Por que a politica de urbanização legítima não poderia funcionar no Brasil?


O ponto central é que os desvios urbanísticos, como invasões recorrentes e espigões, sarcófagos de concreto, como bem dizia Ada Louise Huxtable ( 91, crítica de arquitetura do "New York Times", de 1963 a 1981, e do "Wall Street Journal")  que ontem faleceu, trazem vantagens econômicas a muitos: permite aumentar a riqueza direta de quem pode comprar imóveis e assim barateia o custo do aluguel para os demais que ainda não são proprietários. Claro, os custos também aparecem: degradação da cidade. O efeito líquido é , para a geração presente, provavelmente, positivo. A geração futura, obviamente, não pode reclamar!

O elemento central a por em desordem todas as cidades litorâneas do Brasil é o próprio modelo em marcha: concentrador em tudo, principalmente nas atividades produtivas que se localizam no sudeste. Como a estrutura fundiária no norte e nordeste está bastante concentrada – como sempre foi – a ocupação do interior do Brasil ainda é complicada. Acrescente-se ainda o estimulo de programas cartoriais, com o do álcool sendo o exemplo emblemático, e o incentivo à produção agrícola para exportação – atendendo principalmente aos grandes conglomerados – o resultado é patente: o processo concentrador se acentua, com o invevitável inchaço das capitais.

 A consequência desse modelo também encerra outra verdade. Ao empurrar a população desqualificada para as capitais, descobre-se o óbvio: viver em favelas é melhor do que viver no interior do Brasil! A prova ? Basta olhar o mapa brasileiro em que as luzes noturnas mostrarão onde o povo está vivendo e muito acordado. Talvez feliz.

O triste é que o resto do país, perdido em bagunça secular, não está abandonado. Pelo contrário, o estão destruindo com a certeza de que a indefinição do direito de propriedade faz do Estado pilhador o agente mais interessado na bagunça urbana. Isso podemos enxergar in loco. Quem não vê?


Comentários

  1. Não só nas grandes cidades, como nas cidades de médio porte e algumas pequenas, a urbanização tem sido um desastre.

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