicção de que, por aqui, tudo anda pra trás desde há muito, veio-me certo o que de fato significa a expressão Belíndia: nihil. Assim, não me creditem originalidade. Passo pra frente reflexão amiga.

Imputar o termo Belindia, Bélgica mais Índia,  ao Brasil é, de fato, um equívoco completo. Ao fazer referencia ao Brasil bem de vida, associando-o à Bélgica, incorre-se no erro de nos identificar, mesmo em segmento diminuto de cerca de 10 milhões de pessoas, como produtivos e eficientes, frutos de nossa educação exemplar, acomodada em ambiente de negócios propícios ao crescimento. Podemos ter um igual contingente bem de vida. Mas a razão estaria distante da produtividade do capital humano tupiniquim, chegado a um batuque e muita cachaça. Ao encobrir o Brasil próspero com afagos desenvolvimentistas, deixa de lado elemento importante do modelo brasileiro: crescimento com baixa produtividade. Portanto, crescimento pífio. A riqueza dos brasileiros bem de vida é bastante natural: vem da agroindústria, da mineração, da reserva de mercado e da burocracia conivente com o poder econômico pilhador.

Quando olhamos o teor tecnológico dos produtos expostos em revistas especializadas de países como Alemanha, Bélgica, França, Estados Unidos, Itália e tantos outros igualmente capazes, constatamos o isolamento em que nós brasileiros vivemos. De fato, é difícil encontrar nessa terrinha quem tenha um padrão de consumo sofisticado. Já não conseguimos mais reparar o que , de fato, é bom.  Só temos um padrão: produto barato e de baixa qualidade.

Por outro lado, ao nos identificar com os indianos, em pobreza cinematográfica, deixamos de lado um aspecto fundamental: a aparente reduzida violência urbana lá do outro lado do mundo. Mas no essencial, há certamente a identificação óbvia do imobilismo social. Lá por castas, aqui por cotas; não apenas aos pobres.  

Por fim, me pergunto: será que meus filhos irão para qual Brasil? Sinceramente, com pouca ambição que demonstram, vou ter que me acostumar com a ideia de que ficarão mesmo na classe média inventada pelo petismo pragmático.


Comentários

  1. Sào expressões que refletem o pensamento de muitos. Estou pensando sobre seu comentário e mesmo assim ainda penso que Belíndia seja um termo aceitável.

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  2. Prezado anônimo, para manter seu ponto de vista, gostaria de saber sua argumentação.

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