A inflação brasileira continua em seu dilema habitual: gestão temerária do orçamento público


Não se pode negar que a inflação sempre rondou a economia brasileira. Desde o século passado, a inflação veio para ficar. De fato, com o engajamento do Brasil a um efetivo sistema fiduciário, a inflação apresentou características ascendentes recorrentes, mudando de patamar ao longo do tempo, em desastre crescente só revertido com o plano Real. O endividamento público é o elemento marcante que dá uma dinâmica mequetrefe à economia brasileira, com reflexos contundentes na inflação e no crescimento. Os determinates do endividamento público, como vetor fundamental da dinâmica da economia brasileira, são a indexação e a bagunça orçamentária; seus elementos intoxicantes que só podem proliferar em função do caos institucional instituído pela ditadura militar de 64 e perpetuado pela nova república de políticos canalhas e povo leniente.

A característica da inflação presente , considerando o período de 2000 até o momento, tem como pano de fundo o câmbio flutuante e um arcabouço de coordenação titubeante entre a política monetária e a fiscal, ancoradas no conflito: dívida e controle da inflação ou dívida e crescimento. A gestão Meirelles deixou claro sua opção para o aperto aos juros, deixando a dívida pública condicionar a dinâmica da economia, com aumento recorrente da carga tributária que se ajustava endogenamente. O resultado que se poderia considerar positivo seria o do enquadramento da inflação à meta definida de inflação. Todavia, a trajetória mequetrefe do crescimento continuou impávida. Não houve uma trajetória sustentada de crescimento. Agora, com a gestão Tombini, poderia se cogitar numa mudança no papel da dívida, com uma folga nos juros. Contudo, a carga tributária e a dívida pública ( e até a privada) não apresentaram sinais de redução. Para piorar, nada mudou na trajetória mequetrefe do crescimento brasileiro. Até piorou. Mas a trajetória da inflação ainda não apontou uma inflexão definitiva.

O atual governo ainda busca algum suspiro inflacionário em paragens externas. Contudo, o efeito do câmbio sobre os preços é de pouca duração, uma vez que o processo de privatização engendrou uma regra de tarifação maluca: garantia de retorno real de cerca de 12% ao ano. Tal regra muda tarifas que impõem um certo enrijecimento na dinâmica dos preços internos. Com isso, a transmissão dos preços externos aos internos, de forma a se manter a neutralidade relativa do câmbio flutuante, não atua plenamente.

De fato, espero mudanças no rumo da gestão macroeconômica  por parte dos burocratas petistas. O triste é que o pano de fundo para a dinâmica da economia não mudará. O endividamento público fruto da bagunça orçamentária continuará e a reinvenção da roda surgirá mais uma vez para salvar a “lavoura”, aumentando-se, aonde puder, os tributos.  



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