Transferência de tecnologia: falácia do crescimento para os mambembes!


Muitos apregoam a boa sina, a abrir horizonte promissor, pela transferência pura e simples de tecnologia a por milagrosamente a possibilidade do crescimento em nossas portas. A definição básica de transferência de tecnologia envolveria o conhecimento abstrato e concreto, com o aprendizado da receita para  a produção local do bolo. Mas teria isso sentido para economias mambembes? A minha resposta é que não!

Transferir tecnologia para quem não sabe, por si só, desenvolvê-la e que terminada e acabada assim a recebe, não por estratégia competitiva das empresas, mas por razão outra, seria algo profundamente rentável se pelo menos duas condições estivessem presentes. A primeira é que a transferência representasse de fato uma inovação legítima, reconhecida pelo mercado, porque aí estaríamos usufruindo verdadeiramente dos lucros da inovação, colhendo-se os frutos generosos da invenção, mesmo não tendo exercido o esforço suado do trabalho inventivo. Evidentemente , o preço para tal empreitada seria inviável para quem quisesse dispor plenamente de patentes lucrativas, exigindo-se uso alhures e algures a garantir, verdadeiramente, rentabilidade valiosa. A segunda condição seria a possibilidade de se garantir um tempo mínimo para de fato se recuperar o investimento feito. Condição completamente aleatória.

Vê-se, então, que a razão para transferência de tecnologia deve ser encontrada em um contexto específico e peculiar das empresas estrangeiras, alavancadas em gastos espetaculares com desenvolvimento e criação. Uma razão óbvia seria o rápido sucateamento com que tal tecnologia se defrontaria. Falta, agora, desenvolver as condições para que a transferência de sucatas possa, de fato, se efetivar.  Naturalmente, para tal estratégia predadora funcionar, o mercado consumidor do país receptor dessa tecnologia envelhecida teria de contar com algum tipo de barreira para que os produtos novos ou substitutos não pudessem inviabilizar o negócio da transferência dessa tecnologia sucateada.

Além do mais, em países mambembes, não é possível, pela ausência sistemática de política educacional e tecnológica, garantir que tal transferência de tecnologia gere novas ideias. De fato, tal arranjo pilhador torna dispensável o apelo às políticas educacionais, se a pilhagem corre frouxa e o povo até gosta, contente com a sua parte ínfima, porém coerente com sua produtividade, no butim engendrado pelos espertos. Eles podem empregar tecnologias sucateadas que o modelo resiste e, em trajetória de manutenção da pobreza do povo, retratada na renda per capita miserável consagrada desde sempre, se perpetua no tempo. Tome samba,  cerveja e futebol que tudo termina bem.

A prática e o tempo passado, saudoso em tudo, têm demonstrado que sistematicamente aprendemos o velho e com o velho ficamos, enquanto o mundo civilizado se renova e se enriquece. Transferência de tecnologia é o mantra reverso dos industriais gigolôs que sobrevivem às custas de cartórios e da ignorância do povo. Uma estratégia que encurrala as multinacionais estrangeiras para forçar uma parceria de mentirinha. Legalmente os artifícios são vários. O de hoje é a exigência de conteúdo nacional para participarem de projetos importantes como aqueles desenvolvidos pela Petrobrás. As multinacionais entram com a fábrica e os industrias brasileiros - gigolôs - entram com a gerência pilhadora. O cartório e a reserva de mercado resultam dessa farra do boi e uma economia mais fechada e instável se mantém. Foi assim desde JK e segue incólume até hoje a política tantã de se contar, para nossa glória e salvação,  com transferência de tecnologia, em milagre da reprodução dos peixes que nunca aconteceu.

Você não lembra dos economistas e engenheiros tantãs da ditadura militar que acreditaram que um dia produziríamos a nossa bomba atômica? Angra dos Reis, pelo que sei, hoje está repleta de favelas e a energia que de lá vem nem mesmo sei para aonde vai. Mas quem mesmo, por aqui,  liga pra invenções criadas na base do sacrifício ?


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